terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

NORMAL É SER ESTRANHO


O roteiro de "Anomalisa" teria dado um filme melhor se tivesse sido rodado com atores de verdade? A história tem lá seus absurdos, como o fato de todo mundo ter o mesmo rosto e a mesma voz para o angustiado protagonista. Mas isso é pouco perto das loucuras de outras obras assinadas por Charlie Kaufman, como "Quero Ser John Malkovich". Talvez ele quisesse aumentar ainda mais a sensação de estranheza, e conseguiu. A animação é perfeita nos objetos: tem um suco de laranja numa cena de café da manhã que é de pirar o cabeção. Mas as pessoas são todas meio awkward, lembrando as antigas marionetes dos "Thunderbirds". Aposto que era essa a intenção: o ser humano é awkward por definição. O fato é que esses bonecos virtuais que vemos na tela acabam convencendo. Claro que o trabalho de voz dos atores ajuda muito (Jennifer Jason Leigh está até indicada a um prêmio como coadjuvante, mostrando que o ano está mesmo bom para ela). Mas não sei se "Anomalisa" consegue ser mais do que uma curiosidade. É um filme pequeno, em tom menor, muito mais introspectivo que seus concorrentes ao Oscar de animação. Mas vale a pena ser visto por quem estiver a fim de algo diferente.

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