sexta-feira, 10 de julho de 2015

AI, SE EU TE PEGO

Tadinho do Michel Teló. Ele achou que estava abafando. Criou até o hashtag #pintesuacara, para lançar modinha nas redes sociais. O que o moço ganhou em troca foi uma enxurrada de críticas: como que ele se atreve a usar o "blackface", um dos instrumentos mais hediondos do racismo? No meio da pancadaria, um único internauta partiu em defesa do cantor: "Michel Teló representa o brasileiro médio, que nem sabe o que é blackface". Aí é que está o ponto. O "blackface" surgiu no showbiz americano da virada do século passado, quando artistas negros não podiam se apresentar para plateias brancas. A prática se popularizou com Al Jolson, um cantor judeu que pintava o rosto de preto, mas há tempos que é vista como uma relíquia medonha - lá nos Estados Unidos. No Brasil também se usou o "blackface", mas, por inúmeras razões, por aqui ele ainda não havia se tornado radioativo. Até outro dia: agora é, e ai do incauto que se maquiar desse jeito. O problema é que esse tabu foi criado por ativistas e ainda não penetrou na cultura geral. Não estou dizendo que eles estão errados, veja bem. Mas é preciso dar um tempo para que um novo conceito se espalhe. Xingar Michel Teló, que estava cheio de boas intenções, é contraproducente. É parecido com atacar quem chama uma mulher trans de drag queen, quando até outro dia ela mesma se apresentava como drag. E não adianta dizer que "o movimento decidiu assim", porque nem todo mundo recebeu a circular. Existe mais gente disposta a acabar com o racismo e a homofobia do que o contrário. Para quê, exatamente, vamos hostilizar quem já está do lado bom?

23 comentários:

  1. Achei que pegaram pesado, o cara nao teve má intençao, e no final só afasta as pessoas da militância, já que ficam com receio de dar uma bola fora dessas...

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  2. Tony, nem sempre concordo com tudo o que você escreve, mas queria dizer que adoro quando você escreve contra o fascismo das militâncias. E a sua comparação com o exemplo da "mulher trans x drag" é ótima. Muito bom!

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  3. Morri de pena da inocência e ignorância dele, mas senti uma vergonhinha alheia pela foto!

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  4. O mio babbino caro
    De novo o vespeiro armado. É um duro aprendizado e somos todos aprendizes, repito. Quem se sentiu ofendido, se manifestou e não há o menor problema nisso. O cara foi infeliz em sua tentativa de manifestação de solidariedade. O Martinho também uns dias atrás falou que a natureza falhou referindo-se à sexualidade da filha. Falou bobagem. Isto não quer dizer que sejam crápulas etc. Somente estão se colocando a respeito de condições que desconhecem. É perceptível quando alguém está com maldade e quando está com boa intenção, porém de boas intenções...
    Cada um sabe onde seu calo dói.

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    1. Mama Bruschetta sempre com seus comentários certeiros. Sou seu fã.

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  5. Concordo Tony. Ele teve boa intenção e cagou porque faltava conhecimento mesmo. Mas, só por ser o Teló eu acho bom kkkkkkk

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    1. maldosa!
      A musiquinha dele fez tantas pessoas felizes.

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  6. Os donos das lutas, das causas, preci$am impedir que outros se apo$$em dos benefícios que recebem pelo ativismo. Vide a causa gay como é cercada de protecionismo.

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  7. Tony, tenho 32 anos achei um cabelo branco e quero morrer, nos últimos 2 anos aconteceu uma tragédia grega na minha vida. Resumo: perdi tudo, carreira, amigos, boa forma...e qse tomei um processo de um boy. Escreva sobre envelhecimento svp

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    1. Meu bem! Tudo isso só pq achou um cabelinho branco? Grecin 5 ta aí pra isso! Ou então vai de silver fox mesmo. Para muitos dá um ar de experiência muito charmoso. Já viu o Anderson Cooper? De mais, escolha melhor os amigos e os boys. E força no picumã!

