sexta-feira, 30 de outubro de 2015

ATÉ PORQUE EU NÃO TAVA COM FRIO

Por que eu não consigo encontrar música brasileira moderna que me faça enlouquecer? Lá se vão mais de dois desde que descobri o Silva... Será porque eu estou irremediavelmente colonizado? Ou porque a nossa música realmente anda muito ruim, dominada que está pelos sertanejos e similares? Aliás, em tempos de cobrança de diversidade, é curioso ninguém reclamar que o universo sertanejo é quase todo branco, masculino e heterossexual. Foi para fugir desse escaninho que eu ando investigando uma outra vertente da cena nacional: negra, urbana, multigênero. E tem coisas interessantes, como o Liniker. Os dois vídeos desse cantor de Araraquara estão atraindo bastante atenção, antes mesmo dele lançar um álbum completo. Eu gostei muito da atitude, mas acho que o vocal não é tão bacana assim. Work that voice, bitch: andróginos têm que ser rouxinóis.

Quem de andrógino não tem nada é Seu Jorge, que lançou o volume 2 de suas "Músicas para Churrasco" quase quatro anos depois do primeiro (e foi em março, eu sei, mas eu estava ocupado, porra). O novo disco, com faixas cantando a beleza das mulheres e a vida boa, é divertido e despretensioso. Talvez seja um pouco despretensioso demais: Seu Jorge parece ter desistido de experimentar coisas novas, e está preso a uma fórmula de sucesso garantido.

A veteraníssima Elza Soares cai no oposto. Aos 78 anos de idade e 55 de carreira, ela não se aquieta. "A Mulher do Fim do Mundo" só traz sambas inéditos, alguns com detalhes eletrônicos nos arranjos. A voz de Elza mostra a idade que tem: às vezes soa cansada, mas é sempre dramática. Talvez seja um pouco drameatica demais: o disco demanda atenção, e não serve como música de fundo. Mas é uma obra de arte, o que já o diferencia dos demais.

25 comentários:

  1. (Nesta semana, meu blogueiro predileto foi obsidiado pelo ‘Dark Side of the Force’).

    Gosto de Elza Soares por sua voz única e arrebatadora. A versão de ‘Paciência’ (Lenine) interpretada pela cantora carioca é um deleite indescritível. Em compensação, não ouço sertanejo, pois, para os meus ouvidos, seus intérpretes cantam mal. Definitivamente, não vem ao caso se são brancos, pretos, ou azuis; homens, mulheres, travas, ou saguis.

    Preconceito por preconceito, um eventual ataque aos herdeiros da música caipira - imenso fenômeno popular do interior de Minas, São Paulo, Mato Grosso (o original e o do Sul), Goiás e Paraná – também pode ser lido como intolerância das brabas.

    Se bem que tem sido assim há décadas. Lembro-me de uma tese da USP (1980’s) que qualificou os cantores rurais de então como representantes do "sertanojo". O discurso totalitário da esquerda rançosa não titubeia em atacar quem não se alinha a seus fetichismos estéticos.

    A razão de tudo isso, sabemos bem qual é: a música sertaneja e suas variantes contemporâneas são as queridinhas de boa parte dos bem nascidos de nossa elite mais tradicional, tanto nas capitais quanto no interior. Para atacar a “elite branca”, não dosam a mão em desqualificar uma das nossas manifestações artísticas mais populares e autênticas.

    Honestamente? Prefiro um filho de banqueiro que se aproxima genuinamente da estética do povo, aos defensores de ladrões dos cofres públicos que escolhem seus ídolos em função da cor da pele, ou do discurso alinhado. Ademais, outro dia vi uma foto dos membros da redação da ‘Carta Capital’ - um dos centros de difusão dessa deformação do pensamento - e constatei algo muito curioso: não havia nenhum preto ali. Sequer um pardo. Pois é, em casa de ferreiro o espeto é branco e de classe média.

    * * *

    Ver gente inteligente que ainda cai nessa esparrela, esse discurso de uma esquerda agonizante, é de doer. Lembro ainda daqueles “formadores de opinião", artistas e intelectuais ainda vivos e ativos em suas áreas de atuação, que visitavam Moscou nas famigeradas viagens financiadas do final da década de 1980. Quase todos voltavam cantando as glórias do comunismo. Hoje, a maioria prefere calar a respeito, mas a história é prodiga em demonstrar quem estava com a razão.

