segunda-feira, 23 de novembro de 2015

EU SOU O QUE VOCÊ NÃO FOI ONTEM

Um comercial de vodka dos anos 80 inspirou a expressão "efeito Orloff": aquela regra não-escrita que estabelece que tudo que se passa na Argentina acontece no Brasil um pouco depois. Claro que já houve inúmeras exceções, e o resultado das eleições de ontem por lá pode não significar nada para o nosso próximo pleito presidencial, daqui a três anos. Mas tenho a sensação de que por pouco a regra não foi invertida no ano passado. Depois de uma campanha tumultuada, a situação ganhou raspando no Brasil: a diferença entre Dilma e Aécio foi de apenas 3% no segundo turno. Na Argentina ocorreu o oposto: Macri, da oposição, venceu com 3% de votos a mais que Scioli, da situação. Na verdade, acho que a tendência de "desbolivarização" da América do Sul já começou faz tempo. Mas a onda ainda não estava forte o suficiente para mudar o governo brasileiro, o que acabou agravando a crise que já vivíamos. A Argentina estava no ponto. A economia de lá vai pior que a nossa, mas a sensação não é de fim de mundo como aqui. A personalidade de Cristina Kirchner pesou muito em sua derrota: grande parte do povo estava simplesmente farto de seu estilo de apresentadora de telebarraco. A bem da verdade, a viúva K. já entrou derrotada na campanha eleitoral, pois não conseguiu impor seu candidato. Scioli, de outra ala do peronismo, é parecidíssimo com Macri: ambos vêm do mesmo meio social, a elite portenha, e eram amigos pessoais, de jogar bola juntos, até bem pouco tempo. Também têm ideias parecidas sobre o que fazer com o país. Agora que Macri venceu, estou aflito para ver o que ele fará com o casamento gay (antes era contra, depois se disse a favor) e com os presos ligados à ditadura (já garantiu que não vai soltar ninguém, mas nunca se sabe). De qualquer forma, o kirchnerismo sai de cena, e talvez não volte tão cedo. Daqui a alguns dias rola a eleição legislativa na Venezuela: aí teremos uma noção mais clara da tendência política para o nosso continente.

16 comentários:

  1. O trecho "a situação econômica lá vai pior que a nossa, mas a sensação não é de fim de mundo como aqui" ilustra bem as diferenças entre eles e nosso povo rebanho e mídia apocalítica-parcial

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  2. Tony, sabe se essas frases são verdadeiras? A fonte, no site da Telesur, me deixa com um pé atrás, mas não duvido que sejam reais: http://www.telesurtv.net/news/Las-7-frases-mas-polemicas-de-Mauricio-Macri-20151122-0064.html

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    1. É possível denegrir qualquer político com frases soltas que ele soltou ao longo da vida. Fora de contexto, qualquer coisa vira arma.

      Verdade que Macri já foi contra o casamento gay, mas hoje se diz a favor. E quanto a achar que mulher não deve exercer nenhuma função fora de casa, como diz o site da Telesur (a "CNN do chavismo"), é bom lembrar que avice-presidente da chapa de Macri não só é mulher como paraplégica.

      Também tenho pé atrás com Macri. Mas devemos ter esse pé atrás com QUALQUER político. NENHUM merece inteira confiança.

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  3. Verdade seja dita que o PT é uma esquerda soft/pink. Passa muito longe do bolivarianismo dos vizinhos. Talvez seja essa a receita de 16 anos no poder X 12 dos vizinhos.


    Agora, da eleição na Venezuela eu não espero nada. Tudo cotada já. Nossos ministros até criaram o climão de recusar serem observadores.

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  4. Que grande equívoco essa afirmacao de que "a situacao la é pior que a nossa, mas a sensacao nao é o fim do mundo como aqui".

    Tony vou te contar que a Argentina tem uma inflacao de mais de 26% ano, as instituicoes nao tem credibilidade nenhuma, nao existe apoio do governo aos micro e megaempresarios, com uma taxa de desemprego correndo disparada, multinacionais fechando as portas pra nunca mais voltar e uma insatisfacao generalizada da populacao. Existem varios "dichos" aqui em Buenos Aires que brincam com essa situacao inclusive.

    Que o brasil ta uma merde todo mundo sabe agora que é pior que a Argentina? Voce deve viver em uma bolha pra dizer uma coisa assim, nao é possivel!

    E olha que eu nao to defendendo a dilma mas é que atualmente eu moro no brasil e na argentina entao eu sei bem qual dos dois é "pior".

