sábado, 29 de agosto de 2015

A QUEDA DA BABILÔNIA

Dois anos atrás, Marta Kauffman, uma das criadoras de "Friends", esteve no Brasil dando curso e palestra. E em todos os lugares ela repetiu a mesma coisa: o formato novela está com os dias contados, vocês não vão demorar a fazer apenas séries. Eu ri com os meus botões: quem é essa gringa que nem conhece a nossa cultura para vir dizer como será a nossa TV? Eu nem gosto tanto de novela, mas a profecia dela me pareceu radical demais. Hoje não acho tanto. O final patético de "Babilônia" me reforçou a impressão de que novela já era mesmo. Mesmo com a trama tendo sido encurtada em quase dois meses, o último capítulo parece ter sido escrtio às pressas, como se os autores quisessem se livrar logo do abacaxi. Houve furos gigantescos, como o fato de Beatriz (Glóira Pires) confessar um assassinato na frente de muitas testemunhas, e logo em seguida Inês (Adriana Esteves) ser condenada pelo mesmo crime. Também teve situações forçadíssimas, como as duas indo parar na mesma cela e depois fugirem da cadeia sem ninguém ver, nem mesmo uma câmera de segurança. A cena final da dupla, chupada de "Thelma & Louise", não teve um pingo de emoção e pareceu dirigida com o pé. Antes disso, a revelação do assassino de Murilo foi jogada fora, sem o menor impacto. Foi-se o tempo em que o Brasil parava por causa de um "quem matou?". Terminar novela com esse recurso é sinal de preguiça e/ou desinformação. "Babilônia" foi muito mal de audiência para os padrões do horário, e "A Regra do Jogo", que estreia segunda, pode reverter essa situação. Também foi um ponto fora da curva do momento atual da Globo: todas as outras tramas estão indo bem, até a reprise de "Caminho das Índias". Mas sei não, desconfio que nunca mais teremos outra "Avenida Brasil". Os hábitos mudaram e a rotina criada pela telenovela está mesmo em queda livre.

39 comentários:

  1. Respeite o Anonimo Pelo Menos Ele Vem Comentar29 de agosto de 2015 17:21

    Novela ruim, já não acredito em Gilberto Braga desde o fim de Celebridade ultima novela razoável que escreveu para o horário.

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    1. Miga brigada pelo apoio. Mesmo que so no nick. Alias no nick é mais apoio pq é sempre <3

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    2. Infelizmente Gilberto Braga está datado. Acontece, ninguém é eterno.

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  2. Desde 1980 (ou antes, não sei) falam que o gênero telenovela está próximo do fim. E entra ano e sai ano, novelas de sucesso ou não, surgem na televisão.
    Não acho que por causa desse fracasso de Babilônia, podemos falar que o gênero está próximo do fim. A novela das sete é um sucesso.
    O mundo é assim: cheio de fracassos e sucessos. Faz parte.

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  3. Aleluia. Quando vão acabar com o Faustão?

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  4. Essas séries também váo saturar.

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    1. Correto. Tem séries que são só fórmula, sem qualquer emoção ou impacto. Bobagens essas profecias. Mudarão hábitos, circunstâncias e audiências, mas essa forma de dramaturgia, goste você ou não, muito bem produzida no Brasil, ainda tem vida longa.
      E essa novela era ruim mesmo!!! Grandes atores em um texto e trama péssimos, aquela novela Sete Vidas foi muito mais emocionante com seu tom de crônica familiar do que essa novela boba e panfletária.

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    2. Panfletaria onde?

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    3. Agora as novelas têm fotografia de série, mas parece que nem isso o povo cafona gosta...

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    4. Babilônia foi tão irritantemente panfletária que é mais fácil ter criado uma horda de homofóbicos do que ter contribuído em qualquer nível pelo respeito às diferenças.

