quinta-feira, 4 de agosto de 2016

NADA DE ERRADO COM MEU CORPO

Passei a vida acreditando que uma pessoa transexual era uma espécie de defeituosa de nascença. Assim como tem gente que nasce cega ou sem braço, o trans também seria um equívoco da natureza. Não um problema moral, veja bem. Mas uma deficiência como outra qualquer, corrigível por cirurgias e tratamento hormonal. Essa ideia era aceita até pelo aiatolá Khomeini, que se compadeceu do drama de uma trans iraniana (e o resultado é que quem se declara gay no Irã pode escolher entre a faca ou a forca). Mas agora vejo que as coisas não são bem assim. Hoje a coluna do Contardo Calligaris, na Folha, fala do caso de Neon Cunha, que também foi assunto de uma matéria do Chico Felitti na semana passada. Neon se sente mulher, mas está satisfeita com o órgão masculino com que nasceu - uma atitude cada vez mais comum, aliás. E quer que seus documentos tragam o nome e o gênero que possui hoje, sem ser classificada como portadora de disforia. Só que a lei só a reconheceria como mulher se ela também se identificasse como doente, o que Neon se recusa a fazer. Acho que estamos começaando a presenciar a despatologização da transexualidade, algo que já aconteceu com a homossexualidade. Candy Mel, vocalista da Banda Uó, é outra que não pensa em se operar. Como ela disse no programa "Estação Plural", do qual também é apresentadora: "não tem nada errado com meu corpo".

23 comentários:

  1. Com sorte vc está certo Tony. Infelizmente o que tem de viado que sofre homofobia mas mesmo assim vê as pessoas trans como doentes é algo de ficar perplexo. Sofrem do mesmo estigma na sociedade mas são incapazes de ter empatia pelo outro que passa pelo mesmo.

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    1. Ontem, entrei aqui no blogue e logo articulei mentalmente uma desconstrução para essa narrativa epifânica do Tony. Os impasses lógicos são evidentes, e as implicações soam, no mínimo, turbulentas.

      Para não soar grosseiro, precisaria debruçar-me com cuidado sobre a questão. Então reli o post com mais atenção e dei-me conta de algo surpreendente: nosso querido escriba narrou seu encontro com uma verdade superior, um dogma que não pode e nem deve ser questionado. Uma crença; mais uma dentre tantas que nos cercam. E crenças não pertencem ao univeso da razão, são da ordem de uma conexão direta entre o umbilical e o coronário.

      Entretanto, é possível que ele não pense assim. O autoengano, como descreve Dawkins, aprisiona grande parte dos que creem. Se esse for o caso, apenas peço (humildemente) que seu novo Deus tenha misericórdia de sua alma.

      :*

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    2. Oh douto intelectual das 01:07, cujo nome mantêm oculto.

      Unja-nos com seu conhecimento superior. Nos banhe com palavras de sabedoria as quais que sozinhos jamais alcançaríamos. Precisamos de sua orientação, pois somos burrinhos demais para entender a verdade dos fatos.

      Quanto à sua animinidade, tenho certeza que é apenas para proteger sua personalidade de ataques de inferiores, invejosos de seu doce conhecimento. Nada relacionado ao fato de que nem de adicionar seu nome ao comment você se importa.

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    3. 9:52 anônimo exigindo a identificação de um outro comentador. Cadê coerência, Brasil? KKKKKKKKKKKKKKKKK

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    4. 11:45, meu nome não é digno de ser proferido, pois não tenho o conhecimento altíssimo do moço das 01:07.

      Portanto não é incoerência. É respeito. É reverência à superioridade do comentador inteligentíssimo.

      Se vc não percebeu isso, é porque ainda tem mais a aprender do que eu.

      Por favor, não irrite o magno sábio das 01:07.

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    5. 12:00 Não tá legal, miga! Seus comentários foram apenas rancorosos e mal escritos, pois ironia exige uma habilidade que você claramente não tem. Desaquenda e vá viver.