    Propagar uma ideologia racista, ainda que a chave esteja trocada, não tem nada de bacana. É querer fazer coro com os pseudodescolados que só estão interessados no quanto pior melhor. Uma turma que adora posar de moderna, mas não abre mão de seus privilégios.

    * * *

    Abandona esse barco, Tony! Faça a fina e finja que não é com você. Seu talento não merece estar a serviço desse horror.

    Voltei! \o/

    :*

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    1. @the idiota: a sra. eh o que podemos definir como uma lata de lixo andante!

      Vai e NAO vorta!

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    2. Alguém aqui já viu um negro na Polícia Federal?

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    3. Engraçado que só o mono era chamado de proselitista.

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    4. Se dependesse de tipo como o The F* não seria assinada a Lei Áurea, ele é bom. E se Hétero fosse, seria Homofóbico. Porém o passaporte dele é daquela cor.

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    5. Anônimo 12:46,

      O que você acha quando um mentecapto usa a alcunha "gayzista"? Então, a sua crítica - e de todos que o precederam - pertence precisamente a esse universo, my dear. O nível é tão rasteiro que tenho até preguiça de responder.

      Entretanto, vou aproveitar a provocação para registrar algo que julgo importante.

      A ausência de uma música brasileira atual de qualidade é um fenômeno que se estende a todos os campos. Não temos mais literatura, arte, arquitetura, teatro, ou qualquer expressão criativa que valha. Nem novela, sabemos mais fazer. Nosso povo perdeu parte significativa de sua capacidade inventiva.

      Quer saber uma das razões desse estado de coisas? Todo mundo virou candidato à vítima no Brasil. Seja por ser preto, índio, pardo, gay, mulher, travesti, nordestino, caipira, brasileiro, pobre, gordo, lésbica, velho, adolescente, ou o que mais queiram definir como "minoria oprimida”, todos querem que o outro atenda às próprias demandas. O novo bacana é ser mísero e desventurado. E ai de quem vencer por seus próprios méritos!

      O problema é que não sobra quase ninguém que levante a cabeça e faça por si. Daí o país entra na maior recessão desde a década de 1940, e todo mundo fica com cara de abobalhado, sem saber o que fazer. Sobra pouca "alma" para tanta "dívida histórica", capiche? Só resta uma geração inteira que sonha em viver de benefícios, cotas, vantagens e privilégios bancados pelo trabalho alheio. Um horror!

      O resultado é decadência e prostração. Um eterno 7 X1! Afinal de contas, vítima não é capaz de criar nada. Vítima não produz riqueza (material ou intelectual). Toda vítima só sabe vampirizar. Paulatinamente seguimos nos reduzindo a este já profetizado "teatro de vampiros". Quase ninguém mais inventa, produz, ou luta pela autossuperação. Culpar o outro - a elite branca, o homem, o heterossexual e o que mais inventarem - tem se tornando o esporte nacional. As regras oficiais são dadas pelas cartilhas do MEC.

      Porém, poucos se dão conta que incorporar o papel do pobre coitado e incapaz de construir a própria história é a melhor maneira de se manter eternamente dependente e subordinado a políticos pilantras, coletivos degenerados, movimento sociais criminosos, fanatismos de toda sorte, Estados totalitários e tiranos de ocasião.

      Não temos mais candidatos a heróis entre nós, só há doentes. Apenas sobraram ideais anêmicos defendidos por coitadinhos ressentidos. Todavia, uma pátria de fracos não é sequer uma nação. É só um punhado de desvalidos e chorões.

      * * *

      “Mesmo nos tempos da mais grave doença, nunca me tornei doentio”, escreveu Nietzsche. Acrescento que a pior das doenças está na alma de quem olha no espelho e não enxerga a si mesmo.

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  2. O mio babbino caro
    Que tal Aláfia.
    https://www.youtube.com/watch?v=gW84PntmEuk

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  3. O meu, você não é sério.
    Procura um Terapeuta.
    "Uma turma que adora posar de moderna, mas não abre mão de seus privilégios." e por que haveria de abrir mão, deixa isso com Chico de Assis.

