quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

A DESPROBLEMATIZAÇÃO DAS BICHAS

Palavras machucam? Palavras têm o poder que a gente der a elas. "Gay" era um termo pejorativo nos EUA até surgir um movimento organizado que se apoderou da palavra. OK, hoje "gay" continua sendo pejorativo por lá ("that's sooo gay"), mas quem se assume usa a palavra com garbo - e isso pelo mundo afora. Aqui no Brasil "gay" virou uma expressão politicamente correta, enquanto que "bicha" continua sendo pouco mais que um palavrão. Essa é uma das conquistas do documentário "Bichas", que está fazendo o maior sucesso desde que foi lançado sábado passado. A outra, é óbvio, é o bem que essas seis histórias vão fazer para quem ainda tem medo e se acha a única bicha do mundo. Os meninos são todos pernambucanos e da mesma faixa etária, mas suas experiências são bem universais. Até me dói perceber que eles ainda enfrentam muitas das mesmas barreiras que a minha geração, trinta anos atrás. Mas a coisa melhorou, haja vista os comentários avassaladoramente favoráveis. E como eu sempre dou um jeito de puxar a brasa para a minha sardinha, convido quem não viu a ver o vídeo "Eu Não Gosto dos Meninos", do qual eu participei em 2011. São as nossas vozes, as nossas caras e as palavras que tomamos como nossas que mudam o mundo.

31 comentários:

  1. Sendo egocêntrico, vc é signo de fogo? Ambiciona ser famoso?

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    1. Sou de ar com ascendente em terra (Libra / Virgem).

      Ambiciono dominar o mundo.

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    2. Qual será o signo do DeFu?

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    3. Áries com ascendente em touro

      Por isso 'soy' grosso, espaçoso e pretensioso. Também dou cabeçadas nazinimigatudo.

      :-)

      Ah, o vídeo é uma delícia.

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    4. Isso, continua usando astrologia pra justificar sua burrice, defu. Combina bastante com você e com seu fracasso, seu inculto =)

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    5. Eu nem me surpreendo com o DefU. Bicha que usa astrologia para explicar a própria personalidade e comportamento só pode ser bicha fútil.

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    6. Bichas tapadas do caralho q nao entendem ironias sutis: ateh qdo?

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    7. Gente que posta ofensa gratuita na internet: até quando?

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    8. Tony é muito libriano. No surprise.

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  2. O mio babbino caro
    Bem legal!

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  3. Bem interessante. Não sei se existe, mas queria algo do tipo para as gerações que viveram a epidemia da Aids e como foi lidar com tudo isso, com sexualidade e doença que a princípio ninguém sabia o que era e depois fora taxada de doença gay. Outro que gostaria e até participaria seria um da geração pós Aids e como era viver sua sexualidade em um ambiente em que não existia internet e que já tinha a doença gay só por ser homossexual. Acho que a geração nova, apesar de passar por muitas coisas que já passamos, não sabe o que é ver amigos morrendo para todo lado ou visitando gente em áreas isoladas do hospital onde sofriam preconceito até de quem cuidava, o que é ser expulso de casa, passar fome por conta da condição e diversas outras coisas. Quem sabe não aparece algo assim para mostrar. Ou se souber podia indicar ou até ser tema de um novo post seu.

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    1. "gerações que viveram a epidemia da Aids/se souber podia indicar": Veja só. O Ney Matogrosso taí, o cara esteve antes, durante e continua aí...Outra fonte histórica, queiram ou não, é a Casa de Apoio Brenda Lee.

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    2. A ideia era aproveitar esta nova onde de vídeos e tal, que é muito bacana. Agora, posso estar enganado, mas o Ney Matogrosso não faz muita questão de levantar bandeira. Ele deve ter muitas histórias para contar, pena que não o faz. Quanto a ONG, não conheço. Mas valeu a dica e vou procurar saber mais.

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    3. Varzo eu entendi o que disse, realmente foram anos dificeis....

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  4. Muito bom! É gratificante ver pessoas como nós de bem com a vida, vencendo os preconceitos, vivendo como querem. Os depoimentos são ótimos e corajosos, me identifiquei com todos em vários momentos. Impossível não ficar com um sorriso no rosto ao final do filme. Os envolvidos estão de parabéns!

