segunda-feira, 25 de julho de 2016

QUE HORAS ANNA VOLTA?


Anna Muylaert fez um dos meus filmes brasileiros favoritos de todos os tempos, "É Proibido Fumar". Ano passado ela quase emplacou no Oscar com "Que Horas Ela Volta?", de que eu gostei com ressalvas. E agora reaparece com "Mãe Só Há Uma", onde recai no mesmo problema que comprometeu seu trabalho anterior: antagonistas caricatos. Os patrões de "Que Horas..." eram vilões de desenho animado, o que enfraquecia um dos conflitos da trama (o outro, da mãe com a filha, era forte). Acontece coisa parecida neste novo filme, o que põe a perder o excelente argumento. O ponto de partida é o famoso "caso Pedrinho", onde um adolescente descobria que havia sido roubado na maternidade e precisava se adaptar à família biológica (e que inspirou também a novela "Senhora do Destino"). Mas aqui há um twist: o rapaz é meio trans, ou pelo menos curte um vestidinho de vez em quando. Seus pais verdadeiros, que o procuraram durante anos, vão ter que lidar com isto - só que não. Mais uma vez,  o roteiro resvala para a superficialidade, e o espectador não tem como se emocionar com os dois lados da questão. Nem o fato da mesma atriz, Dani Nefussi, fazer ambas as mães, ajuda. Para piorar, o pai machão é feito por Matheus Nachtergaele: um ótimo ator, mas um erro épico de casting para este papel. Fico torcendo para Anna Muylaert voltar à plena forma no próximo filme.

22 comentários:

  1. Invejo a sua capacidade de abstração num dia em que o Ministro Coxinha da Cultura Marcelo Calero manda desocupar o Ministério da Cultura no Rio e cerca o prédio com um muro e no mesmo dia em que o Alckmin manda prender o Eduardo Suplicy por defender pobre sendo desalojado de um terreno inútil.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Invejo a sua dedicação, MAV. Queria eu me dedicar tanto assim a uma causa em que eu acreditasse (supondo que você acredite mesmo, e não esteja se vendendo por mortadela).

      Excluir
    2. Essas babOOOínas são abusadas.
      Deixa eu te dizer um coisa, desmilinguida das 15:39, QUER DEFINIR A PAUTA DE UM BLOG? BASTA ABRIR O SEU E ESCREVER O QUE QUISER.
      Neste aqui manda o Tony lindo. Não gostou? A internet é grande.

      Excluir
  2. Eu fiquei beeeeem decepcionado com esse filme. Parece que faltou dinheiro pra mais uns 30 min de filme. O drama não se resolve. Quando o pai machão pergunta o que a família vai ter que aceitar para ter o filho de volta... o filme acaba.

    Sem contar que no caso real do Pedrinho teve uma reviravolta digna de cinema: o teste de DNA foi feito nas guimbas de cigarro deixadas pela falsa mãe na delegacia. No filme surge uma impossível e ilegal obrigação da mãe ter que fornecer o material genético pra fazer o exame e pronto.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Tipo, spoiler meio babaca né? Mas blz ng vai ver essa bosta de cavalo de filme.

      Excluir
    2. "Essa bosta de cavalo de filme" está muito aquém do tipo de filme que merece proteção anti-spoiler. Tá perdendo nada, miga.

      Excluir
    3. Obrigado, Dolan. Não perderei meu tempo.

      Excluir
    4. Mas quem disse que enredo de filme tem que se resolver? O povo do Brasil é mesmo muito acostumado com novelinha bíblica onde tudo acaba com bjinho na boca... Deixar o roteiro em aberto já rolou em vários ótimos filmes, migasualoKa, espectador tb precisa pensar, historinha muito mastigadinha é coisa de Malhação, vai ver uns filmes europeus e para de ficar só vendo filme bosta de super-herói, criatura teleguiada pelo estilo Globo de vida.

      Excluir
    5. Concordo, mas o final de "Mãe Só Há Uma" não é só em aberto: é abrupto. Parece que acabou a bateria da câmera.

      Excluir
  3. Tony, quenda o bafo;

    https://m.facebook.com/jayjustify/posts/10208055416797945

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Cuidado, isso é vírus de terrorista roqueiro do pantanal, hahaha

      Excluir
    2. Esse filme fala de uma sexualidade dita fluida, que virou tendência entre as bee da nova geração. Claro que as bee de mais idade não vão entender tanto, vai sempre ficar naquele papo de que "em mil oitocentos e lá vai bolinha, minha época, as coisas eram melhores e mimim"... Gente, o mundo mudou.

      Excluir
    3. Eu achei a atriz que faz as duas mães ótima, E não é pelo fato do Mateus ser gay que ele não pode fazer um machão, que preconceito, ator que interpretar a personagem, não a si mesmo. Temos tantos exemplos lá fora de atores que são do babados e fazem ótimos machões, né?

      Excluir
    4. Infeliz seu comentário sobre os atores, parece que segue aquele raciocínio global de chamar sempre a Deborah Secco pra fazer a periguete ou o Umberto Martins pra fazer o machão e essas criaturas acabam se engessando numa personagem só. Ator é ator, quanto mais personagens variados melhor pra carreira dele.

      Excluir
    5. 8:33, meu problema com o filme não é a sexualidade fluida do protagonista, e sim o desenho esquemático dos antagonistas.

      Excluir
    6. 8:34, concordo que muitos atores gays fazem machões convincentes. Nachtergaele não está entre eles.

      Excluir
    7. O ator que faz a Laerte jovem nesse filme da Ana é ótimo e é parente do Alexandre Nero, outro ator de mão cheia.

      Excluir
    8. A Anna é sapa? Tenho medo dela, rs

      Excluir
    9. "8:34, concordo que muitos atores gays fazem machões convincentes. Nachtergaele não está entre eles"

      Isso. Chega a ser constrangedor.

      Excluir
  4. Já que Anna chamou o sobrinho do Nero, bem que podia chamar o próprio pra fazer o pai machão... Aí ia ser babado! Concorda, Tony babadeiro?

    ResponderExcluir
  5. Mateus Mastergala não convence nem como hétero, que dirá machão. Pior que o acho muito bom ator, mas parecem lhe faltar recursos pra tal empreitada.

    ResponderExcluir
  6. Essa diretora é péssima de títulos, não?

    ResponderExcluir