quinta-feira, 27 de outubro de 2016

ESPELHO EMBAÇADO


Tanto hype, tanto buzz, e no final a terceira temporada de "Black Mirror" tem apenas um único episódio sensacional. Justamente o primeiro, "Nosedive" ("Perdedor", na tradução brasileira), que mostra um futuro próximo onde todo mundo é avaliado o tempo todo numa rede social - e, de acordo com a pontuação alcançada, ganha privilégios como lugares na primeira classe de aviões ou até mesmo leitos em hospitais. O diretor Joe Wright explora a suave antipatia natural da atriz Bryce Dallas Howard para atingir um grande efeito, e o resultado é engraçado e assustador. Pena que daí em diante seja quase um nosedive. Um videogame que usa os medos mais íntimos do jogador para criar imagens apavorantes? Já existe, e não precisa de tecnologia: são os nossos sonhos. Um garoto que aceita cometer crimes para que um vídeo dele se masturbando não seja divulgado? Onde, na Arábia Saudita? A qualidade dos outro cinco episódios varia, mas nenhum atinge o nível estabelecido pelas primeiras duas temporadas. Ano que vem tem mais. Vamos ver se o roteirista e produtor-executivo Charlie Broker consegue atender à expectativa que criou nos espectadores do Netflix, ou se o encanto de sua série se quebrou de vez.

11 comentários:

  1. Ah, mas "San Junipero" foi fofinho!
    E o último foi interessante, mas precisava de uma resolução melhor.

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  2. Ainda não assisti a temporada toda, estou receoso, com um pouco de medo que tenham "cagado" a série. Até agora só assisti ao primeiro episódio e não achei lá grande coisa, mas como gosto não se discute!
    Até o próximo post.

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  3. Acho que vc não entendeu, o garoto não estava apenas se masturbando: ele era pedófilo.

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  4. Série superestimada desde sempre.

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  5. Não é exatamente inovadora. É Twilight Zone atualizada. E outras séries já tiveram o mesmo princípio em outras décadas, além da TZ original. Como acabei de começar a 2ª temporada, ainda estou gostando, mas já penso em pisar no freio na 3ª depois de ler a sua crítica.

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  6. Achei que você tinha gostado de San Junipero!

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  7. Tony, sobre esta questão de uma pessoa avaliar a outra, como mostrado no primeiro capítulo: parece um pouco o que temos hoje com o Uber.

    Não só o usuário do Uber avalia o motorista, mas este também pode avaliar o seu cliente, o que me parece justo. Já ouvi falar que os motoristas evitam pegar usuários com nota máxima, porque isso pode significar que são usuários novos criados por ladrões somente para roubar.

    Enfim, novas tecnologias, novas regras, novas discussões éticas. Meu lado engenheiro/nerd aplaude!

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    1. Eu uso Uber direto e sigo com nota máxima. Não sei que diabos o povo faz pra conseguir levar nota baixa.

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    2. Disparou o numero de motoristas. E com isso caiu a qualidade de alguns. Carro sem água, sem ar, carro fudido...

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  8. O Netflix está em uma daquelas (longas) fases em que não há nada que preste, então o povo se desespera e acaba assistindo isso mesmo. Gostei do primeiro episódio, mas o resto realmente era desnecessário.

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