segunda-feira, 30 de maio de 2016

AMAR SEM TEMER

A Parada do Orgulho LGBT de São Paulo está virando rotina? A de ontem arrastou uma multidão que novamente lotou a Paulista - trocentos bilhões segundo os organizadores, 250 mil de acordo com o Datafolha. Mas dessa vez não rolaram assassinatos, nem escândalos como a trans crucificada de 2015. Este ano Viviany Belebony veio de Estátua da Justiça, numa crítica escancarada à ganância dos fundamentalistas, mas sem causar reações como a ridícula alegação de "cristofobia". O que acabou marcando o evento foi a política, apesar da Prefeitura ter proibido que os trios elétricos trouxessem mensagens explícitas. Nem todos obedeceram, mas quem se manifestou para valer foi o povo no aslfato. A frase "Amar Sem Temer" estava presente em centenas de cartazes e camisetas, além de protestos contra o atual governo, o anterior e políticos pontuais. Como Marta Suplicy, que dessa vez fez forfait: a senadora é habitué da Parada desde os primórdios, e ano passado desfilou garbosa em cima de um carro com a faixa "Fora Cunha". Este ano ela está no mesmo partido que Cunha, então achou mais prudente ficar em casa. Outro que faltou foi Fernando Haddad, pela primeira vez desde que se tornou prefeito: será que ele quis evitar uma foto comprometedora, que poderia ser usada por seus adversários na campanha deste ano? Se não causou o frisson habitual, a Parada também não registrou maiores problemas. Um sinal inequívoco de maturidade, e de que ela já está incorporada ao calendário da cidade. Como já é no resto do mundo. Mas ainda há uma diferença fundamental entre as nossas paradas e as americanas ou europeias. Lá, o público recebe apito da Pepsi, ventarola da Mercedes, boné do McDonald's. Aqui nossos anunciantes fogem delas, como um cristófobo da cruz.

ATUALIZAÇÃO: Fui informado de que a Parada Gay de SP recebe, há anos, muitas ofertas de patrocínio. Mas a diretoria da Associação que promove o evento recusa quase todas, pois prefere que ele seja mais político e menos festa (por isto, também, que não existem mais os carros de boates que faziam a alegria do povo). Eu, como ex-publicitário, acho essa posição equivocada. Deixar que marcas famosas apareçam numa Parada Gay é, sim, uma atitude política: prova que os LGBT são um segmento importante, inclusive financeiramente. Além de mostrar que essas grandes marcas nos apoiam, o que tornaria um boicote evangélico a elas cada vez mais difícil. Bom, mas este ano houve o patrocínio da Skol, que deve ter comprado os direitos de venda exclusivos: vi um monte de ambulantes "autorizados", com jalecos da marca. Eu mesmo me abriguei debaixo de um guarda-sol da cervejaria. O que me contaram é que a organização da Parada teve que aceitar esse patrocínio, já que a verba repassada pela Prefeitura caiu muito em relação à do ano passado (e não acusem o Haddad de homofobia: o ano é de crise e TODOS os orçamentos do governo precisaram ser cortados). Ou seja, aceitaram o patrocínio da Skol para fechar as contas. Pois eu repito: ano que vem aceitem quem vier, e façam uma Parada mais rica e mais bonita. E com ainda mais peso político, pois é sempre bom ter o capitalismo do nosso lado.

46 comentários:

  1. melhor coisa da parada: o elenco de sense8 se pegando

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  2. Lá tambem desfilam policiais e bombeiros gays, mas são civis, aqui como são militares nem poderiam.

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  3. a skol patrocinou a parada e além de trio etc fez bastante mídia em cima disso

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  4. A parada melhorou muito. Está mais gays, menos hétero e mais política. Sem bandidos, sem violência e sem a cafonalha estereotipada de boate gay. A parada está voltando aos poucos ao seu objetivo principal de ser um dia de celebrar o orgulho de ser gay, sem vergonha e sem preconceito.

