domingo, 30 de outubro de 2016

OS PIRATAS DO BACALHAU

Mais uma vez, as pesquisas falharam. O Partido Pirata, apontado como favorito até a véspera da eleição na Islândia, chegou em terceiro lugar. Mesmo assim, viu seu número de cadeiras no Parlamento crescer de três para dez. E, o mais importante: chamou a atenção do mundo para esse movimento, que começou em 2006 na Suécia e já chegou até ao Brasil. Os piratas são o que há de mais novo na política, e bastante difíceis de enquadrar no espectro tradicional direita-esquerda. São pelo estado laico, pela liberdade de expressão, pelo direito à privacidade, pela neutralidade da rede, pelo ativismo hacker, pelo livre acesso e compartilhamento da cultura e do conhecimento. Isto quer dizer que jamais pagarão direitos autorais? E como gestariam o dia-a-dia, tendo que lidar com problemas comezinhos como saúde, educação e transporte público? A Islândia teria sido um bom laboratório para porem em prática suas ideias, pois é um país de apenas 300 mil almas e com um elevado padrão de vida. Mas é difícil ver essas ideias algo esotéricas pegarem num lugar onde falta tudo como o Brasil. Os Piratas fazem parte dessa nova onda política que está surgindo pelo mundo, com siglas como o grego Syriza, o espanhol Podemos e o italiano Cinque Stelle. São ainda mais radicais que esses grupos, e por isto merecem atenção. Eu, pelo menos, fiquei bastante interessado.

4 comentários:

  1. Pq no Brasil seria difícil?
    Pq não surgiu nenhuma liderança nesses moldes por aqui?
    Na minha mesa até as 17

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  2. Nos estados de língua alemã que formariam o futuro Império Alemão, não havia direitos autorais. Qualquer um podia copiar e distribuir obras que, por exemplo, na Inglaterra teriam que pagar direitos autorais. Isso permitiu uma rápida industrialização, e pouco após a unificação, o Império Alemão já era a potencia mais poderosa da Europa (excetuando a marinha que perdia para a inglesa)

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    1. Hoje em dia você baixa qualquer torrent na Alemanha e recebe uma multa de, no mínimo, 3 dígitos de euros.

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  3. Eu sou outro interessado, principalmente porque o partido surgiu a partir de ideias de pessoas como o pessoal do The Pirate Bay, notório site de pirataria em torrent que tentam derrubar, mas sem sucesso duradouro.
    O crescimento da Internet permite uma troca de informações sem precedentes. Muitos desses novos partidos reconhecem essa força e não ignoram o clamor das massas online. Já está aí uma boa ideia para um episódio de "Black Mirror".

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