sábado, 5 de dezembro de 2015

A IMENSA NOTÁVEL

Em 1996, tive meu primeiro emprego fixo numa emissora de TV. Fui contratado pelo SBT para ser roteirista do "Gente que Brilha", um programa baseado naquele clássico formato "Esta é a Sua Vida" - o mesmo que hoje virou o "Arquivo Confidencial" do Faustão. Tive sorte, porque a primeira homenageada foi alguém que me interessava muito: Marília Pera, então contratada da casa. Mergulhei na vida da estrela, escrevi o texto para o apresentador Blota Jr. e troquei duas palavras com ela no dia da gravação, mais assustado do que deslumbrado. Este foi meu único contato profissional com essa autêntica diva, que às vezes justificava sua fama de difícil. Mas ela podia: sabia tudo de teatro, de todos os gêneros, desde a barriga da mãe. Nascida num clã de atores, Marília reclamou algumas vezes de não ter tido opção. Ainda bem que não teve, não é mesmo? Eu consegui vê-la em cena umas quinze vezes ao longo de quase 40 anos, nos espetáculos mais variados. O que mais me marcou foi um bem simples: "Doce Deleite", uma série de esquetes que ela fazia com Marco Nanini no começo dos anos 80. Assisti umas quatro vezes e sei coisas de cor até hoje (e me recusei a ver a nova versão, que ela dirigiu há poucos anos com Gianechini e Camila Morgado). Também vi sua despedida do palco, há quase três anos, em "Alô, Dolly". Pouco depois começaram a circular os boatos de que ela estava muito mal. Sua ausência da segunda temporada de "Pé na Cova" confirmou os rumores, mas aí ela voltou e gravou as duas temporadas finais do seriado de uma só vez. Trabalhou até quando pôde, e ainda deixou dois filmes na lata, que devem estrear em 2016. Vou ver correndo, para matar a saudade da experiência única que era vê-la ao vivo. O tempo de comédia, a fragilidade misturada com fúria, a incrível versatilidade, ninguém chega perto do que foi essa mulher. Sua morte já era esperada, mas mesmo assim estou chocado. Que ano cheio de más notícias.

(Também fiz uma coluna para o F5, sob grande impacto emocional)

45 comentários:

  1. Ela foi uma pessoa que parece ter conseguido vencer, com simplicidade e humildade, a solidão que poderia ter sido estar acima, muito acima, de todos os outros na sua arte.
    E isso só fez dela alguém maior ainda.

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    1. Vc é idiota? Leia de novo o que escreveu

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    2. Esse cara é o típico intelectual de internet que aprendeu alguma coisa com o volume de informação disponível on line recentemente (antes disso quando a informação era exclusiva em livros e grupos fechados, ele nada sabia), claramente estudou pouco ou em universidades de segundo escalão, leu pouco e acha que já é intelectual. O discurso do pobre vencedor com chavões acima é irritante. Não e importo com o espaço democrático e quero um país de inclusão, mas estudem pra emitir opiniões.

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    3. Definitivamente o Tony não merece esses comentaristas tão ressentidos e magoados. Ok que o país atravessa esse momento dilacerante, porém aqui respiramos também outros ares mas nos deparamos com tantas almas mal acolhidas e travadas. Superemos.

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  2. Eu a vi na peça sobre a Coco Chanel, em Lisboa, e foi realmente uma maravilha, uma delícia, o público português aplaudiu muito.

    Mas o papel dela que eu mais gostei foi o de Juliana, na série "O Primo Basílio", sen-sa-ci-o-nal.

    Realmente ela era uma 'natural', esses talentos natos e fomos privilegiados em ser contemporâneos dela.

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    1. Parabéns, voce conseguiu inserir com çuçeço que já foi pra Europa em um post sobre a morte de uma grande atriz. Coerência mandou lembranças de feliz natal!

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    2. O AliKerouak MORA na Europa...

      Curioso como nada desperta mais inveja do que viagens internacionais. Nem mansões, nem carrões, nem sexo.

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    3. A vida na Europa tá tão difícil gente. Vcs não te ideia. Tudo muito caro e muito competitivo pra se desenvolver.
      Não sei como tem gente que fica com inveja de viagens internacionais com a quantidade de gente que viajou nos últimos anos.
      Por um lado, quem viaja passa via facebook uma ideia de que está aproveitando dos melhores restaurantes e hotéis quando na verdade estão em hotéis ruins ou no sofá da casa do amigo e fazendo lanches ao invés de jantar.
      Por outro lado, quem fica é ingênuo demais e cai na asneira de se iludir com o que está sendo contado pela pessoa que está fora.
      Minha casa era um rodízio de amigos e parente e tinha lista de espera e agenda. No face só aparecia as fotos charmosas, garrafas de vinho compradas baratíssimas no mercado...Via pessoas comendo produtos ruins e achavam bons por serem 'de fora". O Brasil cafona de sempre.