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    1. Mas foi exatamente isto o que eu disse: a situação econômica da Argentina É PIOR do que a nossa.

      Só que, segundo relatos (eu não vou lá há quase 5 anos), não existe o clima de crise generalizada que campeia por aqui. Tanto que Macri ganhou por poucoL sinal de que há muit agente satisfeita com o governo.

      Os argentinos talvez achem que o momento atual, por grave que seja, ainda é melhor do que o desastre que eles viveram em 2001, quando caiu o governo De La Rua. Depois daquilo eles tiveram dois anos trágicos, com quebradeiras e desemprego nas alturas. A situação só começou a melhorar em 2003, quando foi eleito - ta-rá - Néstor Kirchner para a presidência.

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  5. É o início do fim da esquerda na América Latina. Que vá com com o diabo e fique bem longe. (risos)

    Só atento para o fato de que o Brasil está em um caminho que o levará a um precipício muito mais profundo que o argentino. Qualquer um que busque informação sobre o estado de degradação progressiva das contas públicas, ou acompanhe de perto a indústria, o comércio e a construção civil, sabe que o trem segue desgovernado e em alta velocidade na direção de uma ponte destruída pelo "jeito de governar" petista.

    (Sim, fui tomado tomado pelas metáforas escatológicas neste comentário.)

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    1. Mas todo mundo sabe quem tu és.

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    2. Disse tudo e assino em baixo! E acrescento: Vai ser difícil ficar livre deste câncer petista no Brasil!

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  6. Esse Macri até q dá um caldo...

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  7. Viva os imperialistas foda-se o povo brasileiro

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  8. Tony, sinceramente, não creio que o governo de Macri vá querer lutar contra o casamento entre pessoas do mesmo e retroceder com a questão dos presos ligados a ditadura militar. A sociedade argentina em questões comportamentais, como o casamento igualitário, e ligadas a ditadura militar possui posições bem diferentes da nossa. Mesmo ressabiado , confesso, torci pro Macri. Esses governos populistas de esquerda, irresponsáveis, com viés autoritário, já chegaram ao cúmulo. Sou estudante de Ciências Sociais e meus colegas, nossa, só faltam me bater por posições contrárias a esses governos bolivarianos. Mas esse espírito guerrilheiro de meus colegas não me abala de modo algum. Apesar de posições irresponsáveis tomadas pelo PSDB, e do partido abrigar alguns quadros homofóbicos, torço pra que daqui a a três anos o partido vença a eleição presidencial. Só os tucanos possuem quadros qualificados para fazer as reformas mais do que urgentes que o nosso país precisa. O que aconteceu na Argentina e provavelmente acontecerá na Venezuela respingará aqui. Creio Nisso. Agora me preocupa a Venezuela. O ditador Maduro disse que se a oposição ganhar a eleição ele não respeitará os resultados das urnas. Aí, só quero ver como os outros governos bolivarianos e amigos mais do que íntimos do governo venezuelano da nossa região irão se posicionar sobre isso. Aqui, certamente, a incompetenta presidenta Dilma Rousseff e os petistas irão silenciar sobre essa gravíssima questão que deve acontecer na Venezuela. Enfim, aguardemos os próximos capítulos do desenrolar político na nossa América do Sul. O que de fato sabemos é que os bolivarianos estão em perigo.

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  9. Macri foi una peça importante na conquista do casamento igualitário na Argentina em 2010, quando o primeiro casal Gay ganhou na justiça portenha o direito de se casar, Macei tinha o poder de recorrer contra a decisão judicial, e não o fez, sai em entrevistas apoiando a causa, contrariando a vontade é opinião de uma ala importante do PRO, seu partido. Ala está ligada à Gabriela Michetti sua então vice prefeita e atual vice presidenta, amiga pessoal do então cardeal Bergoglio que se mostrou então decepcionado com a decisão de macri de não recorrer.

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  10. Seria bom se a direita liberal da América do sul fosse liberal também nos costumes e mais inventiva no pensamento econômico, infelizmente ainda é um remendo de mentalidade colonial com cartilha do FMI...espero que não se repita os anos 90.

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  11. Pois é, o Silvio Santos foi eleito presidente por lá! Adora animar um auditório e fazer uma dancinha no final. O pior é a cobertura dos meios de comunicalçao da Banania noticiando o fato como se o sujeito fosse o novo presidente da América Latina. LIXO!

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