terça-feira, 3 de maio de 2016

PRESENÇA DE ANITA


Nunca se prestou tanta atenção à política no Brasil. Pela primeira vez na história, pessoas comuns sabem de cabeça o nome de pelo menos um ministro do STF. Este nosso interesse faz com que "Confirmation", que pode ser visto na HBO e no Now, alcance uma ressonância que não teria alguns anos atrás. O filme trata da confirmação do juiz Clarence Thomas para a Suprema Corte dos Estados Unidos. Indicado por Bush pai basicamente por ser negro, Thomas era tido como muito aquém dos requisitos para o cargo, e uma batalha política para derrubá-lo começou nos bastidores do Congresso. Uma das armas usadas foi a professora Anita Hill, que concordou à revelia em depor contra seu antigo chefe. A moça contou sobre o assédio e a vulgaridade com que Thomas a tratou durante o período em que trabalharam juntos, e se tornou o epicentro de um grande debate nacional. No final, o sujeito foi confirmado - e está na Suprema Corte até hoje, como um de seus juízes mais conservadores - mas o calvário de Anita, que foi achincalhada por setores da mídia, serviu para que se aprovassem muitas leis de proteção à mulher. "Confirmação" não é divertido, nem chega aos pés de outra recriação de um caso rumoroso dos anos 90 - a excelente série "The People vs. O. J. Simpson". Mas é uma espiada nos intestinos da política americana, que sempre tem reflexos em boa parte do mundo. E mais uma vez eu me pergunto: porque ainda fazemos tão poucos filmes sobre os poderosos no Brasil?

6 comentários:

  1. Se achei people x o j horrorosa, imagina esse então.
    Nao fazemos filmes sobre poderosos porque sao eles que autorizam filmes via lei de incentivo, ou alguém acha que departamento do governo vai liberar captação de verba pra falar mal do próprio sistema?

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    1. Olha, a Ancine autorizou um filme sobre o FHC e o Plano Real a captar mais de 7 milhões. Isso enquanto o governo ainda é do PT.

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    2. E aprovou pra um filme sobre Ze Dirceu e um sobre Brizola, ambos não conseguiram captar nada junto aos empresários, e negaram pra um filme sobre o Covas.
      Se há um critério científico ou mesmo um complô ali dentro? Claro que não, mas o departamento age politicamente, é inocência achar que não. Só que é aquele tipo de coisa que ninguém vai contar.
      Mas pra mim a Rouanet é podre por dentro por outro motivo. O que a compromete é aquele esquema do produtor que consegue autorização pra captar, vai nas estatais e consegue a verba mediante dar parte dela pro cara lá, que obviamente é do partido que sabemos qual.
      Essa é a realidade, mesmo que nunca nenhum produtor assuma publicamente.

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  2. O mio babbino caro
    Não. Ele foi indicado por ser um dos juízes mais conservadores, e ser negro da "Casa-Grande", como sua trajetória confirma.

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    1. Porque todo negro da "Casa-Grande" é conservador??

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    2. Porque é da Casa-Grande ehehe. Veja Thurgood Marshall.

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