domingo, 13 de março de 2016

MEU AMIGO AUTO-INDULGENTE


Hector Babenco é um baita diretor, menos quando o assunto do filme é sua própria vida. Até agora, o único título fraco de seu currículo era "Coração Iluminado", inspirado em sua juventude em Mar del Plata. A ele se junta "Meu Amigo Hindu", que fala do longo tratamento contra um câncer enfrentado por Babanco nos anos 1990. Trata-se de um roman à clef: Maria Fernanda Cândido faz Xuxa Lopes, Reynaldo Gianechini faz Dráuzio Varela, Bárbara Paz faz Bárbara Paz. E é quase tão chato quanto uma quimioterapia. Babanco fez um filme auto-indulgente, que no entanto não conduz o espectador ao processo interno por que ele deve ter passado. Mas será que passou mesmo? Não é visível nenhuma jornada: o personagem que termina curado é o mesmo que adoece no começo, só passou por um probleminha. Também não me ajudou ver os atores brasileiros falando inglês: todos falam bem, é verdade, mas soa falso. Pelo menos Willem Dafoe está fantástico, e "Meu Amigo Hindu" termina com uma cena maravilhosa, com Bárbara Paz dançando "Singin' in the Rain" nua, entregue e precisa.

3 comentários:

  1. Eu adoro a primeira parte de "Coração Iluminado", com a Maria Luisa Mendonça e aquele ator argentino de olhos lindos. Nunca esqueço daquela cena em que eles dançam ao som de "Ho capito che ti amo", ela já está doente e ele não consegue fazer nada mais pra salvá-la, tudo bem triste, trágico e romântico, do jeito que eu gosto.

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  2. Você é um roteirista não pode falar assim do cara, tipo se ele fosse te chamar pra escrever pra ele depois de ler isso desistiria. Cuidado pra seus textos de colunista não te tirar oportunidadrs de emprego como roteirista.

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    1. Pois é, não dá para agradar todo mundo o tempo todo.

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