sábado, 20 de fevereiro de 2016

GRAVIDEZ - PARTE 2


Se você não sabe direito o que acontece em "o Quarto de Jack", pare de ler aqui mesmo. Nem veja o trailer aí em cima, que já entrega boa parte do filme. O impacto de assisti-lo na mais santa ignorância deve ser devastador. Digo isto porque, mesmo conhecendo o que viria, eu tremi feito vara verde nos momentos de suspense. Isto é sinal de que o diretor Lenny Abrahamson mereceu sua indicação ao Oscar. Assim como a roteirista Emma Donoghue (que também escreveu o livro original) e principalmente a atriz Brie Larson, a mais que provável vencedora. Dá para questionar porque o pequeno Jacob Tremblay - que tinha 8 anos na época das filmagens, e que interpreta um menino de 5 - foi ignorado pela Academia. Talvez por ele ser o verdadeiro protagonista da história, que é contada de seu ponto de vista. E que pode ser entendida como uma espécie de segunda gravidez. O quarto onde ele e sua mãe vivem trancafiados é uma metáfora do útero. Jack não sabe que é um prisioneiro: acha que o mundo se resume àquelas quatro paredes, e que tudo o que ele vê na TV são figuras irreais. Sua mãe está ali 24 horas por dia, pronta para satisfazer qualquer necessidade ou desejo. Ele não sofre, tal qual um feto ainda em gestação. A saída do cativeiro (eu avisei lá em cima que você deveria parar de ler) é como um nascimento. Traumática, porém necessária. Inspirado pelos casos reais ao redor do mundo, "O Quarto de Jack" é um filme que discute maternidade feito adulto. E que prende a gente... ai.

4 comentários:

  1. Não é também inspirado na alegoria da caverna?

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Também achei o mesmo quando assisti.

      Excluir
  2. A expressão facial de Jack depois de se desenrolar do tapete e contemplar o banal céu azul me fez arrepiar enquanto assistia e agora escrevendo esse comentário. Maravilhoso!

    ResponderExcluir
  3. Concordo com tudo q vc escreveu; adorei,por muitas razões é inesquecível.

    ResponderExcluir