terça-feira, 29 de dezembro de 2015

MEUS DISCOS DE 2015

Finalmente aconteceu. Depois de anos frequentando esparsamente o Spotify, em 2015 eu aderi di cum força a um serviço de streaming. Escravo de Jobs que sou, assinei o Apple Music no primeiríssimo dia, e me joguei. O resultado? Minhas compras de CDs físicos despencaram. Adquiri apenas seis quando fui à Europa em outubro, uma cifra impensável alguns anos atrás. Também comecei a ouvir coisas ainda mais esquisitas, agora que o acesso a elas ficou mais fácil. Mas minha lista dos melhores do ano não está muito diferente: meu gosto continua o mesmo, afinal. Muita eletrônica, muita world music e bem menos MPB do que eu gostaria.

1) IN COLOUR, Jamie xx
O disco solo de um dos membros do The xx amplia a sonoridade etérea da banda, incorporando ritmos mais dançáveis e oferecendo um cardápio colorido para valer. Um sucessaço de crítica, indicado ao Mercury Prize e ao Grammy. Soa como agora, aponta para o futuro. Baixe agora se você ainda não tem.

2) DÉJÀ VU, Giorgio Moroder
Já este aqui soa como ontem e aponta para o passado. Mas que passado: Moroder foi um dos maiores produtores das décadas de 1970 e 80. Inventou Donna Summer e foi um dos pioneiros do pop computadorizado. Ficou anos na moita, mas voltou em grande estilo e acompanhado por Sia, Kylie, Britney e muitos outros. O disco é tão bom que parece uma compilação de "greatest hits".

3) CARACAL, Disclosure
Os irmãos Lawrence cumprem a promessa da estreia e voltam com um trabalho ainda melhor. Tem fila de famosos querendo emprestar os vocais: Sam Smith, Lorde, The Weeknd... Não há um grande hit pegajoso, mas uma abundância de boas faixas. Muitas rápidas, outras lentas, todas legais. Prefira a versão deluxe.

4) CHALEUR HUMAINE, Christine and the Queens
Não é uma banda, é só o nome artístico da cantora e compositora Héloise Letissier. Se ela fosse americana, já estaria dominando o mundo. Como é francesa, é apenas a maior revelação da música francófona da última década.

5) FFS, FFS
Duas bandas de países e gerações diferentes se juntaram para criar um supergrupo. Uma delas é uma das minhas favoritas de toda a vida: Sparks, especialista em letras excêntricas e melodias intrincadas. A outra é o Franz Ferdinand, que só me interessou no comecinho da carreira. Mas aqui eles se fundem numa entidade única, cheia de energia e humor. Só faltou virem ao Brasil.

6) REBEL HEART, Madonna
Coitada da tia: seu melhor trabalho desde "Confessions on a Dancefloor" foi um relativo fracasso de vendas. Só nos shows que ela continua sendo a rainha. Mas "Rebel Heart" tem ótimas composições e arranjos variados. Pena que as letras continuem adolescentes e autocomplacentes. Tá na hora de crescer, Madonna.

7) TRENET, Benjamin Biolay
Um dos maiores cantores e compositores franceses do século 20 ganha tributo do maior cantor e compositor francês da atualidade. Meu noivo secreto faz seu primeiro disco como intérprete, acompanhado por jazzistas de responsa. Suave, profundo, lindo do começo ao fim. Charles Trenet (que era gay) iria se derreter.


8) INTERSTELLAIRES, Mylène Farmer
Demorei um pouco para me render ao novo disco da "Madonna francesa" (que, na verdade, nasceu no Canadá). Muita coisa nela me incomoda, dos penteados cafonas à parceria com o jurássico Sting. Mas as canções são boas, e me levam a um universo muito particular, rarefeito e envolvente. Pas mal de tout.

9) MUSIC COMPLETE, New Order
Com nova/velha formação (sai Peter Hook, volta Gillian Gilbert, fica Bernard Sumner), a remanescente do Joy Division mostrou que continua uma das melhores bandas dos últimos 30 anos. Não há mais inovações radicais como "Blue Monday": só um disco sólido, animado, cheio de convidados especiais.

10) DO TAMANHO CERTO PARA O MEU SORRISO, Fafá de Belém
Me dói que só haja um único disco brasileiro nesse meu Top 10. Pelo menos é uma beleza: a volta triunfal de Fafá, conduzida pelo DJ Zé Pedro. Do neo-brega paraense à ousadia de Johnny Hooker, cabe de um tudo no decote da diva.