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    1. Deveria abrir mão porque o discurso é todo voltado ao coletivo, pare de usar carro, pedale, ganhe menos, divida o lucro, e por aí vai. Querem vender e convencer que o mundo dos outros tem que ser assim, todo mundo igualzinho dividindo a miseriazinha. E eles com os melhores cargos e salários entrando pelas janelas das empresas públicas.

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    2. Anônimo 21:04

      Bingo!

      (mas não abrem mão... ah, não abrem!)

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    3. Tragam as camisas de força!

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  4. "Antes mesmo dele lançar" está errado, o certo é "antes mesmo de ele".

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  5. Já ouviu Rico Dalasam, o rapper gay?

    Seu Jorgezzzzzzzz

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  6. Aii a sra sempre querendo estar na crista da onda! RapZZZZZ please ne!

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  7. Impressionante como o The Fool adotou o discurso da "Ditatura Gay".

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    1. Não, petit João!

      Trata-se da "Idiotia do Vitimismo".
      De uma próxima, leia apenas o que está escrito.

      :*

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    2. Falar em vitimismo é negar a desigualdade de gênero, orientação sexual, etc. Simples assim, querido.

      Você pode criticar os movimentos sociais sem apelar para a negação do fato.

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    3. Do seu jeito, João, ficaremos num eterno lenga-lenga entre mencheviques e bolcheviques numa grande arena vermelha.

      O problema real está nessa ideologia que tenta politizar todas as esferas da vida, legitima a hostilidade como instrumento de "reação" e se pretende uma verdade hegemônica; não em como ela é implementada.

      A propósito, qual desigualdade de orientação sexual? Aquela em que os dados demonstram que gays são mais ricos e possuem melhor nível educacional? ( http://goo.gl/bnrDl1 / http://goo.gl/bbbUpf )*

      Ou a desigualdade de gênero produzida por uma longa lista de privilégios... das mulheres!? ( http://goo.gl/YxRqOg / https://goo.gl/8Gvr0J )*

      Obviamente, há violência, abuso e inúmeros outros horrores. O problema é que - em nosso protossocialismo ratificado pelo conceito de "direitos humanos" do MEC - o papel do "oprimido" e do "opressor" é um dado a priori no debate público.

      Do jeito que você fala, parece aquele povo que, para justificar os horrores do comunismo, insiste na tese do "deturparam Marx" (fase da negação MODE ON).

      * são links de sites gays e publicações feitas por mulheres (cis e trans).

      :-)

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    4. Não tem nada de socialista no meu discurso, gato.

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    5. Essa pesquisa sobre os gays não revela nada. Fato é que a empregabilidade de um gay (principalmente se mais afeminado) é mais difícil do que a de um heterossexual. Fico chocado com a sua negação da homofobia. Já sei. Nunca sofreu...

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    6. Petit João,

      Como assim "essa pesquisa sobre os gays não revela nada"? Você é um moço inteligente e sabe que estudos realizados por um IBGE e uma UNESCO são, sim, fundamentos racionais para a compreensão da realidade.

      Não adianta tomar uma impressão como dado empírico apenas para confirmar a ideologia de que gays são essencialmente vítimas. O jornalista de um dos links faz o mesmo e usa como argumento o post de um site ativista. Típico da militância que só aceita dados que confirmem seus preconceitos.

      Um ótimo final domingo! ;-)

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    7. Toda retórica que você usar, não muda o fato Brasil. " todos querem que o outro atenda às próprias demandas" e você supõe que o outro é você. Não é.
      Para larga escala da população (um tipo) como você é totalmente dispensável. Creia, dispensamos sua pomposa e desesperada lógica e atenção. Quem merece sua atenção, não são: " preto, índio, pardo, gay, mulher, travesti, nordestino, caipira, brasileiro, pobre, gordo, lésbica, velho, adolescente, ou o que mais queiram definir como "minoria oprimida".

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    8. Anônimo, dispensável é o seu cérebro.

      The Fool: você é até educado nas suas exposições, mas desisto. O fundamentalismo na sua ideologia, que impede uma mínima ponderação, é incompatível com a minha visão de mundo. Cheers

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