sexta-feira, 28 de outubro de 2016

VITRINE DO MUNDO


A Mostra de SP serve para a gente ver filmes exóticos, e eu estou aproveitando para conferir alguns escolhidos por seus países ao próximo Oscar de filme estrangeiro. "Tanna", da Austrália, dificilmente estreará por aqui. Foi inteiro rodado na ilha do mesmo nome no arquipélago de Vanuatu, e é falado em yakel - não, eu também nunca tinha ouvido falar dessa língua. Mas a história é básica, é arquetípica. É "Romeu e Julieta" de tanga. Um casal se apaixona, mas a tribo deles vive às turras com outra tribo vizinha. As negociações de paz entre as partes determinam que a moça se case com alguém do outro lado, mas os pombinhos não aceitam o acordo. As imagens são belíssimas, coroadas por um vulcão em erupção permanente. E ainda há uma rápida menção a uma bizarra religião da Melanésia, que venera o príncipe Philip - marido da rainha Elizabeth - como a maior divindade do universo. 

Segundo os sites especializados, um dos favoritos ao prêmio é "O Dia Mais Feliz da Vida de Olli Mäki", da Finlândia, mas eu juro que não entendi por quê. O filme é lindo: tem uma primorosa fotografia em preto-e-branco, e a trama se passa em 1962. Só que não tem música, o que sempre me incomoda, e lembra uma versão nórdica de "Rocky, um Lutador". Pelo menos aparecem muitos homens pelados em cenas de vestiário, e eu me diverti um pouco tentando entender alguma palavra em finlandês (em vão). No entanto, como a Academia indica quase todo ano pelo menos um título da Escandinávia, as chances de "Olli" chegar entre os finalistas são boas.


"The Handmaiden" (a Mostra manteve o nome em inglês) concorreu em Cannes, e quase foi selecionado pela Coreia do Sul. Muito me admirarei se eles tiverem um filme melhor do que esse: o novo trabalho do diretor Park Chan-Wook (do já clássico "Old Boy") é suntuoso. Podia ser uma meia horinha mais curto, mas tudo nele é de cair o queixo: cenários, figurinos, música, roteiro, atores. Parece uma versão oriental de "Downton Abbey", com muita pilantragem e putaria. Na década de 1930, a Coreia estava ocupada pelo Japão, e uma batedora de carteiras coreana é contratada por um escroque para ser a criada de uma rica herdeira japonesa, e assim ajudá-lo a dar o golpe do baú. Mas as reviravoltas são muitas, e mais não posso contar. "The Handmaiden" ainda está com legendas eletrônicas em inglês, mas deve entrar em cartaz por aqui. Quando isto acontecer, corra para o cinema.

4 comentários:

  1. Realmente o diretor-coreano Park Chan-Wook depois de alguns trabalhos inferior a sua qualidade real como diretor, e depois de péssima incursão em Hollywood ,
    volta em excelente forma e nos brinda com excelente filme . A adaptação do romance de Fingersmith de Sarah Waters, ambientado na Inglaterra vitoriana e que o diretor mudou para a Coréia ocupada pelos japoneses é perfeita .

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  2. O mio babbino caro
    A MAGIA Do CINEMA. Sua descrição já me atende em muito...Mas acredito que só vou ficar com "The Birth of a Nation".

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  3. Não esperava menos de "The Handmaiden", desde a estreia em Cannes vem recebendo elogios.

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  4. O FILME É UM PRIMOR - AHAZO TONYAH

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