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    2. Fala sério, com tanto garotão aí pagando pau pra coroa.

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    3. Sugestão: coluna sentimental uma vez por semana aqui no blog. Tipo o Savage Love, mas TG style.

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    4. Eu já faço coisa parecida na minha coluna "Pergunte ao Amigo Gay" na revista "Women's Health", desde 2009. Mas, se tivermos quorum de perguntas, quem sabe? Mande a sua aí.

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  8. Deixem Michel Teló e Cristiano Araujo em paz, suas drogadas sintéticas hipócritas!

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    1. Cristiano Quem?????????????????????????????

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  9. Não precisa estar sempre por dentro de todas as tendências, modismos ou novos códigos de conduta. Mas ele podia ter pensado um pouco.

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  10. O grande problema é a importação dos EUA de todas as táticas do movimento negro americano, inclusive a polarização da sociedade em dois blocos.

    No Brasil, onde os negros são 6% da população e a parcela parda da população (mestiça) representa metade da população, o movimento negro fez pressão para que a categoria fosse unificada em uma só: "pretos e pardos". "Negro" virou sinônimo de "preto ou pardo". Ou seja, nega-se a história de 500 anos de miscigenação brasileira e passa-se a adotar um sistema binário, que não reflete a realidade local. É óbvio que existe racismo aqui. Mas nunca vi ninguém ser barrado no "baile funk" ou no rap da periferia por ser branco ou pardo. Isso acontece nos EUA se você não é negro. Aconteceu comigo. Aliás, fui expulso de um lugar.

    O mesmo vem ocorrendo em relação ao "black face". Foi uó nos EUA, verdade. Mas não estamos nos EUA. Não fez parte da nossa história. Logo, sinceramente, calem a boca e deixem o Michel fazer o que bem entende.

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    1. To besta. Concordei com o João. Será que passa?

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    2. To besta com a quantidade de besteira, ignorância, desconhecimento, inocência e má fé do João.
      "pretos e pardos". "Negro" virou sinônimo de "preto ou pardo", pois são discriminados da mesma forma otário.
      "pretos e pardos". "Negro" virou sinônimo de "preto ou pardo"
      "Mas nunca vi ninguém ser barrado no "baile funk" ou no rap da periferia por ser branco ou pardo", mas cansei de ver negro ser discriminado nos Jardins, em shoppings ou qualquer outro lugar tirado de bacana, qualquer idiota sabe disso. E não vou continuar porque você já teve tempo de sobra para enxergar tudo isso e mais, seu mané. ( E se voltar lá vai ser expulso novamente, se não sabe o motivo, vá pesquisar).

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    3. Anônimo, vamos lá: debater é discutir argumentos e não partir para o pessoal. Eu fui a uma igreja no Harlem, onde todos os brancos que entravam (ou não negros, melhor dizendo), eram impedidos de sentar. Tinham que ficar em pé no fundo. Meu amigo americano tirou uma foto sem flash e fomos ameaçados pelo segurança, que basicamente nos ameaçou.

      Isso não é igualdade. Isso é segregação.

      Sinceramente, você achar que preto sente tanto preconceito quanto pardo é surreal. É óbvio que o pardo sofre menos preconceito. Vide as novelas brasileiras, as passistas do carnaval, dentre muitos outros ícones da cultura brasileira. Existe racismo justamente por isso: quanto menos preto, menos preconceito. É diferente dos EUA, onde uma gota de sangue negro significa que você é preto; inexiste a categoria pardo. E todos sofrem igualmente.

      Não é discriminando pessoas como retaliação que se chega a uma sociedade igualitária e baseada no respeito.

      Vá você pesquisar e ser menos complexado.

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    4. "Angels of Harlem..."

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  11. Xi, Jão falando sozinho?
    Essa era da boa hein, põe dessa pra mim

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