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    6. Tony, vejamos. Como dizer. Seria você dono de um territorio, digamos assim. Onde as bestas "comentaristas" viriam se alimentar, e acabavam por se degladiarem entre si. Não sei. Mas que bestas rondam esse território, isso é inegável.

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  2. Participei de uma audiência pública sobre saúde trans uma vez e ouvi isso várias vezes: apenas uma pequena parte dele(a)s querem a cirurgia, esta não é uma demanda prioritária, embora seja importante para alguns. Já a terapia hormonal é uma demanda mais frequente. Enfim, é isso, abaixo os estereótipos!

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  3. Ser trangênera pode ser muito mais q querer migrar para o outro sexo. É questionar as estruturas rígidas de gênero e acabar com a noção que a existência só pode ser binária. Acho q o caminho saudável da humanidade é q todos sejamos trans, até o ponto q a palavra trans já não faça mais sentido.

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    1. Não! Muito obrigado.

      "Se montar" dá muito trabalho.

      Eu quero ser um ser energético que muda de forma com o meu pensamento!!

      Que nem os seres avançados da 5ª Dimensão e UP!!

      Tô de saco cheio dessas discussões "bobas"!

      ...E morte de transexuais gratuitas.

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    2. "Acho q o caminho saudável da humanidade é q todos sejamos trans, até o ponto q a palavra trans já não faça mais sentido."

      Como exercício de reflexão, replico o trecho acima para quem disser que o post não trata de uma modalidade de religião.

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    3. Nos vemos em Badagas, Mono!

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    4. "Conhecia" Agartha, mas Badagas não! (Valeu!)

      Imagina! Se Francis Bacon acreditava nisso (e ele era um dos que faziam parte do grupo que assinava como Shakespeare) deve mesmo existir!!!

      Ou estão enganando os trouxas fazem SÉCULOS!!! ;)

      (Hitler, e sua cambada, também acreditava nessa terra oca! No tal do vril...)

      Eu quero ir para cima!

      E para LONGE!!!

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    5. Tem também Duat, entre Badagas e Agharta, mas Badagas é o lugar para quem quer viver no mental abstrato. O problema é que a evolução cessa nesses lugares.

      Há ainda Shambala, mas, ao contrário do que dizem alguns escritores de ficção, não há nada lá. Apenas o trono do Senhor das duas faces.

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  4. Vou morrer sem entender gente que pede o fim dos gêneros mas exige ser reconhecido por um gênero.
    Contraditório demais.
    Não faz menor sentido.

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    1. Homossexualidade não é gênero. Nem pedem os gays serem reconhecidos como gênero diferente.

      Gênero é como uma pessoa se identifica no espectro masculino/feminino. Homossexualidade (assim como heterossexualidade, bissexualidade) são ORIENTAÇÕES sexuais, o que é diferente de gênero.

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    2. Gata, vosmicê está dando aula pra quem? Porque eu me referia a transsexuais, vc que viajou aí na maionese achando que estava arrasando.

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    3. E quem disse que as trans pedem o FIM do gênero? Pedem sim o FIM da ignorância de pessoas como vc.

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    4. 22:07 Se pedem para serem reconhecidos como "mulheres" (com um jeba de 20cm no meio das pernas), estão pleiteando o fim do gênero, sim. O problema é que narrativa pode até encher a paciência, mas não altera a realidade objetiva.

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  5. O mio babbino caro
    XXY

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  6. Tony, sera que essas trans com esse discurso frequente de que "se sentem bem sendo uma mulher com pinto" nao estao simplesmente tentando proteger o ganha-pao delas? Pq imagina, muitas trabalham com prostituicao. Sem o pipiu diminuiria a demanda de homens casados que gostam de tomar no rabo de vez em quando.

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    1. 00:45, mesmo aquelas que não se prostituem teriam uma significativa redução de possíveis parceiros. Quase todos os T-lovers que conheço são passivos.

      No final das contas, tudo se resume a sexo e comportamento perverso.

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  7. O mio babbino caro
    A Revista da Cultura, deste mês, traz uma entrevista bastante interessante com Candy Mel.

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