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  5. As novelas fazem muito sucesso em outros paises, américa do sul etc...grécia, ukrania, são um produto de exportação. Acho q globo está apegada a autores velhos, desgastados, viciados nas mesmas formulas literárias...precisa contratar gente nova, criativa, o brasil é um cu mesmo.

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  6. Está tudo muito democratizado com a internet. É como se a cortina do palco tivesse caido e um cenário muito sujo apareceu. As pessoas não olham para a Globo e artistas com a mesma admiração de antes. Assim como qualquer pessoa que dependa de popularidade.

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  7. Novela é pra gente com cérebro raso e que precisa de emoções previsíveis, repetitivas e que endossem a vidinha sem sal que levam. E esses autores apostam em tramas com os mesmos personagens sempre, alguns até os mesmos atores. E a claque intelectualmente limitada vibra, se encanta e acha que está recebendo arte.

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  8. Talvez a idéia original fosse boa, mas aí começaram a mudar toda a trama por conta da revolta da "família tradicional brasileira"... Espero que a Globo tenha aprendido a lição e pare de se curvar às pressões dessa cambada de retrógrados, caso contrário é melhor investir logo num remake de "A Moreninha".

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    1. Queria o quê? Dois homens fazendo sexo anal numa novela da 9?

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    2. Anonimo vc cagou pela boca!

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    3. Ou uma mulher arreganhada sendo lambida por outra? Never.

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    4. Esses que comentaram abaixo sao evangelicos? Qual o problema de sexo gay na novela? Nao tem sexo hetero?

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    5. Quero sim sexo gay na novela das nove! Voce nao quer? Que se dane! Vá ver a TV Aparecida ou se isole numa caverna!

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    6. Não foi só isso. A novela já era ruim mesmo. A trama central não convenceu ninguém. Nem as modernas.

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    7. Em vez de ficar sentado na frente da tv esperando VER, por que não se levanta e vai FAZER?

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    8. Teve insinuação de boquete hetero no último capítulo.

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    1. Não entendo como alguem pode amar um ator da globo. É o cúmulo da estupidez.

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    2. Negócio é amar ator de série americana... Tipo a Lea Michele...

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    3. Ou amar cantora pop.

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  10. Tony,
    Gosto muito do conteúdo que a Marta Kauffman produz, mas, assim como amo Tintin e, por tabela, Hergé, isso não me impede de não aceitar tudo o que foi/é dito por eles. Eu acho que ela foi etapista, quase pregando um evolucionismo cultural.
    Não é porque séries agradam americanos que todos vão necessáriamente seguir cegamente essa tendência. Talvez, por não ter nenhuma formação em mídias e meios, eu pense assim. Porém, dentro de ferramentas de ciências sociais, é difícil acreditar que dentro do formato da televisão, as novelas vão deixar de ser o carro chefe da programação em países da América do Sul e do Maghreb. Pegando o caso do Brasil, a maior parte da nossa população ainda não se pode oferecer opções "fora de casa" todos os dias. O circuito teatro / cinema / retaurante sympa / galerias / compras, em muitos dias da semana, está disponível para uma minoria. A maioria continua esperando um dia da semana, muitas vezes um dia do mês só, para se oferecer lazer fora de casa. É a televisão ainda sua maior companheira. É ela quem consegue juntar todo mundo na sala ao oferecer diariamente uma trama, a novela. As conexões de internet estão longe de serem excelentes para se baixar um monte de série e fazer sua própria programação diária, semanal. Livros, bom, são caros. Um livro está saíndo, em média, em 5% do salário mínimo.
    Nestes casos, nas classes C, agora super endividada, D, E... a iternet disponível no celular acompanha a experiência de assistir televisão e não é um concorrente completo. Cultos evangélicos, de terça a domingo, pelo menos na cidade em que moro, representam a verdadeira concorrência à novela, se levarmos em conta, é claro, que cultos evangélicos são produtos culturais.
    No mais, as novelas estão se adaptando. Há quase uma fidelidade com o expectador, oferecendo capítulos não muito relevantes as segundas, sextas e nos sábados a quase irrelevantes as quartas. Deixando todo mundo um pouco mais livre.
    Um grande abraço.

