quarta-feira, 4 de novembro de 2015

OCORREU UM ERRO

Até cumprir a lei pode ser um pesadelo neste país. Perdi um tempão na semana passada tentando cadastrar minha empregada no eSocial, e mais algumas horas nesta semana tentando emitir a guia do DAE. O formulário era kafkiano: exigia dados que todo mundo traz no bolso, como os números dos recibos da entrega do imposto de renda dos últimos dois anos. E mesmo quem tivesse tudo na mão levava uma cara para completar o processo. Porque o sistema dava erro... e outro erro... e mais erro. Depois, outra epopeia, onde fui instado a lembrar de um código de acesso com apenas 12 algarismos, ou informar um ticket de erro com módicos 24 caracteres. Mas eu faço parte da casta dos patrões,  não é mesmo? Sou obrigatoriamente do mal, como provou po A + B o filme "Que Horas Ela Volta?". Portanto, tenho mais é que me foder. E me foderei: o total dos encargos devidos chega a mais de um terço do salário da minha empregada. Só não a mando embora porque, aos 45 anos e sem muita educação, ela vai ter bastante dificuldade para se recolocar na atual conjuntura. Mas aposto que muita gente vai preferir ter uma diarista duas vezes por semana. Parabéns ao governo, que vai gerar mais desemprego graças a essa taxação complicada e escorchante. Como disse o Elio Gaspari em sua coluna de hoje, essa trapalhada toda deriva da inépcia, da megalomania e do autoritarismo da presidente, para quem o Estado pode tudo e o cidadão contribuinte deve tudo. Sim, ocorreu um erro: elegê-la.

24 comentários:

  1. Esta ai o erro, ela deve ser demitida, ela e todas as empregadas domesticas.
    O governo toma uma medida descabida, o povo passivamente aceita, o governo tem ai a chancela para tomar outra, e mais outra e outra.
    Se para cada aburdo do PT o povo exercesse seu papel nisso que deveria ser uma DEMOCRACIA, nao existira PTs, PSDBs, Ps... nos fazendo de idiotas.

    ResponderExcluir
  2. O PT apostava que, com o boom dos empregos nos anos 2000-2010, muitas empregadas domésticas estavam largando essa profissão "indigna" e indo pra outras carreiras "melhores", e por isso podiam aumentar a carga tributária dos patrões pois emprego não faltaria pra ninguém.
    Mas, como o mundo dá voltas, e rapidamente, hoje não tem mais emprego pra ninguém que sonhava em ascender da "famigerada" classe das domésticas, e o aumento dos encargos aos patrões vai mesmo jogar boa parte das empregadas para a classe das desempregadas.
    Descerão da nova(já velha) classe C pra a "novíssima classe C": a que tinha conseguido acesso a muita coisa e agora perdeu tudo o que tinha.
    O Brasil era o país do futuro. Mas esse "futuro" prometido chegou e passou... E nem esse título a gente ostenta mais. Somos o país que já não deu certo.
    E pra que fique claro: não há nada de indigno em ser empregada doméstica. É claro que a classe sofre com baixos salários(como várias outras nesse país pobre em que vivemos). Claro que elas sofrem assédio moral(como várias outras classes, nesse país mal educado em que vivemos)... Mas, esses problemas não se resolvem com um decreto presidencial, como pensa o PT e a nossa Presidenta.
    Empregado doméstico é um trabalho como outro qualquer, deve ser valorizado e não demonizado.
    Indigno é ser jogado ao desemprego, como faz o Partido dos Trabalhadores com os trabalhadores brasileiros.

    ResponderExcluir
  3. Acho que vim cedo demais aqui, estou ansioso para ler os comentários defendendo Dilma e atacando azelite.

    ResponderExcluir
  4. Perfeito. O grande erro foi esta velha guerrilheira ter sido eleita.

    ResponderExcluir
  5. Em tempo, no caso de uma demissão por justa causa, como reavemos o percentual dito "percentual perda de emprego"? Mais um trocado para esse governo corrupto.

