sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

AMERICAN OTHELLO


São muitas as semelhanças do caso O. J. Simpson com a peça "Othello", de Shakespeare. O negro que consegue ser alçado à elite branca. O assassinato da mulher, motivado por ciúmes. Até o nome dos protagonsitas começa com "o" (O. J., na verdade, se chama Orenthal). Essa tragédia moderna está ganhando um tratamento à altura com a minissérie "The People vs. O. J. Simpson", a iteração deste ano da franquia "American Crime Story". Quem estava vivo na época se lembra do circo que foi armado. O. J. era uma mega celebridade nos Estados Unidos: um ex-jogador de futebol americano que depois se aventurou no cinema. Só que todas as pistas indicavam que ele teria matado a  facadas a ex-esposa  e o novo namorado desta. O próprio O. J. fez uma confissão informal ao tentar fugir para o México em seu Bronco branco, no que se transformou na perseguição policial de maior audiência da história. Mas sua equipe de defesa, formada por alguns dos melhores advogados do país, conseguiu mudar a narrativa. O réu estaria sendo perseguido pela polícia de Los Angeles, comprovadamente racista. O resultado é que O. J. foi absolvido, num veredito que chocou o mundo. A justiça poética é que agora ele está cumprindo uma pena de 33 anos, depois de ter liderado um grupo armado para roubar "memorabilia" de um hotel em Las Vegas. Vamos ver se a série chega até este epílogo: ainda estamos no terceiro episódio, mas o que foi mostrado até agora é muito bom. Roteiro, direção e elenco afiados, com duas desonrosas exceções. John Travolta não consegue esconder a própria canastrice, nem debaixo de um quilo de botox e maquiagem. E Cuba Gooding Jr., apesar da boa interpretação, tem um tipo físico mirrado, que não evoca a imponência e a beleza do verdadeiro O.J.. Mas esses são detalhes dentro de uma produção bem bacana. E que levanta uma pergunta importante: se a histeria do politicamente correto fez com que um culpado óbvio saísse livre em 1995, imagine o que não conseguiria hoje?

9 comentários:

  1. O EUA é muito racista;) tenho pena dos negros de lá. Revi esses dias "from hell" baseado na obra do Alan Moore, achei muito interessante, Jack the Ripper nunca foi pego e é óbvio que houve um cover up pq o assassino era da alta sociedade, possivelmente o príncipe ou alguém a mando da família real (no filme, tentando encobrir o fato que o príncipe teve um filho com uma prostituta).

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  2. O mio babbino caro
    Não existe justiça, existe dinheiro.
    Basta relembrar casos e casos.

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  3. Robert Kardashian... Esse sobrenome é famoso. Isso mesmo?

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    1. É o pai das Kardashian, que faleceu em 2003.

      A série não perde uma chance de mostrar Kim e suas irmãs quando pequenas!

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  4. Em paralelo:
    Sobre o divino Pastor Teixeira, homofóbico demitido pelo Pezão:
    Vai ser processado pela Defensoria Pública do Rio por danos morais causados aos gays, sendo exigida a indenização de 1 milhão de reais - a ser aplicada em políticas pró-gays - e retratação paga no Globo, no tamanho da entrevista [pelo menos meia página].
    Se essa ação for bem sucedida, os pingos correrão para os is.

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  5. Só vi o ep 1, mas achei meio fraco, na época a história foi muito mais interessante, esse ep 1 parecia qualquer genérico de série sobre crime, e Travolta está a pessoa mais ridícula de Hollywood, dá pena em pensar que nenhum amigo dele dá um toque.

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  6. Cuba? Miscasting total, até hoje não saiu do personagem show me the money. Um fiasco. Série chinfrim.

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  7. Achei bem chinfrim também.

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  8. Cuba Gooding Jr é o grande problema desse seriado. E numa série de dramaturgia, o ator principal ser ruim, é um ponto bem negativo. Fora o biotipo, a atuação dele está exagerada, histriônica, uma gritaria!

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