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    4. 90% das apresentações de artistas brasileiros feitas no exterior são para imigrantes brasileiros. Nesse caso, como foi Lisboa, pode ser que tenha sido visto por alguns portugueses por conta do sucesso da Globo por lá e a lingua ser a mesma.

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    5. pois é..neguinho as vezes mora na europa com sub emprego e vive uma vida humilde e os bobos aqui no brasil tendo inveja...

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    6. Vida de merda aqui ou lá, prefiro a de lá, pelo menos não tem essa gente pavorosa petista daqui, deus me livre, essas pessoas são que nem infestação.

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    7. Tony, são vários equívocos aqui nos comentários, e eles são muito frequentes:

      - Achar que todo brasileiro que mora fora vive mal, tem subemprego;
      - Achar que conhecer algum país da Europa ou ter morado fora é o máximo, portanto quem comenta algo sobre lá está querendo "se gabar";
      - Achar que nossos artistas não são conhecidos ou valorizados em Portugal.

      Bobo é quem acha que ir ao teatro em Lisboa - justo lá! - é algo do outro mundo, por favor, me poupe.

      A Marília era sim bem conhecida em Portugal pela geração mais velha, a notícia do falecimento dela saiu em todos os jornais portugueses e acabei de ver essa notícia no telediário da SIC.

      E ela seria reconhecida em qualquer país pelo seu talento excepcional, se não fosse a barreira linguística.

      Falar que uma peça sofisticada sobre Coco Chanel seria vista apenas por imigrantes brasileiros subempregados não é em si uma contradição?

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    8. Ela se apresentou ate em Paris e vc elogiada por ninguem menos que karl lagerfed!

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  3. Uma grande perda para dramaturgia Brasileira em todos os sentidos, não esqueço do sua personagem em Brega e Chique e Juliana em Primo Basílio, e a feirante em Lua Cheia de Amor e tantos outros papéis. Siga em paz Marília você cumpriu sua missão brilhantemente.

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  4. Havia lido sua coluna mais cedo no F5. Realmente, um ano cheio de péssimas notícias.

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  5. Agora temos a Grazi Massafera elogiadíssima por vc...

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    1. A matéria do Tony sobre a vida e obra de Grazi Massafera foi de chorar de tristeza. O que a mídia e jornalista de entretenimento entendem como sendo bom hoje é consternador.

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    2. Nossa, estou tão preocupado com a opinião de vocês sobre a minha opinião sobre a Grazi. Garçom!

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    3. Ta dificil te defender Tony...grazi é de doer.

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    4. Preocupado não está, mas como qualquer pessoa , odeia ser criticado, tanto que se defendeu.

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    5. Esse é um dos piores tipos de anônimo: aquele que não só quer discordar do blogueiro, como desacreditá-lo e provocar uma reação. Mas hoje eu tô de boa. Você não gosta da Grazi, eu acho que ela melhorou muito e a vida segue. Bom domingo para todos.

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    6. E vc voltou a comer Aligot? Aquela super novidade que vc anunciou aqui como descoberta dos deuses e que vc tinha descoberto na sua "última viagem a França" ? Aquele mesmo Aligot que foi receita apresentada no Masterchef e servido a séculos nos restaurantes de SP. Grazi, Aligot, impacto emocional com artista...tem um "q" fortíssimo de antiga classe média que se achava alta e elitizada por ser branca e pseudointelectual (pq colunista de R7 e jornalista não são intelectuais mais e a importância dos mesmos se reduz a zero) e hoje se mostra decadente e não consegue esconder mais a cafonice...

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    7. Pegam no pé da Grazi por ela ser ex-BBB e ex-miss. As pessoas odeiam quem sobe rápido, odeiam mais ainda se subir pegando um atalho, aí a perseguição é cruel. Achei Grazi boa atriz desde seu papel numa novela das seis de época em que ela fez uma mocinha espevitada, filha do Lima Duarte. Para o segundo papel como atriz ela foi muito bem e mostrou que tinha grande potencial. Foi protagonista logo no terceiro papel e isso não é para qualquer uma, depois acho que ela teve mais duas protagonistas. Se a maior emissora do país, que entende de novela mais do quem ninguém apostou nela é porque viu ali um diamante que poderia brilhar se fosse bem lapidado. E em Verdades Secretas ela brilhou como poucas. Em 2015 não teve outra atriz com melhor desempenho na TV e olha que tivemos Gloria Pires, Adriana Esteves, Regina Duarte, Cassia Kiss, Giovana Antonelli, Marieta Severo e Drica Moraes na tela, atrizes mais do que consagradas, mas Grazi brilhou mais que todas elas, pelo menos em 2015. Negar isso é passar recibo de preconceituoso.

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    8. Ao anônimo das 13:40: hahaha, o aligot vai me perseguir até o resto de meus dias! O tom daquele post era de espanto, porque eu realmente passei muito tempo sem conhecer aquele prato. Nunca tive a pretensão de saber tudo, e que bom que ainda existem coisas capazes de me deslumbrar.

      Ah, e uma correção: eu sou colunista do F5, não do R7. E hoje eu sai na capa da Folha e você não saiu, tralalalá.

