domingo, 1 de maio de 2016

OLHO PREGUIÇOSO


Berlim é o mais político dos três grandes festivais de cinema, e não iria resistir a um documentário sobre os imigrantes ilegais que tentam ingressar na Europa. "Fogo no Mar" levou o Urso de Ouro na última edição do evento, cujo júri foi presidido por Meryl Streep. Pena que o filme seja chato para caralho. O diretor Ginafranco Rosi desembarcou na ilha italiana de Lamepdusa sem um roteiro, só uma câmera. Filmou cenas pungentes de sofrimento humano, mas também resgistrou o dia-a-dia banal de uma família local. E focou num menino travesso, que no entanto enfrenta um problema de visão. Seu olho esquerdo é "preguiçoso", funcionando apenas com 10% de sua capacidade. A solução clássica é tapar o olho bom, para que o cérebro force o outro a trabalhar. É uma metáfora meio óbvia porém canhestra sobre a relação da Europa com as massas que chegam a suas fronteiras: o continente se recusa a enxergar o problema por inteiro (e as razões desse problema nem sempre são culpa dos europeus). Some-se a isto um ritmo arrastado, e o resultado é um documentário preguiçoso, que vale mais por suas boas intenções do que por suas qualidades.

21 comentários:

  1. Sei que você gosta de roteiros cabeças e filmes premiados, mas se fosse chamado por grandes empresas internacionais para escrever o roteiro de um jogo de vídeo game blockbuster ou uma saga em história em quadrinhos mundial, você aceitaria?

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  2. Sim, porque poucos roteiristas podem se dar ao luxo de escolher trabalho.

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    1. Quem acompanha este Blog há mais tempo sabe que o Tony adora BD franco-belga. Está aí uma ótima ideia: mandarmos todos uma carta para a Hachette sugerindo a coloboração do Tony com o Didier Conrad como scénariste de um novo álbum do Asterix. Asterix já veio à América (mas ficou óbvio que eram os Estados Unidos pré-colombianos). Por que não uma aventura deles aqui, antes de Cabral?

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    2. Concordo com você, um roteirista brasileiro com a sensibilidade do Tony seria perfeito para uma história assim. Vamos fazer um pedido no avaast?

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  3. O mio babbino caro
    Lá no porto de Odessa, ouvindo
    Meu Maio

    A todos
    Que saíram às ruas
    De corpo-máquina cansado,
    A todos
    Que imploram feriado
    Às costas que a terra extenua –
    Primeiro de Maio!
    Meu mundo, em primaveras,
    Derrete a neve com sol gaio.
    Sou operário –
    Este é o meu maio!
    Sou camponês - Este é o meu mês.
    Sou ferro –
    Eis o maio que eu quero!
    Sou terra –
    O maio é minha era!


    Vladimir Maiakovski
    domingo AC

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    1. Quando não é a Monotemática é esse chato do Babbino caro, meu Deus, como o Tony tem fãs chatos!
      Um roteirista sempre atrai fãs intelectuais e descolados, o problema é os malas que vem juntos com eles!

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    2. Volta pra buati Magda!!!

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    3. snif snif era só um poeminha do Maiakoviski. Afinal ontem era 1º de Maio dia do Trabalho, ninguém me entende, bem que me falaram vai ser gauche na vida snif snif vou pedir pra mono me levar na sua nave .

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    4. Dedicado ao Bambino Caro

      So we're all drinking
      As leaves fall to the ground
      Because we've been thinking
      How October's let us down
      Then and now

      Shall we remember
      December instead?
      Or worry about February?
      Mourn our war-torn dead
      Never seeing red?

      Shall I rewrite or revise
      My October symphony?
      Or as an indication
      Change the dedication
      From revolution to revelation?

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    5. "Intelectual" e "decolada" é a senhora né??

      Sei! Não faz parte nem um pouco dos 68% da população brasileira que é ANALFABETA FUNCIONAL!!!

      (Sem contar com os 7% que são COMPLETAMENTE analfabetos... Ou seja, UM em cada quatro brasileiros sabe COMPREENDER as coisas corretamente.)

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    6. Finíssima ironia, Dolan. Congrats.

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    7. Dolan, legal. Nosso Pet Shop Boys tem outras referência à antiga URSS, lembra-se de Go West. Não vi como ironia a referência, mesmo porque atribui-se o suicídio de Maiakoviski à decepção com os rumos da revolução, Augusto de Campos (AC) tem traduções maravilhosas do poeta inteiro. No momento que comentei lembrei de PSB e com a ampliação de sua dedicatória, vai para você outra não menor:
      Tanta gente no meu rumo
      Mas eu sempre vou só
      Nessa terra desse jeito
      Já não sei viver
      Deixo tudo deixo nada
      Só do tempo eu não posso me livrar
      E ele corre para ter meu dia de morrer
      Mas se eu tiro do lamento um novo canto
      Outra vida vai nascer
      Vou achar um novo amor
      Vou morrer só quando for
      A jogar o meu braço no mundo
      Fazer meu outubro de homem
      Matar com amor essa dor
      Outubro (MN/FB)

      GO WEST!!!!!!!

      (Não é bambino é babbino)

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    8. Mas vá explicar esses sentidos para a Besta Capirótica das 12:16.

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    9. Verdade Tony, concordo com esse anônimo, a maioria dos seus fãs/leitores é muito legal, exceto a doida da Mono e a chata da Babbino Caro (que pra mim está mais pra Babbino Barato mesmo kkkk)

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    10. Detalhe: O anônimo das 12:16 é o mesmo das 14:39. Trollagem barata.

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    11. Ué você acha que é impossível mais de uma pessoa não gostar da Babbina e da Mono? Peça pro Tony olhar o IP de onde veio o comentário.

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    12. O blog teve comentaristas legais num passado distante, antes da invasão dos comentaristas dannynhos que o transformaram nesse deserto de humor e inteligência. Era quando Tony também ainda usava seu ótimo senso de humor. O nível desceu tanto que a Mono e o Babbino conseguem estar entre os comentaristas mais interessantes que ainda resistem a tanta aridez.

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  4. O tema é muito complexo. A abordagem é muito humanizada. A fotografia rebuscadíssima.
    Outra questão que O filme levanta q vc não soube identificar: a glamorização da pobreza como ocorreu em Cidade de Deus.

    Tony, acredito no seu potencial mas ainda vejo vc preso escrevendo para os seus leitores gays de buati extremamente rasos e que não compreenderiam um filme com estilo de filmagem primoroso. Por isso da sua crítica negativa a um filme que ganhou gloriosamente um Urso em Berlin.
    Este filme é para poucos olhos. Gays querem ou filmes estilosos como sex and the city ou filmes falso-intelectuais como os do Oscar. Aquela coisa nem lá nem cá.
    Enquanto vc criticar para um público muito específico dificilmente vc vai ganhar respeito dos colegas.

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    1. Acho de uma presunção vergonhosa julgar que os textos são voltados a um tal gay de boate raso e se colocar como superior.
      Não acredito que os textos sejam direcionados a esse grupo, não acredito que esse grupo sequer exista ou leia o blog, tampouco acredito na superioridade, intelectualidade e sensibilidade desse comentarista.
      Mas acredito que ele, sim, espere respeito sei lá de quem, coisa que não vai conseguir se julgando melhor que os outros, coisa que o Tony nunca fez.
      Aprenda com ele.

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    2. Disse e repito: imbecis são sempre os outros. Nós somos os inteligentões.

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