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  5. Adorei! Fiquei apaixonado pelo barbudinho... Hehehehehe

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  6. Uma gracinha os meninos, muito bom mesmo eles já terem esta mentalidade desafiadora, de querer enfrentar o mundo e os preconceitos, apesar de serem tão novinhos.

    Fiquei chocado com aquele que comentou que teve de passar por uma terapia heteronormalizadora, para poder "corrigir" o andar, o falar, o escrever, etc. Depois os religiosos dizem que querem liberar a Cura Gay, ela já existe e está por aí, escondida debaixo de outros nomes, como por exemplo "Terapia Comportamental".

    Só fico um pouco preocupado pela segurança desses meninos, espero que nenhum deles seja vítima de algum tipo de violência mais grave.

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  7. Bacana. Espero ver a cara do gay brasileiro. Se aparecer aquelas gays da The Week ou as camaroteiras pedintes de convite esmola pra festa da vogue, dai acabou o documentário...

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  8. Ainda não vi todo o video só os 3 primeiros depoimentos , são todos do nordesti ??

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    1. Nem viu o vídeo e nem leu o post, né, migs? Pq tah lah escrito que sao todos pernambucanos...

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  9. A pergunta que fica é: as pessoas, mesmo os próprios gays, confiariam num profissional afeminaderrimo, pintoserrimo? Por exemplo, um cirurgião, um advogado, um porteiro, um policial, que acreditassem que quanto mais pinta, melhor?

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    1. Sem qualquer julgamento de valor, no meu caso e de onde trabalho. E estou falando de uma plataforma de Petroleo, lugar altamente machista, como vocês devem presumir, onde somos 3 gays, e o que tem a melhor posição, de chefia e da área de marinha é afeminadérrimo, se chama pela alcunha de Gaby, faz piada sempre que há condições, lidera um time de 10 homens (todos, ou oriundos da Marinha, ex trabalhadores de porto ou de origem pesqueira - imaginem o estilo) e é super respeitado. Temos 3 outros funcionários no mesmo cargo que ele, e ele é o mais respeitado, mais procurado para resolver coisas de trabalho, isso porque é competentissimo no que faz, a mesma medida que é bichissima. Somos todos assumidos, mais ou menos afeminados, mas todos brincamos com os 'boys', fazemos nossas piadas, e somos integralmente respeitados, porque, coincidentemente, somos os três bons profissionais. Acredito sim, que temos mais dificuldades, um preconceito a mais para provar que somos bons, mas isso estabelecido, deixa de ser um impedimento.

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    2. Funcionário público concursado? Porque se for, muda tudo. Vai ser pintosa na empresa privada pra ver o que o patrão pensa. Vai ser gaby no banco privado.

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    3. Ivan Dias:

      Gay sempre foi respeitado no trabalho, mas é aquele respeito assim: na frente respeita, brinca e trata bem, por trás faz piadinhas. Experimente pisar no calo deles pra ver os nomes que vão usar para te ofender.

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    4. Eu sou advogado e dos bons, e ouvi de um conhecido e gay que trabalha no RH de uma famosa marca, que eu nao me encaixa por ser pouco discreto quanto a minha sexualidade, quem dizer os proprios gays tem preconceito....

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    5. Não filhotes, ninguém concursado, todo mundo carteirinha assinada CLTista. Como eu disse, temos um desafio um pouco maior, mas não insuperável.

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    6. Anonimo 13:37:
      Mas isso é assim com qualquer coisa. Sempre falam mal por trás, é humano, se for negro justificam pela etnia, se for gay pela orientação, se for mulher pelo gênero, se for baiano pela "preguiça", paulista pelo "nariz empinado", carioca pela "malandragem", ou por que você é amigo de alguém com alguma característica que o desmereça... (PFVR, entendam as aspas como a justificativa do preconceituoso e não como opinião minha...)

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  10. E ainda tem as Bolsogaynazis que acham que gays não se desenvolvem em empresas pro incompetencia própria...imagina um VP de multinacional viado...só os heteronormativos e mesmo assim são anos de piadas pelas costas...

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  11. Interessante vídeo, vivemos com tanta modernidade tecnológica mas ainda na idade da pedra no que se diz a este documentário, recentemente um garoto foi atacado no estado de SP por uns marginais do colégio, um absurdo que isto aconteça ainda.

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