segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

REBELDES SEM CALÇAS


Queira ter gostado mais de "As Sufragistas" do que de fato gostei. Afinal, trata-se de um raro filme sobre um movimento importantíssimo, porém hoje meio esquecido: a luta pelo voto feminino. Esse direito hoje nos parece mais do que óbvio, mas é surpreendente constatar que ele não existia há até relativamente pouco tempo. E a campanha por ele, nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, levou mais de meio século - uma eternidade quando comparada, por exemplo, à rapidez com que os gays conseguiram suas vitórias. As sufragistas chegaram a recorrer à violência, fazendo o que hoje seria tachado de terrorismo. O filme não hesita em tocar nesse ponto polêmico, o que as torna menos simpáticas. Esse retrato matizado é bom; ruim é a contrução da personagem principal. Carey Mulligan ótima como sempre, faz uma pobre lavadeira que adere à causa tardiamente. Bastam algumas passeatas para ela ir em cana e perder tudo: emprego, casa, marido, filho. É duro de acreditar que alguém suportasse tudo isso em troca de um ideal meio incerto. Talvez por isto Carey tenha sumido das bolsas de apostas para o Oscar: não adianta interpretar bem um papel que foi mal escrito. O movimento sufragista nasceu e foi conduzido pelas elites, e eu também senti falta de conhecer mais sobre a líder Emmeline Pankhurst, uma aristocrata incendiária vivida por Meryl Streep numa única sequência. De qualquer forma, "As Sufragistas" cumpre um papel didático, ao resgatar essas heroínas esquecidas. Nos créditos finais, que mostram o avanço através dos tempos do voto feminino pelo mundo, percebemos que essa briga ainda está longe de acabar.

8 comentários:

  1. Tunica, meu amor (gordinho, mas ainda lindo!) cade a retrospectiva? #viciadosemtonygoes#

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  2. Conheço muitas mulheres q perderam tudo apenas por querer ser independente. Hj se vc faz algumas pesquisas on-line sobre a guerra do Iraque ou o complexo industrial militar cuidado, vc corre o risco de perder taí. Taí a vigilância em massa e a cultura do controle total. Viva o movimento feminista os gays e o fim do patriarcado.

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  3. Tony,
    Fazendo das palavras do anônimo as minhas: cadê a retrospectiva?

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  4. Eu tenho meio trava com a Carey, não consigo gostar

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  5. Vou conferir. Adoro filmes sobre movimentos sociais importantes, ilustram bem que direitos são conquistados e não dados.

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  6. E pensar que o mundo já foi assim, e hoje com tanto avanço tecnológico ainda vemos tantas barbaridades e retrocessos no tocante à pessoa e ao ser humano.

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  7. Carey Mulligan saiu rapidinho de fora das listas de premiações pré-oscar. Antes cotadíssima e uma das favoritas Carey simplesmente desapareceu. Realmente fiquei surpreso com esse desvanecimento. Mas Tony, creio que o principal motivo disso não é um papel ruim e uma boa interpretação. Arrisco no tema do filme. Se fosse um filme idolatrando o masculino com um bom papel e uma má interpretação, desde que por um ator branco e com algum charme e carisma, estava tranquilo nas listas de premiações pré-oscar e já confirmado na lista da Academia. Quem sabe a Academia a indique ainda mais depois do rebuliço no ano passado da não-indicação da Ava Duvernay e da lista branca. Os acadêmicos esse ano podem querer limpar a barra. Aguardemos, pois.

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