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    1. COMCORDO PLENAMENTE! Menos gente e mais bee empoderada!

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    2. A presença do elenco de uma das séries de maior sucesso da Netflix só mostra a importância da Parada de São Paulo.

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    3. Agora as gays metidas a phinas vão querer se jogar na Parada só pra aparecer na Netflix.

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    4. Vc disse bem, "metidas" a phynas pq de phynas mesmo não tem nada. Não acho que gente que participa de gueto seja chic.

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    5. "coMcordo"

      Haja empoderamento.

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    6. "Não acho que gente que participa de gueto seja chic", que pensamento mais cafona, uma pessoa que posta isso é brega até a sétima geração, sem chace de cura nem que o Feliciano queira. Poderia citar aqui uma lista de gente chic de verdade que se joga no gueto, estrelas do primeiríssimo time inclusive, mas nem vou perder meu tempo. E chamar a Paulista de gueto já mostra que a criatura equivocada não entende nada de PIB, muito de geografia, rs. Acorda, Alice!

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    7. sem bandido e sem violência, SQN. Mal saí do metrô e no meio de uma avalanche de gente se espremento, levaram meu celular

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    8. 03:22 é exatamente esse sentimento exclusivista e elitista que vc descreve que torna os guetos não-chic. O gueto brasileiro dissocia as pessoas que dele participam sendo que o correto seria o contrário. Sem contar que a separação, dentro do próprio gueto, entre os que que são chic e os que não são, é distorcida e guiada por pela superficialidade e aparência, duas coisas que não condizem com o momento de democratização acelerada do mundo.

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    9. Há pessoas que somente se sentem melhor se há alguém pior.

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    10. 03:02

      Selo Rivotril de Vazio Intelecto-Existencial. Toda trabalhada na insônia!

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  5. O mio babbino caro
    Everyday gay/I am everyday people
    ...There is a blue one who can't accept
    The green one for living with
    a black ones tryin' to be a skinny one
    Different strokes for different folks
    And so on and so on and scooby dooby dooby

    Ooh sha sha
    We gotta live together

    I am no better and neither are you
    We're all the same whatever we do
    You love me you hate me
    You know me and then
    Still can't figure out the bag I'm in
    I am everyday people...
    (Sly/Arrested)

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  6. Aqui em Lisboa, pelo menos a Q eu vi ano passado, são umas 200 pessoas fazendo um pequeno trajeto atrás de uma kombi, levando umas cartolinas com frases. Dai chegam no ponto final, as trocentas entidades pegam o micofone e leem suas reivindicações: adoção, preps na rede pública, etc etc etc. Sem montação, roteiro de festas ou música. Na outra semana, no mesmo lugar rola uma quermesse, com barraquinha de comida misturadas com de apoio. Só. E % tem muito mais lésbica.

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    1. Lisboa é Portugal e São Paulo é Brasil, bee! Lá vem as gays colonizadas que acham que tudo na Europa é melhor e mimimi... Acorda, Alice!

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  7. A Marta Suplício agora é habitué do carnacoxinha na Paulista. Finalmente ela encontrou o lugar dela entre os seus. Não poderia estar em lugar mais apropriado.

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    1. Nem lá, é vaiada todas as vezes que aparece.

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  8. Não sei que compromisso Haddad teve pra faltar ontem na parada, mas com certeza não tem a ver com a eleição desse ano, ele mesmo declarou semana passada em entrevista que jamais deixará de nos apoiar por calculo eleitoral: http://ladobi.uol.com.br/2016/05/fernando-haddad-politicas-lgbt/

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    1. dizer é uma coisa... Temer diz tanta coisa que nunca vai fazer, né?

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    2. - Haddad assina decreto que põe Parada LGBT no calendário oficial . Sem muita conversa.

