segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

VOA, CAVALETE, VOA

O MASP está de volta. Depois de décadas de uma administração meio duvidosa, o museu recuperou sua cara original. Eu tinha uns doze anos quando fui lá pela primeira vez, e me maravilhei com os cavaletes de Lina Bo Bardi. Aquelas telas flutuando me pareceram a única maneira decente de passear pela história da arte. Todos os outros museus do mundo, com suas paredes e corredores, de repente ficaram mais antigos que a caverna de Lascaux. Foi um prazer reencontrar na concepção de seus criadores a mais importante coleção de arte universal da América Latina. Um passeio obrigatório para quem vier a São Paulo.

Pena que quem vier agora não verá mais a mostra espetacular dos vestidos da Rhodia, que terminou neste domingo. A multinacional francesa promovia sensacionais desfiles-shows na Fenit, a feira da indústria têxtil, durante todos os anos 70. E bancava os melhores estilistas para que criassem modelitos com seus fios sintéticos. Hoje qualquer tecido não-natural é execrado como uma heresia, mas os looks da Rhodia estão entre os melhores que a moda brasileira jamais produziu. A maioria poderia ser usada ainda hoje, e o estado de conservação das peças é digno de aplauso. Mais incrível mesmo é o MASP, dono dessa coleção desde 1972, só agora expô-la em toda sua glória.

7 comentários:

  1. muito bom! clap clap clap!

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  2. Gosto do cavaletes da Lina, mas fiquei na dúvida:

    Eles pintaram as vidraças de preto, ou resolveram tocar o foda-se e aceitar que a iluminação natural destrua as obras com o tempo?

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  3. O mio babbino caro
    Que texto delicioso. Impressionante, a descrição da primeira vez que esteve lá retrata a mesma sensação inesquecível que vivi. Acredito que o grande milagre da vida, são tantas pessoas, anonimamente viverem experiências tão semelhantes.
    God Bless

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  4. A exposição A Galeria do Tempo na Grande Galeria do Louvre Lens tem a mesma museografia, com um grande espaço retangular sem divisões. As obras são organizadas por data, então a perspectiva que se tem é muito bacana - um passeio cronológico pela história da arte. Como a coleção pertence ao Louvre Paris, que só possui obras produzidas até a metade do século 19, a exposição fica com uma lacuna de obras mais recentes - a cronologia fica incompleta.
    Não conhecia os cavaletes de cristal da Bo Bardi (visitei o MASP pela primeira vez em 2003!). Mas é muito bom saber que o museu os trouxe de volta. Dna. Lina era bem à frente do seu tempo, hein?

    Seu artigo está ótimo, como sempre ;-)

    Fique bem,
    E. Jones

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    1. Obrigado!

      Os cavaletes de Lina Bo Bardi datam da inauguração do prédio do MASP na Av. Paulista - 1968. Ela realmente era uma visionária. A disposição atual das telas segue uma ordem estritamente cronológica, sem respeito a escolas, contexto histórico ou geografia. É uma maravilha de se ver.

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  5. Muito legal, sem dúvida. Esse post deu vontade de ir lá ao MASP.... correndo!

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  6. É realmente impactante entrar no salão e se deparar com o acervo do MASP "flutuando" no espaço. Para mim foi inesperada aquela desordem rigorosamente organizada de beleza ímpar.

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