quarta-feira, 1 de julho de 2015

MEU OUVIDO NA FASE GAY


Sempre fui hétero de ouvido. Prefiro música com vocal feminino do que masculino (o que decerto quer dizer que NÃO sou hétero em tudo o mais). Por isto me surpreendi por não ter trazido um único disquinho de cantora deste meu recente bate-e-volta à Suíça. Só tem marmanjo! Se bem que não sei se o Mika se encaixa muito nessa categoria... Mas seu novo CD, "No Place in Heaven", é o melhor e mais consistente de sua carreira. Pop criativo, alegre quase o tempo todo, triste às vezes, mas nunca deprê. Com atenção especial aos backing vocals, esse discípulo de Freddie Mercury está mais maduro, mas não perdeu o frescor. E eu ainda tive a sorte de comprar a versão deluxe europeia, que tem quatro ótimas faixas em francês. Cherchez-las!

Outro que busca inspiração no passado é o americano Brandon Flowers, líder do The Killers. "The Desired Effect", seu novo disco solo, tem os dois pés firmemente plantados nos anos 80. Pena que a melhora faixa, "I Can Change", só tenha lyric video: o gay honorário Brandon (que é casado com mulher e tem filhos) sampleia o arranjo do hino bicha "Smalltown Boy", do Bronski Beat, e ainda tem Neil Tennant dos Pet Shop Boys no corinho. Hmm, significa?


Agora, moderno mesmo é o "In Colour" do Jamie xx. Membro e produtor do The xx, este rapazote de 26 anos lança um trabalho solo que não vai decepcionar quem gosta de sua banda, mas que também vai além das sonoridades etéreas que se tornaram sua marca registrada. Na boa: acho que já temos o melhor álbum de 2015. É para escutar com fones e se deixar levar, como se fosse rock progressivo dos anos 70 - só que é atual pacas. E agora estou me tocando que Jamie xx não é cantor. As poucas faixas com vocais são featuring convidados, inclusive a colega de grupo Romy. Ou seja, este disco tem mulher cantando. Ou seja, continuo hétero no ouvido. No resto...

14 comentários:

  1. Eu não gostei muito do álbum do Mika, mas preciso ouvir novamente e com mais calma.
    Eu achei extremamente competente o trabalho de Brandon Flowers. "The Desired Effect" já foi para a minha biblioteca pessoal do Spotify. Chances para o Grammy? Acho que sim.

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  2. O mio babbino caro
    Sempre fui hétero, adoro, Greta Garbo, Marylin Monroe, Elis, Bethânia, Grace Jones, Madonna...Judy Garland rs.

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  3. Você é uma das poucas, se não for a única pessoa que sei que ainda compra CD. Num mundo cada dia mais digital, o que te faz comprar ainda no meio físico? Mas o que gostaria de saber mesmo e que morro de curiosidade é como faz para escutar e principalmente guardar tudo isso? Minha antiga coleção de CD é um estorvo e nem sei o que faço com ela... imagina a sua que deve ser enorme... abraços

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    1. Boa questão. Minha antiga coleção - quanto dinheiro gasto, Jesus! - também se tornou um estorvo.

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    2. Nos idos de 2004 eu parei de comprar CDs que não fossem ABSOLUTAMENTE necessários em formato físico pra mim (pq eu sou muito fã, coleciono, ou é um cd/vinil raro interessante de alguém que eu pelo menos gosto). E também me desfiz de boa parte da minha coleção que me envergonhava. Os únicos cds que eu não consegui vender nem por R$1 foram os das Spice Girls.

      Hoje, o que a gente faz com um álbum digital que a gente não gosta mais? Deleta e se arrepende de ter comprado? Será o fim dos seboALFARRÁBIOS?

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    3. Eu compro CD por hábito e fetiche. Comecei a comprar discos quando eu tinha 13 anos de idade. Ainda eram os antigos LPs de vinil, que riscavam fácil e até quebravam. Naquela época a qualidade dos vinis nacionais era podre: eu economizava mesada para comprar LPs importados na extinta loja Museu do Disco, um templo de boa música, que havia no Rio e em SP.

      Logo amealhei uma grande coleção, que ficou obsoleta quando aderi ao CD em 1990. Mas a rotina continuava a mesma. Um dos pontos altos de qualquer viagem era (e ainda é) visitar as lojas de discos locais. Fiz muita festa nas Fnac, Tower Records, HMV e Virgin Megastore pelo mundo afora.

      Hoje baixo músicas de graça (hehe), compro muito na iTunes Store e acabei de aderir ao Apple Music (em breve um post a respeito). Mas continuo comprando CDs físicos. Comprei 13 agora em Genebra (alguns duplos...).

      Acontece que o CD é um arquivo de altíssima qualidade, e muito duradouro. E sistemas como o iCloud ainda tem muitos problemas, além de - tcharã - capacidade limitada de arquivamento. Claro que armazenar CDs físicos também é um perrengue. Que o digam as dezenas de caixas fechadas que povoam meu apartamento. Empilhei várias no quarto de empregada enquanto decido onde guardar os disquinhos definitivamente, e acabei contruindo uma muralha de fazer inveja ao Jon Snow de "Game of Thrones".

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  4. Brandon Flowers está cada vez mais magro, credo. Tá feio já, dois cambitos e um cabeção.

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  5. Eu entendi que você quis dizer que o ouvido HT é porque ouve intérpretes do gênero oposto, mas na ditadura gay, só se ouve cantorAs, geralmente elevadas a condição de diva. Então seu ouvido continua bem gay. Não é?

    Fiquei meio decepcionado com o Brandon. Realmente só essa faixa se destacou para mim.

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    1. É isso, eu gosto do Brandon e reconheço muita qualidade em seus trabalhos, mas as músicas simplesmente não... grudam.

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  6. Quando vão lançar Cristiano Araújo, antology?

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  7. Hétero de ouvido escuta divas e Mika?

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  8. Meu ouvido é casado com Moz há dez anos.

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    1. Então ele é bígamo. ehehe

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  9. Tony; após seu comentário fui atrás de Mika; estou ouvindo neste exato momento; muito bom! mas juro que não achei nada parecido com Freddie Mercury!!! e pensa numa pessoa que tenho saudades....

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