    ResponderExcluir
  6. Se o Brasil não adotar um estado mínimo estaremos à mercê dessa gente administrando o país, com esse populismo barato mascarando o qual autoritário é o plano maior. Como esperar eficiência de alguém que foi parar no maior cargo executivo do país pra não criar disputa interna no partido. Segundo o Lula, o PT é muito mais importante que o destino do Brasil.
    Só pra ilustrar o modus operandi do governo e como essa medida não me surpreende em nada: essa corja escolheu como Ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação um sujeito que cria uma lei proibindo inovação (Aldo Rebelo), que foi substituído por um dono de self service. Vocês acham que o que deveria ser um simples cadastramento funcionaria de forma rápida e precisa, risos. Essa burocratização estúpida de tudo é a maior síntese do que é esse governo.

    Uma salva de palmas para os 13 confirma!

    ResponderExcluir
  7. Agora os petistas vão te trucidar nos comentários, porque pra eles todo patrão é do mal, opressor e cruel!

    ResponderExcluir
  8. Como quase todas as outras estatais brasileiras, o SERPRO também foi esquartejado, roubado, pilhado e saqueado pelo Partido (ver link abaixo) e está em situação praticamente falimentar. A tentativa de inscrição de estudantes para as bolsas do FIES produziu resultado tão desastroso quanto esses da inscrição no eSocial. As inscrições para o ENEM não foram diferentes.

    Imagino o que deve acontecer no próximo ano quando um número muitíssimo maior de usuários tentar acessar o sistema na época das entregas de declaração de imposto de renda.

    A propósito, não é o SERPRO também o responsável pela computação dos votos nas eleições pelas urnas eletrônicas? Hum....

    http://goo.gl/2yMWk2

    ResponderExcluir
  9. Ué, o dinheiro que você gasta com uma empregada pode ser empregado para outros fins, gerando demanda por produtos e serviços e, consequentemente, empregos.

    Não ter empregada foi uma coisa ótima aqui em casa. Já sei qual marca de detergente é boa; já aprendi várias coisas de cozinha. É assim no mundo todo e já estamos vendo uma reação do mercado com produtos mais práticos.

    Mas concordo que o site podia funcionar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Mundo todo que vc enxerga do seu umbigo, porque o que não falta é empregada doméstica em muitos países. Vamos começar por um bem rico e que só.emprega imigrantes em condições humilhantes: Singapura.

      Excluir
    2. Essa é a sua solução, demitir alguém com pouca instrução durante uma crise econômica. Gênio.

      Isso porque é socialista e se preocupa com a desigualdade social.

      Excluir
    3. Não sou socialista. Sou social democrata.

      Em tempo: Limpol é péssimo! Jesus.

      Excluir
    4. Ai, jura, bee? Entao, escravidao era uma boa pq havia casa e comida p gente com pouca instrucao? Q discurso mais condenscendente p quem nao quer lavar as proprias cuecas.

      Excluir
    5. Tá no crack? Não entendi nada kkkkk

      Excluir
    6. Nao era p vc, bem. Era p anonimo. ;)

      Excluir
  10. "Só não a mando embora porque, aos 45 anos e sem muita educação, ela vai ter bastante dificuldade para se recolocar na atual conjuntura." Não conheço sua história de vida Tony, sou leitor antigo do blog apenas, mas esse comentário exemplifica o quão importante é essa medida. Está sendo feita de uma forma errada? Está, mas tudo no Brasil é feito de forma errada, até nossa independência foi comprada e torta. Entretanto temos que lembrar que sua empregada presta um serviço, como você presta um serviço a seu empregador, e como você ela também deve ter os mesmos direitos e garantias trabalhistas. Qualquer patrão luta pela flexibilização de direitos trabalhistas, todo mundo quer mais dinheiro e acha (o que é correto) que se paga muito imposto sem retorno, isso não é ser vilão. O perigo é achar que uma relação de trabalho é uma relação pessoal, um favor, não é. Isso pode acontecer na sua casa, não duvido, mas não se pode querer cercear direitos de toda uma classe de trabalhadores baseados na sua relação. Muita gente está desempregada, atuando no mercado informal de trabalho, e uma grande parcela pobre e sem estudos por culpa da alta tributação trabalhista. Mas qual o motivo das domésticas não terem os mesmos direitos? Justamente por acharem que empregadas "são parte da família". Não são, elas/eles não herdam, não podem dispor da casa como sua, não possuem direitos/deveres derivados de parentesco, apenas prestam serviços. Existe uma grande intimidade (afinal de contas é sua casa) mas é um serviço como outro qualquer, e como tal merece estar sujeito as mesmas regras que todos os outros. (obs.: não sou petista, votei no Eduardo Jorge para presidente e no segundo turno anulei meu voto.)

