segunda-feira, 13 de julho de 2015

QUASE NOVE


As montagens de "Nine" costumam ser bastante despojadas. Assisti a uma no Follies Bergère, em Paris, onde o único elemento cenográfico mais elaborado era um gigantesco espelho que descia no fundo do palco justamente durante o número - adivinha - "Follies Bergère". Por isto, o sucesso do espetáculo depende quase que só de seu elenco. Ainda mais porque "Nine" é pouco mais do que uma série de números individuais que dão chance para brilhar a atrizes de diversos temperamentos. Além de ter um único papel masculino, que necessita um ator sensacional. Este último quesito foi plenamente satisfeito na versão que está em cartaz em São Paulo. Apesar de desconhecido do grande público, Nicola Lama dá mais do que conta do recado de Guido Contini, um personagem que derrubou Daniel Day-Lewis no cinema. Pena que nem todas as moças estejam no mesmo nível. Entre as que se dão bem estão Totia Meirelles, sempre espetacular, Malu Rodrigues, efervescente como a amante, e Myra Ruiz como Saraghina, uma bofetada de talento (confira no vídeo acima). Mas Carol Castro não canta bem, apesar da boa presença cênica, e Leticia Birkheuer é um desastre. Sim, ela é bonita, elegante e nem passa vexame nos diálogos. Mas sua performance em "Cinema Italiano", a minha favorita, é digna de uma garrafa. Ainda bem que esses escorregões não são suficientes para comprometer a qualidade da peça, que é um hino ao sexo e  já virou um clássico da Broadway. Charles Moeller e Claudio Botelho acertaram mais uma. Nota oito.

9 comentários:

  1. Vo ver...adoro suas dicas.

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  2. Já assisti Nine mais de uma vez e tenho a mesma opinião. Um conhecido foi assistir e disse que achou terrível e que os cantores cantam precariamente. Discordo 100% da opinião dele, quem me dera cantar precariamente como o Nicola Lama.

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  3. Isso que da meter global-zinhos a fazer teatro...

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  4. A Carol Castro, mesmo sendo fraca cantando, está muito bem em cena e dá pra relevar a voz fraca, já a Letícia...

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  5. Claudio Botelho, o que não queria metrô no Leblon (onde mora) pois acha que vai estragar o bairro. Deve detestar gentalha.

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  6. E o comercial da Coca-Cola dirigido por Dustin Lance Black vinculado na internet, sem comentários?
    Gracinha, mas ainda prefiro o do Boticário.
    ;)

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    1. Acabei de ver e já estou subindo um post. Obrigado pela dica.

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  7. Posso estar enganado, mas no CD q ouvi com o Raul Julia da montagem da Broadway não tinha Cinema Italiano e tinha outras coisas como uma canção de marinheiros. Eles usam o roteiro da versão cinematográfica?

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    1. "Cinema Italiano" foi feita para o filme, assim como uma outra canção para Luisa, a esposa, que não entrou na peça.

      A montagem brasileira segue o texto do teatro. "Cinema Italiano" entra no começo do segundo ato, sem muita ligação com o resto.

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