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  11. Rodrigo, a novel nada mais é do que uma forma que a TV aberta encontrou para fazer com que a audiência sintonize no mesmo canal, na mesma hora, quase todos os dias. Só isto. À medida em que avançam outras maneiras de consumir TV, como o VOD (vulgo Netflix), a novela perde relevância (assim como toda a chamada "TV linear", que é a TV como a conhecemos).

    Novela é um produto que se comporta mal no ambiente VOD. O espectador não faz "binge watching" com novela: não assiste muitos capítulos de uma só sentada. Porque 80% das novelas é enrolação, tramas paralelas, encheção de linguiça. Você limpa uma novela de tudo isso e o que é que ela vira? Uma minissérie.

    A novela vai sobreviver enquanto houver TV linear. Mas sua importância vai decrescer paulatinamente, aliás já está decrescendo. E isto, independente da qualidade do que estiver indo ao ar.

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  12. Verdade, Tony. Não havia pensado ainda que a Novela não é interesssante em binge watching. Falando nisso, você tem ideia do porquê de não haver Amazon Prime no Brasil ainda?

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    1. Deve ser por uma mistura de causas: o alto investimento necesseario x o baixo retorno a curto prazo x as nossas escorchantes taxas tributárias...

      A iTunes Store levou quase 10 anos para chegar ao Brasil, e quando chegou já estava todo mundo no Spotify.

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  13. Vocês sabiam que o ator que faz o filho gay da série Empire é gaúcho?

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    1. KKKKKKK AMOOOOOOOOOOOO
      A pessoa lê qualquer coisa e acredita.
      Gaynônimo, o próprio ator desmentiu essa maluquice, e ainda debochou falando que acha EXÓTICO falarem que nasceu no Brasil KKKKKKKKK
      Procura no Google/Youtube que vc vai ver.

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  14. Por que você só comenta roteiros de filmes séries e novelas e nunca comenta o roteiro de games?
    Recentemente saiu o jogo Te Witchers 3 baseado num romance pólos e vcs não disse nada. Logo logo sai o game do mas Max (uma outra história no meamo universo do filme), você bem que poderia comentar.
    Você bem que poderia fazer roteiros de games tb, o roteirista do jogo do batman é o mesmo da série animada, assim como os roteiristas do jogo do South park.

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    1. Porque meu envolvimento com games é zero.

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    2. Falando em jogos, a Microsoft vai fazer um híbrido de seriado com game (quantum break) com episódios de 22min que dependem das escolhas que vc faz no jogo para serem liberados ao longo do jogo além de ter atores famosos.
      A propósito estou louco pra jogar mad max, uma outra história no mesmo universo do filme recente. Quanto ao jogo do south Park que o anônimo falou no comentário, foi escrito e dublado pelos caras fazendo ser tão bom quanto qualquer episódios da série.

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    3. Ps. Como gamer tenho que dizer que faltam bons roteiristas no escasso mercado brasileiro de games, a produção nacional de games é muito pequena e os poucos títulos que saem não tem uma boa história (ao contrário do estrangeiros que contratam grandes nomes pra escrever os roteiros).

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  15. A Globo lança cerca de 7 ou 8 novelas por ano. Não tem como acertar em todas, mas sempre aparecem coisas interessantes como A Favorita, Avenida Brasil,
    Cheias de Charme, Cordel Encantado, Verdades Secretas, Além do Tempo. Os seriados americanos são cheio de clichês também, um ou outro apresenta conteúdo um pouco mais original. Televisão é isso mesmo.

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  16. O mio babbino caro
    "Há muito tempo eu escuto esse papo furado
    Dizendo que o samba acabou
    Só se foi quando o dia clareou"

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  17. Acho novela o pior dos formatos de audiovisual. Ao contrário da Marta Kauffman, não acho que acaba, só perde relevância.

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