segunda-feira, 7 de setembro de 2015

A GAROTA COM ALGO MAIS

Semana passada foi divulgado o primeiro trailer de "A Garota Dinamarquesa", que está competindo no festival de Veneza e já é um dos mais cotados para o próximo Oscar. Eddie Redmayne periga dar uma de Tom Hanks e levar dois troféus consecutivos. Também eclodiu uma polêmica que vinha se formando há algum tempo: personagens trans devem ser feitos apenas por atores trans? Eu acho que não, absolutamente não. Até entendo as razões de quem defende o contrário: atores trans têm pouquíssimas oportunidades (mas também é verdade que uns 99% de TODOS os atores têm pouquíssimas oportunidades). Também se alega o fato de que um trans interpretando um trans traria mais autenticidade para a obra, porque muitos dos dramas seriam comuns. Só que aí é que está: ser ator não é só interpretar a própria história. É, principalmente, encarnar a história dos outros. Ser muitos, ser alguém que não se é. Por isto, a rigor, eu acho que um ator deve poder interpretar qualquer papel. De outra idade, outra nacionalidade, outra raça e até outro sexo. Isso vale para todos. E taí o exemplo da Nany People, uma das melhores atrizes, period, com quem eu já trabalhei: ela está fazendo uma mulher cis na peça "Caros Ouvintes", que voltou ao cartaz em SP. Alguém vai reclamar?

22 comentários:

  1. Você tá certíssimo, Tony.
    Mas acho que essa discussão nem tem tanto sentido.
    É só uma forma errada de se chamar atenção pra uma causa justíssima, que é a das pessoas trans.

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  2. Diretamente do "mimimi": E como fica o gênero na premiação? Oscar de Ator ou Atriz quando for realmente um trans? Hein? Hein?? Hein???

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    1. Em 1984, Linda Hunt - que é hétero, cis e ocidental - não só foi indicada como ganhou o Oscar de atriz coadjuvante pelo papel de um policial indonésio no filme "O Ano em que Vivemos em Perigo", de Peter Weir. Não houve polêmica nenhuma: só aplausos. Ela está fabulosa no filme, e foi um choque descobrir que aquele homem havia sido interpretado por uma mulher.

      Em 1993, Jaye Davidson - que nunca se definiu como gay, hétero, cis ou trans - foi indicado como ator coadjuvante por seu papel em "The Crying Game", dando um MAJOR SPOILER para quem ainda não tinha visto o filme (o personagem é trans: o protagonista acha que é uma mulher, até ela tirar a roupa).

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    2. Eu levei um susto no cinema, com o Jaye Davidson.

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    3. Melhor ator, porque o ator é homem cis.

      Não tem nada de mimimi. É dignidade das pessoas. Tenha compaixão e coloque-se no lugar do outro.

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    4. Joao, é melhor atriz, se fosse uma trans escolhida pra fazer esse papel. Acho que você se referiu no caso do Eddie Redmayne ser indicado ou ganhar o Oscar, aí o correto é melhor ator.

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    5. Isso. Melhor atriz se a atriz no mundo real for mulher trans. Confundi. Tava no metrô.

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    6. Louvado seja JGR.

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  3. Felicity Huffman também está ótima em Transamérica, onde a Desperate Housewife interpreta uma mulher trans que foi pai de um delinquente.

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  4. O tipo de polêmica besta.

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  5. É impressionante como tem gay que chama de "mimimi" a exigência de uma nomenclatura adequada para os/as transexuais. Nessas horas visualizo homens gays mais velhos que se acostumaram a ser chamados de baitolas, boiolas, viados e a se alienar do mundo onde vivem. Só pode ser isso. Eu tenho dignidade e não aceito isso. Assim como não acho legal fazer o mesmo com outras pessoas...sejam transexuais, negros, mulheres, judeus, etc.

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    1. Justamente o "mimimi" entre aspas.

      Desnecessária a polêmica. Como o Tony explicou, os atores foram indicados dentro de seus gêneros, independente do papel.

      E como o Bruno disse lá em cima: forma errada de chamar atenção para uma causa justa.

      Agora, sem mimimi, por favor.

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    2. Agora sobrou para os gays mais velhos, como se fossem os únicos a serem chamados de bicha, viado etc. As novinhas também são e, ao contrário do sentimento da pessoa acima, muitas vezes adoram ou não ligam.
      Queria saber o que esse João faz ou faria se alguém se refere a ele como viado, só de curiosidade, mas não hipoteticamente, e sim fato real.

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    3. Não acho que a culpa seja dos gays mais velhos. Mas que tem gay que foi colocado numa prateleira da opressão e lá ficou, reproduzindo o preconceito, tem sim.

      Já me chamaram de viado. Já respondi e já fiquei calado. Depende do contexto. Às vezes é melhor ignorar mesmo; outras vezes não.

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  6. Eu sou muito ignorante. O que é "cis"?

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    1. É o contrário de "trans".

      As duas palavras vêm do latim. "Cis" quer dizer "aquém", do lado de cá, e "trans" quer dizer "além", do lado de lá.

      Lembra da província Cisplatina, o atual Uruguai? Ela tinha esse nome porque, do ponto de vista brasileiro, ficava "do lado de cá" do Rio de Prata (e, por esta lógica, Buenos Aires seria uma cidade "transplatina").

      Transexual é alguém que "troca" (atenção para as aspas) de sexo. Mais precisamente, alguém que transiciona de um sexo para o outro. E que, mesmo antes dessa transição, se sente desconfortável com o órgão genital e/ou com o gênero com que nasceu.

      CIsexual ou cisgênero é alguém que não pretende transicionar entre os sexos ou gêneros. Alguém que está contente com o sexo e/ou gênero com que nasceu. A imensa maioria das pessoas é cis (assim mesmo, só para encurtar).

      Atenção: os termos cis e trans não têm nada a ver com orientação sexual. A pessoa pode ser cis e hétero, ou cis e gay, ou trans e hétero, ou trans e gay.

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    2. Na química também tem trans e cis. Por isso existe "gordura trans".

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    3. Trans - além
      Cis - "do lado de cá"
      Cisjordânia x Transjordânia
      Ou seja, de cada lado do Rio Jordão.

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    4. Conduza essa alma pelos vales das trevas.

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  7. Assim como a nossa tia-avó Suzana Vieira, Nany People é uma ótima atriz... Quando faz o papel dela mesma!!! Adoraria vê-la fazendo uma personagem sem vaidades, fragilizada, discreta, contida, reservada, submissa, quase sem fala e, principalmente, sem leque escandaloso e nm "vraaaaaaaaa" na cara da sociedade... Aí eu quero ver, seu blogueiro!!!

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  8. Estou muito ansioso para assistir a esse filme, que conta a história real de Lilly Elbe, a primeira mulher trans operada de que se tem registro. Eu adorei o trailer e já vi milhares de vezes...

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