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. não me entenda mal: acho justíssimo os empregados domésticos terem todos os mesmos direitos que os demais trabalhadores.

      Acontee que no Brasil o custo de empregar alguém é absurdo. A carga tributária ao empregador é das mais altas do mundo. Se eu já não tivesse empregada, hoje não contrataria uma de jeito nenhum.

      Claro que eu sei que na maioria do mundo civilizado quase não existem empregados domésticos, e quando existem são caríssimos. É a realidade. Mas este nem é o maior problema deste episódio: é a absoluta incompetência do governo em fornecer uma simples guia de recolhimento de impostos, e a arrogância em insistir que o prazo não será mudado. "Fodam-se todos, nós é que somos bons".

      Excluir
    2. Exato. Trata-se de igualdade. A partir do momento q tds sao iguais, n existe subcategoria de emprego nem gente.
      P.s. nao sei se foi a intencao, mas otimo mea culpa, tony.

      Excluir
  11. Como tudo aqui, a lógica é invertida. As pessoas nos.países ricos não precisam ser empregadas domésticas pois outros conseguem outros empregos. Lindo. Aqui estão dando um jeito de acabar com esse tipo de emprego, mas não porque as pessoas arrumaram outros, mas porque resolveram demonizar e politizar a função, e essa massa de ttabalho não tem pra onde ir, ainda mais numa economia falida como agora.
    Chegaria a ser engraçado se não fosse triste.

    ResponderExcluir
  12. O mio babbino caro
    ...Uma coisa são os direitos trabalhistas de uma categoria, a outra é a burocracia e o "custo Brasil".

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O mio bambbino chato
      Vai tirar umas férias, vai...

      Excluir
    2. Meu medo é o "Cunha" achar que encontrou sua base eleitoral justamente aqui rs

      Excluir
    3. Trabalhar em RH é tão estressante.

      Excluir
  13. Estou atrasado no meu comentário (tive que deixar um tempo passar para escrever). Você não me conhece, mas já acompanho seu blog a um bom tempo. Nunca havia feito um comentário. Sempre gostei da sua postura, mas, nesta postagem, a sua última frase (sobre estar fazendo caridade ao dar emprego para a sua empregada) foi muito decepcionante... Troque na sua fala: (I) você e sua empregada por seu empregador e você, respectivamente. Qual seria sua reação se um dos seus empregadores, que vira e mexe extermina de seu quadro de funcionários os colunistas/jornalistas mais velhos (e mais caros), usar a mesma frase ou ideias nela contida? Algo do tipo: o Tony já está velho e vai ter bastante dificuldade para se recolocar na atual conjuntura econômica. Como sou uma pessoa benevolente, faço a caridade de pagar o salário e o altíssimos custos financeiros e operacionais (devido a pagamento de impostos e direitos trabalhistas) que ele me custa. No entanto, se o governo não colaborar, mando ele para rua em menos de dois segundos! Respondo, você ficaria ofendido e bravo com muita razão, pois eles não fazem caridade. Eles pagam (provavelmente menos do que você acha que deveriam lhe pagar) por um serviço/trabalho que você faz para eles. Te contrataram pois com os seus serviços você gera algum benefício (financeiro ou operacional) para eles. Da mesma forma, a sua empregada trabalha para lhe gerar um benefício operacional. Em troca, recebe seu salário e tem direito de receber seus benefícios (sejam eles complicados ou fáceis de se pagar). Caridade seria se você desse dinheiro para ela sem ela trabalhar para você e, além disso, depois fosse lá na casa dela fazer uma faxina sem cobrar nada por isso.

    ResponderExcluir