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  9. Bicha... A sra não vai falar da presença do elenco e gravação de cenas do Sense8 na Parada de SP? Esse sim foi um evento digno de Hollywood, o bjo do casal magya da série parou a Paulista, foi babado, confusão e gritaria... Acho que rolou um patrocínio da Netflix, viu, já que nesse mundo nada é de graça.

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    1. Eu perdi o carro do Sense8! A Netflix já está presente na Parada há snos. Trouxeram muitas atrizes do elenco de "Orange Is the New Black". Claro que tiveram que pagar para filmar no meio da Parada, e aposto que foi muito.

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    2. Afinal, é para ser capitalista ou não?

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    3. Eu acho que é. Nos EUA, o apoio da iniciativa privada tem sido decisivo para o avanço dos direitos igualitários. Os reaças só escutam a voz do dinheiro.

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    4. Caro Tony, que pena vc perdeu o carro do Sense8, pq foi bem diferente do "Orage Is The New Black". Na parada passada, as meninas do "Orange" participaram como um tipo de presença vip de um camarote de micareta, tanto que elas dividiram espaço com subcelebridades da internet, como a galera do Põe na Roda e a Marimoon, entre outras blogueiras da vez. Com o Sense8 foi diferente, o carro serviu como cenário, foi gravado várias cenas, inclusive uma com o casal gay formado por aquele ator mexicano e ex-Rebelde, que foi o ponto alto da parada, com direito a pedido de casamento e bjo apaixonado. Teve gente (que nunca viu a série, claro) até que achou fosse um pedido "real". Era visível a gravação das cenas, com um monte de grua espalhada pela Pauista e sem nenhuma subcelebridade brasileira nesse carro. Não foi permitido nem a presença da tal transexy da foto acima, a bela Viviany Belebony, que segundo ela foi convidada pela produção da Netflix pra participar das gravações, mas que foi barrada do baile. Parece que vai rolar até processo por conta dela. Já vi esse filme, outra Thelma Lipp... Mas isso já é uma outra história. O fato é que, querendo ou não,a Parada GLBT de SP tá na ordem do dia. E as invejosas que se curvem a tanto sucesso e repercussão!!!

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    5. Mas elas não se curvam. Ficam resmungando pelos cantos digo pelos universos (paralelos) AA. Elas precisam disto para se sentirem com vida. Aliás acho que aquele período Down da Parada, era maldição do Mix Brasil, e seu frustrado sonho, de um mundo gay ariano digo junior.ano
      Renan Quinalha manda lembranças.

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  10. A direção da parada foi tomada há alguns anos por uma turba vermelha que nunca mais largou o osso. Ano passado, inclusive, a prestação de contas foi bem mal explicada. Eles tradicionalmente repelem a presença de patrocinadores, pois isso exige apuro na contabilidade, e, sabemos, os esquerdistas preferem os esquemas estatais.

    Também não abrem para as casas noturnas, pois querem pautar os participantes, dando a falsa impressão de um alinhamento de todos os gays com suas pautas.

    Aparelharam a passeata, mas o próximo prefeito dará um passa fora nessa turma. Já já, a farra acaba, e os LGBTs não alinhados aos partidos de sempre ocuparão os espaços que são, por direito, de todos nós.

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    1. Fechar a parada para as casas noturnas é muito sensato. Quase todo mundo concorda. Casa noturna faz muito barulho e pouca política. Elas representam um gueto com menos de 5% do público.

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    2. Além do mais, perceberam que faturavam muito mais com a Girassol, do que colocando um carro na Parada, busine$$$$

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    3. Babaca, deixa as conspirações por conta da Mono, é mais competente, sua tonta.

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    4. Sem contar a falta de compromisso social desses clubes. Encontra-se sempre uma forma de lucrarem estimulando as diferenças sociais. Inventam guetos dentro do gueto. O lugar deles definitivamente não é na parada.

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    5. Assino embaixo. Olha as outras respostas referentes ao seu comentário, fica nítido o quanto a Parada e o movimento lgbtxyz foi aparelhado pela esquerda.

