segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A PROBLEMATIZAÇÃO DO CARNAVAL

Vejo amigos questionando no Facebook se o Brasil deveria estar festejando o carnaval. Muitos deles foram influenciados por esta matéria da revista "The Economist". Mas sinto que existe uma certa ignorância de todas as partes sobre o que é o carnaval brasileiro. Não se trata de uma festa qualquer, apesar das inúmeras tentativas de enquadrá-lo, patrociná-lo e retirar dele qualquer sentido contestatório. Só que carnaval é contestação. Para começar, é uma reação pagã a uma regra católica. Acontece nos dias que antecedem a quaresma, o período de 40 dias em que muita coisa era proibida aos fiéis, do sexo à carne (hoje em dia sobrou a Sexta-Feira Santa e olhe lá). Aqui no Brasil o carnaval sempre teve conotação política, desde os tempos do entrudo no século 19. Eram os dias onde os escravos podiam fazer coisas que em outros dias renderiam chicotadas, como jogar farinha na cara de quem lhes passasse pela frente. Ao longo do século 20, o carnaval se tornou palanque de protestos e laboratório da revolução sexual. O mundo vira de cabeça para baixo durante o reinado de Momo: o pobre desfila em roupas de rei de França, o machão se veste de mulher, desconhecidos se beijam na boca. Achar que o Brasil não deveria pular carnaval por causa da situação econômica é calar a boca da contestação. Dilma, Lula, Eduardo Cunha, Alckmin e tantos outros vão adorar não serem alvos da sanha dos blocos e marchinhas. Quem sai usando uma máscara deles não está os apoiando: está tirando sarro, está fantasiado de alguma coisa que não é. Por isto que é absurdo esse grupo judaico de São Paulo querer processar uma loja da 25 de Março que estava vendendo máscaras de Adolf Hitler. Um folião fantasiado de Führer não está endossando o 3o. Reich, nem incitando o nazismo. Ah, mas estaria desrespeitando as vítimas? Hmm... sim. Acontece que carnaval É desrespeito. É o oposto do sagrado. Sempre foi e sempre será, se quiser continuar sendo carnaval. Não existe carnaval "a favor". Bem-vindos ao Brasil.

26 comentários:

  1. Judeu acha que manda em tudo só pq tem um aqué guardado no Bradesco, manda no Oscar, manda nas redondezas do Pátio Higienópoles e, agora, quer mandar no espírito carnavalesco... Só Jesus Cristo pregado na cruz pra salvar a causa!

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  2. Tony,

    O Carnaval acorre no meio da 'preparação para a Páscoa', durante o chamado 'Tempo da Septuagésima'. Não surgiu como forma de contestação aos ritos cristãos, mas foi incorporado pelo cristianismo, pois a celebração é mais antiga (comemoração do arrefecimento do inverno no hemisfério norte).

    No final das contas, a 'festa da carne' é a afirmação máxima do 'status quo', pois representa uma amostra da vida de 'pecado' a ser evitada durante o restante do ano.

    Quanto à problematização: o ponto não é comemorarmos os Carnaval. A questão é que prefeituras, governos estaduais e federal gastarão verdadeiras fortunas com a festa; isso durante um ano em que faltará verba para a educação, saúde, previdência e até para o salário de parte dos funcionários públicos.

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    1. Lá vem a abutre DeFu vomitar sua sapiência católica e agourar tudo. Senti falta de "protosocialismo" no seu texto.

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    2. 7:48,

      protoSSocialismo, você quis dizer.

      :)

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    3. Discípulo do DeFu não sabe nem quando usar o plural no artigo. Lê ali meu bem onde vc escreveu "os Carnaval".

      Volta pra escola, fofa. Mas tem que ser particular, pois escola do governo "faz doutrinação política" né?

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    4. Nossa!!!! Só faltou levantar toda cagada e gritar: JÁ ACABOU, JÉSSICA?

      Primeiro, desconhecia a nova regra do uso do hífen para o prefixo proto. Não satisfeita com a bola fora, tenta se agarrar em um erro de digitação (eu ia escreve "os dias de folia", troquei por "Carnaval" e não alterei o artigo. Simples assim, fia).