E para chegar em vinte...
11) HOW BIG, HOW BLUE, HOW BEAUTIFUL, Florence + The Machine - O melhor disco até agora de uma artista que veio para ficar
12) JAAKO EINO KALEVI, Jaako Eino Kalevi - um finlandês inclassifcável
13) CHEMICALS, The Shoes - dois franceses que fazem colagens incríveis
14) OUR LOVE, Caribou -  a terceira identidade de um músico canadense
15) HAIRLESS TOYS, Róisin Murphy - Lady Gaga para adultos
16) ELECTRONICA 1: THE TIME MACHINE, Jean-Michel Jarre - o passado, o presente e o futuro da música sintetizada, repleta de convidados VIP
17) UNBREAKABLE, Janet Jackson - ela encarna o espírito do irmão
18) UPTOWN SPECIAL, Mark Ronson - o produtor de Amy Winehouse homenageia a black music dos EUA
19) HOMAGE, Jimmy Somerville - o ex-Bronski Beat ressuscita a discothèque
20) 25, Adele - boa música para vovós

E o pior? Essa é mole: o domínio absoluto que o sertanejo exerce sobre a música brasileira, que um dia já foi boa. Hoje o mercado se curva a este gênero sem diversidade, onde as letras são alienadas e os acordes paupérrimos. A trilha sonora de um país conformista e desinformado. A antítese da bossa nova e do tropicalismo.

21 comentários:

  1. Perfeito o que disse sobre o sertanejo
    Pelo menos o pop nacional com Anittas, Ludillas, etc, deu uma aliviada, não sei se para o bem ou para o mal
    Mas e a Elza Soares, hein? Não curtiu o último disco?

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    1. Curti menos do que eu achava que ia curtir. Mas Elza está quase acima do bem e do mal.

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  2. O mio babbino caro
    " o domínio absoluto que o sertanejo exerce sobre a música brasileira" chega a me deprimir.

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    1. Triste verdade, anônimo! Se vc mora em qualuqer cidade fora do litoral, é isso aí q ta tendo

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  3. Imagino como deve ser duro para a "elite cultural" não poder mais enfiar goela abaixo da população as chatices da bossa nova e as bobagens do tropicalismo. HAHAHA

    É claro que nada impede que se isolem em um clube seleto e fiquem ouvindo o que quiserem pelo resto da vida. Só não serão mais capazes de impor seus ideais estéticos por meio da já praticamente extinta hegemonia cultural.

    Avoa, estética da esquerda decadente!

    Eu SI divirto! :D

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    1. Esse retardado não percebeu que o sertanejo chegou ao poder JUSTAMENTE durante os governos de esquerda? É a trilha sonora do lulopetismo...

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    2. Não deixa o Chico Buarque ler isto aí, Tony! (risos)

      O Sertanejo é fortíssimo há décadas, mas antes o povo precisava engolir as imposições estéticas da Globo e de seus satélites misturadas no bolo. Para a felicidade geral, a internet virou o jogo.

      A trilha sonora do lulopetismo segue com Caetano, Gil e outras sonoridades mortas, porém insepultas. Sertanejo é a música da coxinhada, dos reacionários e de quem ainda sustenta este país. Aceita que dói menos. ;-)

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    3. Sim, sertanejo é fortíssimo pelo menos desde o final dos anos 80. Mas este ano dominou geral: das 25 músicas mais tocadas no Brasil em 2015, 25 eram sertanejas. E todas péssimas...

      Vai perguntar pro Lula o que ele gosta de ouvir.

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    4. Que anônimo babaca, querendo cagar rótulo. Sou coxinha com orgulho e odeio sertanejo mais do que odeio o Leandro Hassun.

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    5. Ui, quanto ódio nesse coração, 19:34!

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    6. os coxinhas se orgulham do sertanojo? kkkkkkkkkkkkkkkkkk

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    7. Sertanejo é lixo. Não dá pra discutir. Eu me isolei numa ilha onde essa gente não chega.
      O problema é a MPB não apresentar nada novo. São sempre os mesmos. E não tem nada entre o popular e o erudito. Desde cassia eller não aparece aquele artista de verdade que nos forçam a pensar o mundo é mudar as coisas.

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  4. Sertanejo e axé: letras onomatopéicas.

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    1. Mas o ritmo do axé é bom. Já o do sertanejo...

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    2. Axé é pra festa mesmo.
      Sertanejo é pra HT tomar umas champs no camarote top.

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  5. Bee, supera a mágoa com os sertanejos por causa do Zeca. Sertanejo é ruim mesmo, mas legislar em causa própria acaba com a credibilidade.

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    1. Como você mesmo disse, sertanejo é ruim mesmo. Mas para quê serve um blog se não for para legislar em causa própria?

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  6. Assim como me surpreendi com a notícia da morte e da existência do Cristiano whatever, esses dias descobri que existia alguém chamado Wesley Safadão cujo cachê só perde pro de Roberto Carlos.

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    1. Wesley não é sertanejo. É forronejo. Uma mistura q o povo do interior ama. Lota!

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  7. Tony, vc deveria fazer um
    Playlist no spotify com as melhores e compartilhar com a gente. :)

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  8. certeza que madonninha lê seu bloggy

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