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  6. A morte da Marília Pera me faz lembrar como artistas brasileiros que surgiram nos últimos 30 anos são quase irrelevantes para a sociedade.
    O esvaziamento da papel do artista deu lugar ao entretenimento via internet, com conteúdo e função muito mais importantes hoje do que qualquer coisa que tenha aparecido durante esse período de escuridão total nas artes até o advento das redes sociais.
    Em tempos de internet, o artista mais importante para a sociedade é a própria sociedade em si.

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  7. O papel dela que mais me impactou foi Maria Monforte na minissérie Os Maias. Há uma liberdade poética na adaptação, pois no livro de Eça de Queiroz, a personagem jamais saberá sobre a tragédia envolvendo os filhos. E nunca, nunca mesmo, vou esquecer da cena dela com Walmor Chagas, numa espécie de acerto de contas, um duelo de titãs, conheço os diálogos de cor. Grandes atores são fodas!

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  8. Difícil definir um só personagem... Mas destaco dois que foram marcantes na TV: Rafaela Alvaray, de Brega e Chique e a Milu Montini de Cobras e Lagartos, com menção honrosa pra Juliana de O Primo Basílio. No teatro eu vi uma montagem de Apareceu a Margarida, em apresentação única. Mas eu queria ter visto Elas por Ela e Mademoiselle Chanel...

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  9. Ela e Fernanda Motenegro sao as duas maiores atrizes do brasil!!!! Triste...

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  10. É lindíssima até o fim da vida

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  11. Nessas horas aparecem incontáveis "amigos" e "colegas" sob impacto emocional.
    É muito chic parecer ser alguém próximo do artista falecido.
    Jura que vc está sob "impacto emocional", Tony?
    A Marília era pessoa de "poucos amigos". A cafonice da classe média impressiona.

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    1. Eu falei "impacto emocional" porque escrevi a coluna assim que soube da notícia. Saiu um texto subjetivo, sem objetividade jornalística.

      Longe de mim querer afetar intimidade com gente que não conheço. Mas a morte da Marília mexeu mesmo comigo. Eu a adorava desde 1971, quando a vi na novela "O Cafona".

      Deve ser bem triste não ser capaz de se emocionar com a morte de um artista.

      Fora que não tem nada mais "classe média" (nesse sentido pejorativo que você usou) que chamar os outros de "classe média".

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    2. Obrigado por dividir conosco sua nobre sabedoria, alteza.

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    3. Imagina. É um prazer, querido súdito.

      Por falar nisso, já pagou a enfiteuse desse mês?

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    4. Tony, o comentário foi para a nobre alteza anônima que nos brindou com sua definição sobre a cafonice da classe média. Bj

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    5. Ah, mas eu tenho mania de grandeza. Ninguém pode falar termos como "alteza" ou "majestade" perto de mim que eu já vou esperando que a pessoa beije meus pés.

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    6. Eu entendo. É tanto hater, que você fica afiado rsrs

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  12. Adoro o blog ainda que nem sempre concorde com o Tony, mas como, nos últimos tempos, tem aparecido "anônimos" que vem despejar seu recalque e ressentimento aqui...É um tal de "isso é classe média, isso é cafona" que chega a ser risível, mas a internet está aí pra isso, servir de catarse aos derrotados. Quanto a Marília, maravilhosa até o fim.

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  13. Tony, o que é que esses perfis anônimos fazem por aqui ? Bando de ridículo. Vem aqui e vomitam seus ódios e idiotices. Tudo no anonimato. Como um bom pilantra. Além dos conservadores, ainda rondam por aqui os defensores do PT. Gente, por favor, vaza daqui. Se não gostam desse blog, por quê o visitam ? Francamente, um bando de gente mal amada. Fiquei passado com um anônimo lá em cima que falou coisas patéticas sobre a classe média. Tony, será que seria esse anônimo Marilena Chauí ?

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    1. Polícia Ideológica7 de dezembro de 2015 14:04

      Olha o preconceito contra conservadores que coisa horrível! Contra os anonimos tudo bem, que sejam criticados, eles merecem. Mas seu preconceito contra algumas pessoas só porque elas têm um pensamento diferente do seu é simplesmente deplorável!

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    2. Kkkkkkkkkk
      O tal joao paulo reclamando dos anônimos, daí vc clica no suposto perfil dele e... Não tem nada kkkkkkkkkkkkkkk

      A do roooooooooooooooo

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  14. Ela estava deslumbrante em Primo Basílio.

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  15. Tony você assistiu o musical Elas por Ela? Gostei muito, ela retratando a Era do Rádio. Em Primo Basílio ela brilhou, como sempre. E Incidente em Antares também.Concordo com você, 2015 tá difícil. Aproveitando, você tem notícia do Eduardo Noriega? Rsrsrs...

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    1. Sim, vi "Elas por Ela" em 1987 ou 88, e mais uns 15 espetáculos com Marília, desde 1976.

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  16. Tony, a pergunta do Noriega é só para mexer ok?

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