sábado, 30 de janeiro de 2016

O MENINO É O MUNDO


Depois que meus sobrinhos cresceram, quase não vejo mais cinema de animação. Nos últimos anos acho que foi só "Frozen" (em DVD), "Divertida Mente" e olhe lá. Por isto mesmo ignorei "O Menino e o Mundo", quando estreou em 2014. Foi preciso que o longa de Alê Abreu fosse indicado ao Oscar e voltasse ao cartaz para atiçar minha curiosidade. É mesmo um filme belíssimo: não há um único frame que não seja deslumbrante, ou que não atice a curiosidade para o que vem a seguir. As muitas técnicas utilizadas se misturam sem costuras aparentes, num fluxo incessante de imagens e sons. Mas não é um filme para crianças. Apesar da censura livre, é mesmo para adultos, e, de preferência, tendendo à esquerda. Porque há momentos bem tristes, denúncia social e um final bem cabeça. A gente basicamente descobre que o menino é o mundo. Não se iludam, não tem a menor chance no Oscar. Mas é um digno representante do Brasil, e um aperitivo do que Alê Abreu ainda fará.

8 comentários:

  1. Pode ser bom mas o trailer é pessimo

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  2. Não vi o filme, mas um entrevista que ele deu ao Em Pauta da Globonews ontem deixou bem claro que ele é de esquerda.

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    1. E ser de esquerda é um problema?

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  3. Esse é o típico caso em que a indicação vale mais que o prêmio.

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  4. "Claro que, além de suas inegáveis qualidades técnicas (o filme, inclusive, é muito bem editado), agrada em cheio aquele tipo de espectador engajado com as questões sociais do mundo globalizado, sobretudo a esquerda festiva.

    No roteiro, o menino sai de sua casa para procurar o pai, um bóia-fria, a partir de algum lugar no meio do nada. Em seu percurso, acaba entrando em contato com o processo de produção industrial do universo capitalista e suas agruras. Ele contempla desde a miséria dos bóias-frias na colheita do algodão, observa a dura rotina dos operários em uma fiação, segue o percurso da produção de tecidos até a cidade grande, indo parar em uma favela e acompanhando o triste cotidiano da classe proletária e seu embate com as autoridades.

    Em seu périplo, ele parte a bordo de cargueiros, ao lado da produção têxtil, rumo ao primeiro mundo, onde se depara com rolos de tecido que são transformados em produtos finais acabados, como camisas e calças de grife, acrescidos de alto valor agregado. Tudo com um glamour diferente daquilo que o menino havia visto até então, pronto para o consumo pelos bem-nascidos. Curioso que, nestas urbes que sintetizam o mundo super desenvolvido – estilizadas por futuristas megalópoles flutuantes encapsuladas por domos transparentes, onde os apelos da publicidade, das passarelas, dos editoriais de moda e vitrines ganham destaque – é possível o espectador perceber que existe a presença de uma águia com dupla função: além de representar a ave de rapina do consumo desenfreado – que intercepta tudo que está em seu alcance de voo sem remorso–, também pode perfeitamente aludir aos logotipos e  brasões das grifes que oferecem artigos de luxo industrializados, no caso, notoriamente uma menção ao signo iconográfico do poderosoEmpório Armani. Sacação valiosa dentro da linha de pensamento do diretor, que, obviamente, concebeu uma animação para adultos, nunca pra crianças."

    (Alexandre Schnabl)

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    1. Que interessante, gostei do seu resumo sobre esta animação. Dá vontade de assistir mesmo.

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  5. Gente, a xinabi posando de culta no passado distante.

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