      Por fim, sua falta de argumentos, além de esquizofrênica, ignora completamente o bom uso da vírgula.

      Melhore!

      ;-)

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  3. Oi Tony,

    Acho ofensivo o uso dessa mascara. Seria como uma banalização do mau. Não sei, pra mim, é como se alguém usasse a mascara de Anders Behring (imaginemos que o rosto dele fosse muito reconhecido - acho que é, pelo menos para mim) ou do assassino de realengo. Não acho certo.

    Abs.,

    Felipe

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    1. Não achar certo é diferente de não achar ético. Acho de péssimo gosto mas não dá pra proibir.

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  4. Gente chata e aborrecida com raiva e inveja de quem vai dar muuuuuito na folia. Só falta dizer que na crise os casais tbm não devem trepar em casa.

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  5. Num país onde uma moça quer decidir quem pode ou não usar turbante, tão certos mesmo os judeus. Se negros tão dando chilique por turbante, judeu não tem que aturar Hitler mesmo não.

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  6. Tony, e a Mara Pérez na Argentina? Tapa na cara para quem diz que LGBT não se cria na direita. Não só se cria, como ocupa cargo no governo.

    #DireitaMeRepresenta

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    1. A direita LGBT só defende direito de bicha branca e rica. Quando o assunto é a forma como a homofobia pega mais pesado e diminui mais a empregabilidade e acesso à educação de homossexuais pobres do que dos ricos, a direita LGBT finge que não ouve. Ou fala da mão invisível do mercZzzzzZZZzz

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    2. Lamentamos muito, Srta. Excluída. Mas a esquerda taí pra acolher seu mimimi, fique à vontade pra problematizar e xingar muito no twitter.

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    3. Bem como imaginava. Bicha de direita so pensa no próprio. Não duvido nada que requisito para ser viado conservador é ser egoísta.

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    4. A militontas já surgiram para minimizar o feito de Macri. A pergunta é: onde está a trans do governo do PT? A do governo Macri é Mara Pérez. Uma linda mulher trans de 25 anos, conservadora e católica. Aceita de que dói menAs. HAHAHAHAHAHA

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    5. Sim, somos egoístas. E tamos aqui no bem bom. Sorry. Dependendo de nós, tem bolsa nenhuma pra vocês. Não nos compadecemos. Lide com isso.

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    6. Católica é meio demássssssssssss!
      Lide com isso: Liberté, Egalité, Fraternité

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  7. Nossa, que bobagem. Carnaval é apenas escapismo, do tipo bom e necessário. Ou então vamos fazer uma pesquisa lá na Praia Mole, por exemplo: COM LICENÇA, SENHORA, QUAL O MOTIVO DO SEU PROTESTO HOJE? :)

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  8. Até hoje tivemos 349.518.323.761 Osamas bin Laden nos carnavais e ninguém deu chilique.

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  9. Seu texto no F5 tem um errinho muito comum: "É especialmente ridícula a alegação de que o uso de turbantes seria vedado a qualquer pessoa sem descendência africana."
    É ascendência que as pessoas têm, não descendência.
    http://educacao.uol.com.br/dicas-portugues/ascendencia-e-descendencia.jhtm

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    1. Você está absolutamente certo. Vou pedir para corrigir, obrigado.

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  10. É por causa de textos como este e o anterior que eu pago a assinatura gold do blog.

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  11. O mio babbino caro
    Lembro-me da estranheza que senti, quando estive no Instituto Goethe em São Paulo e na Galeria de fotos dos notáveis não vi nenhuma do Führer Adolf Hitler.
    Quanto a problematização do Carnaval, acho a máscara de mau gosto.
    Fora do Eixo: Os blocos de carnaval, são as novas Paradas LGBTs.

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    1. Você esperava encontrar uma foto do tio Adolfo como funcionário do mês no centro de cultura oficial do governo alemão???? Mas no carnaval mesmo não tem lugar pra caricatura dele? Explica isso.

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    2. Quem falou que não tem lugar para a caricatura dele?

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