terça-feira, 4 de outubro de 2016

MURO DE ARRIMO


As bis que rebolam nas buatchys talvez nem saibam que elas poderiam não estar aí se não fosse pelo levante de Stonewall. Foi nesse bar em Nova York, no dia 28 de junho de 1969, que os clientes se recusaram a ir em cana e atacaram a polícia com tijolos. A revolta durou vários dias, e mudou a história. Um ano depois, foi comemorada com a primeiríssima parada do orgulho gay do mundo, e deu impulso ao movimento LGBT. Esse episódio épico já rendeu filmes e documentários, mas nenhum com o orçamento de "Stonewall", que finalmente entrou em cartaz no Brasil. Trata-se de um projeto pessoal do diretor gay Roland Emmerich, mais conhecido por "blockbusters" de ação como "Independence Day". Pena que ele tenha feito um filme tão quadradinho. Ao invés de se basear nas histórias reais de quem esteve lá, Emmerich preferiu criar um protagonista imaginário: um rapaz louro, sem trejeitos, ingênuo e asseado, expulso de sua casa no interior por ter sido flagrado chupando o melhor amigo. O roteiro perde um tempão nessa trama nada original, e desperdiça figuras históricas como as drags e os ativistas que já moravam no Greenwich Village. "Stonewall" gerou polêmica assim que seu trailer foi divulgado no ano passado, e acabou sendo boicotado pela própria comunidade a quem se dirigia. Foi um fracasso de bilheteria, mas não é totalmente horrível de se ver. Especialmente para nós, homossexuais brasileiros, que achamos que direitos caem do céu ao mesmo tempo em que não conseguimos eleger um representante decente, o filme é uma aula. Junte-se a ele o infinitamente melhor "São Paulo em Hi-Fi" e começa-se a ter um retrato da trajetória acidentada que nos trouxe até a era do Grind'r.

4 comentários:

  1. Sociedade americana e brasileira são antagônicas. EUA é norte para qualquer movimento social e civil ao redor do globo terrestre. Os gays daqui são alienados. Os americanos, não. Diversos fatores contribuem para isso. Estou a olhar agora para o novo campo da guerra cultural, com o segmento trans. Parando e fazendo análise o movimento civil trans começa como o de homens gays e mulheres lésbicas. Massachusetts foi o primeiro estado americano a aprovar o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Massachusetts agora é o primeiro estado a aprovar direitos civis para pessoas trans. Recentemente o legislativo estadual aprovou uma série de medidas concedendo vários benefícios civis aos trans. O governador do estado, um moderado republicano, já falou que irá sancionar a lei assim que o projeto chegar em seu gabinete. Daqui a pouco o direito das pessoas trans chegará a suprema corte, como aconteceu com o dos homens gays e e das mulheres lésbicas. Entendível porque a luta da campanha presidencial americana também está centrada para muitos conservadores na indicação de juízes para a Suprema Corte. Afinal lá nos EUA a indicação é abertamente política. E eu daqui torço quase pondo meu coração para fora para que senhora Clinton de fato leve essa eleição. Só para lembrar, a CEO mais bem paga dos EUA é trans. E então, quem é conservador agora, Brasil ou EUA? Ô, pessoa desinformada, Brasil é um país ultraconservador. EUA nem tanto mais, e mesmo quando o conservadorismo era extremamente organizado e estruturado pautas de movimentos civis e sociais sempre de algum modo ou outro avançou na América.

    ResponderExcluir
  2. (Gay)Brasileiro não tem o que comer, vende o almoço pra comprar a janta, não tem onde morar, aos 40 ainda está morandp com a mãe e pegando moeda da avó pra pegar ônibus, e vai ter tempo pra pensar em causa gay? Só os militantes que recebem salário do governo via ONG, aí isso tem demais, e não fazem porra nenhuma por causa alguma, só por si mesmos. Tudo linda viajando pra Europa.

    ResponderExcluir
  3. O mio babbino caro
    A pasteurização por lá, não se dá com o mesmo cinismo que acontece por aqui, a cara de Stonewall passa por figuras como, Marsha P. Johnson e Miss Major Griffin-Gracy.

    ResponderExcluir