segunda-feira, 7 de março de 2016

TERROR PARA EVANGÉLICOS


Eu costumo evitar os filmes de terror como um vampiro evita o alho. Eles simplesmente não me atingem. Parei de me assustar quando eu tinha uns 10 anos de idade, e fugi do gênero depois que ele se transformou num festim sanguinolento. Mas de vez em quando eu me deixo seduzir por alguma crítica boa, e vou conferir seja lá qual for o fenômeno que esteja fazendo as plateias urrarem. O deste momento é "A Bruxa", que tem produção e elenco bem acima do que seus similares. A história até que é engenhosa: a família de um pregador fanático é expulsa de uma comunidade da Nova Inglaterra no século 17. Eles têm tanto medo do demônio que obviamente o enxergam em todos os lugares e, quando vão morar isolados, começam a acontecer coisas estranhas. A ponto de todos se voltarem contra a filha mais velha, que está entrando na puberdade - uma metáfora meio óbvia para o poder da sexualidade feminina, aliás o tema subjacente de qualquer história de bruxaria. Até aí, OK. Mas, para dar saltos na cadeira a cada novo susto, o espectador precisa ser tão crente quanto os personagens na tela. Precisa acreditar que o mal existe à solta por aí, e que as bruxas são uma ameaça concreta. Como eu não creio em nada disto, não consegui embarcar na proposta do filme. Para mim já basta saber que existem fanáticos religiosos de verdade para que eu sinta calafrios.

14 comentários:

  1. Eu estava pensando nisso hj, na repressão q as mulheres sofrem. Eu mesma fui chamada de prostituta até mesmo no trabalho, foda. Vivemos em tempos de tirania TOTAL, se os gangsters do PSDB chegarem ao poder então, vai ser difícil reverter esse quadro. As bruxas de salem pra mim é perfeito.

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  2. Sobre o Brasil de hoje, Getúlio morreu. E os idiotas fanáticos religiosos que temos hoje são fruto dos generais fdp + oligarcas + marketeiros que fomentaram o golpe contra ele. Essas são pessoas que temos que saber quem são pq elas continuam na ativa até hj. Cunha é réu, sopro de esperança.

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  3. Cristiana Moisés7 de março de 2016 18:34

    Esse post pingou cristofobia. Até quando Tony Goés?

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    1. "Cristofobia" não existe. O que existe - e eu tenho - é fobia dos teocráticos, que querem impor à força suas crenças.

      Ah, e meu sobrenome não tem acento.

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    2. Bruxas de salem é o metáfora ao MCcarthismo não? Quem vai escrever sobre a tentativa de golpe que vivemos hoje?

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    3. Eu sou evangélico e gay, como eu existem muitos assim como existem muitos catolicos gays, é difícil nossa luta, mas quem sabe daqui algumas gerações nos aceitem?

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  4. O mal é achar que filme de terror é levar susto. Isso é clichê. Achei que vc fosse entendesse mais do assunto...

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  5. o mio babbino caro
    Ki nen ki eu.

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  6. A Bruxa é um filme de horror, não terror. Gostei muito.

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  7. O filme tem uns simbolismos muito bons, o sangue no balde e a repulsa que a mocinha sente, o pai sem camisa e depois ela a lavando no riacho, a floresta sinistra, os animais...
    Resumindo, filme fodástico!

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  8. mas ñ é um filme de terror gent ... eu curti demais. mas tem q ir sem expectativas.

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    1. É isso, não é terror.
      Pode ser considerado um filme alegórico de história.
      Mostra como uma família naquela época, vivendo situações adversas, se agarra a mitos e lendas.

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  9. Assisti ontem e adorei. Voltei aqui pra reler sua crítica pq, realmente, talvez te falte o gene pra entender esse tipo de filme. É tudo profundamente perturbador, com direito a cena de um menino de 10 anos tendo orgasmos pensando em Jesus Cristo. E sobre a metáfora ser "meio óbvia", é todo o cerne do filme. Ele é baseado em contos populares da Nova Inglaterra - alguns deles deram origem aos contos de fadas de hoje; logo, não é óbvio, mas um arquétipo.

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