sexta-feira, 20 de novembro de 2015

WOMEN'S DEATH

Tá todo mundo falando do fim da "Playboy" brasileira, mas pouca gente deu atenção às duas outras revistas que vão terminar junto com ela: as versões nacionais da "Men's Health" e da "Women's Health". O fechamento desta última me atinge diretamente, porque é lá que eu ainda escrevo a primeira coluna que tive o prazer de assinar, "Pergunte ao Amigo Gay". Comecei há exatos seis anos, em novembro de 2009, substituindo um rapaz que estava tendo problemas no trabalho por se expor tanto. Tomei coragem, fiz um teste e topei aparecer não só com meu nome mas também em fotos de corpo inteiro e horrivelmente maquiado. Foi um dos trabalhos mais divertidos que eu já tive, e fui parado algumas vezes na rua por leitoras-fãs. Mas fazia tempo que eu esperava pelo encerramento da revista. Em 2013, meu espaço caiu pela metade, e meu cachê (que já era irrisório) também. Por isto, o fim da coluna não vai ser nenhum baque nas minhas finanças. Mas nem tive tempo de me despedir: a derradeira, a de dezembro, já foi escrita e enviada. Melhor assim? De qualquer forma, é uma pena ver a editora Abril liquidando aos poucos seus títulos mais emblemáticos. O trio que agora é extinto nem vendia tão mal (a WH estava na casa dos 37 mil exemplares por mês), mas se tornou inviável por causa dos royalties que têm que ser enviados para suas matrizes. Também influíram a internet, óbvio, e uma administração antiquada, que não soube se adaptar aos novos tempos. Mas erra quem acha que é "o povo" dando o troco aos Civita. A "Veja", joia da coroa P.I.G. e bicho-papão dos metralhas, continua firme, cheia de anúncios e assinantes.

9 comentários:

  1. acredito que mais uns 10 anos e a abril fecha as portas. infelizmente.

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  2. Se até a versão em papel do NYT tem data prevista para terminar em 2017. Imagine que um pouco depois o mesmo acontece com jornais e revistas brasileiras.

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  3. Tony, vc como interessado direto talvez tenha uma visão mais ampla do fenômeno, mas acho que a internet veio mesmo acabar com a velha forma de se fazer jornalismo.
    Grande parte da população só tinha acesso a notícias e reportagens através do Jornal Nacional, e hoje todos somos inundados com tantas informações no Google, Facebook, e etc... que nem dá tempo de ler tudo e hoje é bem comum as pessoas se sentirem informadas só por lerem as manchetes do Uol...
    Sequer entram pra ler a notícia completa, mas já repassam a informação via WhatsApp...
    isso não é ruim, já que antigamente essas pessoas não tinham informação nenhuma e hoje pelo menos sabem as headlines.
    Mas, a velha imprensa ainda não aprendeu como fazer dinheiro nos novos tempos...
    É grande a discussão sobre o pagamento de "royalties" pelo facebook e Google, que ganham bilhões sendo uma plataforma pra leitura de conteúdo que foi produzido por outros que nada ganham com essa reprodução.
    Mas isso ainda tá longe de ser resolvido.
    Enfim....
    Antes, sabíamos mais sobre menos. Hoje, sabemos menos sobre mais...

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    1. Não sei se é melhor isso das pessoas hoje em dia "se sentirem informadas só de lerem as headlines do Uol, porque antigamente elas nao tinham nada"... Primeiro que informação sempre esteve acessivel pra que tinha interesse. Segundo que hoje temos uma geração de analfabetos funcionais experts instantaneos em sociologia/política/comportamento que engessam e pormovem suas opiniões baseados unicamente nas manchetes de veículo A ou B que fica martelando a notícia que ele quer da forma parcial que ele quer.
      Antes, pelo menos, as pessoas tinha a humildade de assumir ainda não ter opinião formada e irem atrás

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    2. É a lógica da "quantidade X qualidade" da informação que se compartilha hoje em dia.

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  4. Duran falou que a playboy fechou pq as atrizes preferem ganhar cachê da Caras sem precisar.mostrar a chavaska.
    Deve haver explicação pras pessoas nao quererem mais ler revista de fitness.
    O sucesso das Pugliesi da vida?

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  5. Nunca tive o hábito de ler jornais, mas adoro ler revistas impressas, nada de ipad, sabe como e um velho de 33 anos...
    Ok, a Playboy poderia ficar sem aqueles ensaios fotográficos belíssimos como os da Isabel Fillardis, Adriane Galisteu, Marisa Orth... mas poderia ter investido em grandes reportagens, ótimas entrevistas... Poderia continuar sendo uma publicação relevante para o publico masculino, melhor do que muita GQ ou Lofficiel Hommes com seus compre, compre, compre!

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  6. não é o fim do conglomerado Abril, mas é o fim de publicação em papel, so isso, eles ainda tem grande influencia e a Abril não produz prejuízos

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  7. 1 - Não gosto da Veja.

    2 - Entretanto, se não fosse a Veja, estaríamos em um grau de ignorância a respeito dos desmandos petistas que nos colocaria em uma situação ainda mais delicada que esta em que estamos mergulhados.

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