quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

CORAÇÕES EM DÚVIDA


Fiquei sem entender o que tanta gente viu de bom em "Brooklyn". O filme é simpático, mas não a ponto de merecer uma indicação ao Oscar de melhor do ano. Conta a história de uma moça que emigra da Irlanda para os Estados Unidos na década de 1950. Quando finalmente se sente adaptada à nova pátria, ela precisa voltar ao país natal por causa de um problema na família. E cai na tentação de ficar, porque as coisas mudaram. Só que a dúvida bastante séria entre dois destinos diferentes é resolvida meio que por pirraça. E a protagonista, que vive a mais recorrente fantasia feminina - dois homens incríveis disputam seu coração - acaba revelando um caráter dúbio no final. Se o roteiro não convence, o visual é primoroso. O elenco de apoio faz uma certa força para ser pitoresco, ao contrário de Saoirse Ronan. A interpretação da moça é contida, com muito olho arregalado. Já que o tema de "Brooklyn" é dúvida, quando saí do cinema fui resolver uma  que me carcomia há tempos: a pronúncia correta do nome "Saoirse". É "sirsha". Mas nenhuma dúvida é maior do que a razão misteriosa que levou o exibidor brasileiro a trocar o "y" do título original por um "i". Será que ele quer que o espectador pense que a trama se passa no bairro paulistano do Brooklin?

ATENÇÃO: os comentários abaixo estão coalhados de spoilers. Depois não diga que eu não avisei.

12 comentários:

  1. Tony, olha a Crítica do Belotti. Ele disse praticamente as mesmas coisas que você disse sem dar os spoilers que você deu!
    https://www.youtube.com/watch?v=rBx1G03Lw5c

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    1. Mas eu não falei que no final ela volta para Nova York para ficar com o italiano!

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  2. Querido ele disse a cobertura do bolo. Você deu o recheio.

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  3. Querido,

    Este filme só pode ser compreendido por quem é imigrante e é lindo neste sentido, especialmente para quem imigra para os EUA. Representa tudo que a América representa para os Americanos.

    Uma quote dela quando está no navio que diz o seguinte:
    You have to think like an American. You'll feel so homesick that you'll want to die, and there's nothing you can do about it apart from endure it. But you will, and it won't kill you. And one day, the sun will come out you might not even notice straight away-it'll be that faint. And then you'll catch yourself thinking about something or someone who has no connection with the past. Someone who's only yours.And you'll realize that this is where your life is.

    E para você, eterno estudante e apreciador de roteiros, é um plot de evolução e maturidade brilhantemente executado.

    That's it for now.
    Bjs
    J

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    1. Puxa, obrigado pelo esclarecimento. Eu realmente não tinha entendido nada mesmo. Interpretei muito mal a cena em que a personagem resolve tomar uma atitude SÓ DEPOIS DE AMEAÇADA DE SER DESMASCARADA. Até então, ela mentia para todo mundo: para os namorados, para a mãe, para os amigos, para si mesma. Mas nada como uma boa duma chantagem para a gente amadurecer e evoluir, não é mesmo?

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  4. Um filme sem sal. E de uma história que não leva para lugar algum.

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  5. Achei Brooklyn um filme muito prazeroso de se ver, bonito, delicado, sensível, meio demodé no bom sentido. Sirsha Ronan, desde Atonement [quando tinha 13 anos] é uma atriz impressionante, que presença forte em cena.
    Discordo que a fofoca da Sra. Kelly fosse chantagem: era maldade pura, de vingança, por ter sido dispensada pela jovem. E, nesse momento ela saiu do torpor irlandês.
    E por acaso mocinha de filme não pode vacilar no quesito moral? Assim acaba o cinema.

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  6. Achei o filme mais fofo do ano. Aquele italianinho e ela... owwwnnn!!

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