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    6. 21:07 O próximo Prefeito será o mesmo. Gatão, sensato, tranquilo e favorável. Anote aí. Muito além do PT.

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  11. Sense8... Todos se amando... <3 <3 <3

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  12. Achei estranho o Haddad não ter comparecido esse ano que igualmente corresponde a um ano eleitoral. E enquanto a Marta... Ainda tem gay que morre de amores por ela depois daquela infeliz declaração na eleição de 2008 sobre o Kassab ? Nem um pedido de desculpas ao menos ela concedeu aos gays que por ela militavam. Enfim... E essa mentalidade tosca de se não receber patrocínio ? Aff... Primitivo isso. Veja o que está acontecendo nos EUA com importantes empresas não querendo expandir seus negócios em estados que adotaram leis discriminatórias contra pessoas LGBT's. Dando uma força política a toda questão. Pressionando para a derrubada dessas leis esdrúxulas. As empresas tem força política. O capitalismo tem força política. Então por que não aceitar o patrocínio de uma empresa para a Parada ? Sendo que uma quantidade maior de recursos poderia dar mais estrutura ao evento e transformá-lo em um grande palco de reivindicações políticas pelos nossos direitos civis ? Ver esse tipo de pensamento entre os organizadores da Parada é triste. De todo modo, o evento está aí e veio para ficar. Que bom. Que tenha vida eterna.

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    1. Para completar a censura...


      "Our countries are corporations and the world is a business controlled by a small group of untouchable banking families. The laws that control our society have been meticulously structured over thousands of years to protect the corporations, while giving us the illusion that we are free. We, the people, are blissfully ignorant that we are the slaves and the assets of those who control the business. It is time to wake up and free ourselves. Nobody will do this for us. The universe awaits our action, so that it can respond through the law of attraction, and welcome humanity into the universal community of beings of higher consciousness."

      Michael of the family Tellinger - 2005

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    2. Kkkkkk adoro que não fala nada com nada e menos ainda diz como mudar então desse regime imposto. Aí é mole inventar teorias.

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    3. Mono meu mestre, intergalaticamente o idioma estadunidense, também é o iNdioma universal?

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  13. A Parada é administrada por gente de esquerda tacanha e anticapitalista, por isso a aversão ao empresariado.

    Elenco de sense8 <3

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    1. "Anticapitalista", porem é super permitido dar a facada no contribuinte patrocinando uma palhaçada desse nível né?

      Socialistas de esquerda e direita são repulsivos, e eu tenho vergonha de que alguns poucos considerados "Gays Intelectuais" falam por uma maioria e quando na verdade não representa as pessoas

      Se fosse no Ancapistão teria sim manifestações de qualquer tipo de grupo, inclusive GLS, mas tudo patrocinado com dinheiro privado de pessoas que creem na causa e não de vagabundos parasitas estatais que angariam votos por vias mentirosas

      e pelo que li nos comentarios e no que o proprio Tony Goes disse, caso se recuse o individuo no poder vai ser taxado de homofóbico

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  14. Realmente uma coisa linda mesmo, uma festa de rua patrocinada com dinheiro publico, eles dão camisinha e lubrificante pra que aconteça profanidades nas ruas, realmente lindo
    na sua cabeça e na cabeça da maioria dos homossexuais seria "homofobia" caso um prefeito ou alguma pessoa cortasse a verba pra isso
    é por essa e por outras que gays e lésbicas são tão mal vistos, as pessoas no mundo todo só conseguem um lugar ao sol com poder econômico

    outra coisa a ser considerada que ninguém cita porque não é conveniente, ali não tinha protestantes Pro Anti Corrução, tinham ali comunistas, socialistas, PETISTAS, tudo totalmente partidarizado, e se você diz ser contrario você é taxado com fascista, é realmente uma vergonha o que fazem com o Brasil atualmente
    Tu deveria sentir vergonha de dar suporte pra uma palhaçada desse nível.

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