quinta-feira, 11 de junho de 2015

JUDICIÁRIO, NOVE...

Podemos não gostar deste ou daquele juiz do Supremo, por achá-lo truculento ou por não se alinhar conosco politicamente. Mas uma coisa é certa: o STF é um dos poucos aspectos do poder que funciona direitinho no Brasil. Tem muito juiz corrupto nas instâncias mais baixas, mas o time que chega à mais alta corte é quase sempre da mais alta qualidade, não importa o viés partidário. Ontem foi um dia de brilho, com a liberação por nove votos a zero das bografias não-autorizadas. Uma liberdade óbvia em qualquer nação civilizada, mas um pomo da discórdia persistente em terras tupiniquins. Se dependêssemos do Congresso, a matéria ainda estaria pendente e provavelmente acabaria dando a vitória a Roberto Carlos, Paula Lavigne e outros defensores do obscurantismo. Além do mais, porque é do interesse dos próprios deputados e senadores manter a mordaça sobre seus biógrafos. Com a antiga interpretação da constituição, até o Collor poderia proibir um livro que contasse seus podres mais do que comprovados. É gente como a juíza Carmen Lúcia que me dá um fiapinho de esperança neste país. Um só.

12 comentários:

  1. Concordo com o que vc generalizou sobre o Supremo, mas só sobre 8. O descontentamento com Gilmar Dantas Mendes vai além de qualquer discordância ideológica. O cara é um gênio, constitucionalista nato. Mas usa seu conhecimento para o mau. Liberou Abdelmassih, Dantas e quantos outros, enquanto trava a ação de inconstitucionalidade do financiamento empresarial enquanto o Cunha prepara o campo para liberar a pilantragem políticos/empreiteiras que vai privatizando o país pouco a pouco.

    Tem 1/10 do Supremo que é sim, igual ao nosso Congresso.

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    1. Na realidade são 11 - ONZE - membros.

      E não é sem motivos. Ou por mera "coincidência".

      Assim como não é sem motivos dar renda fixa para "irmãos" através das concessões de pedágios, mineradoras, infraestruturas e afins...

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  2. Eu juro que eu tento ser sintético nos comentários mas sempre fracasso!!
    Já discordei de vc nisso antes, e discordo de novo, mesmo que os Ministros tenham dado cara de heresia a opiniões como a minha.
    Não existe direito à intimidade do outro. Não existe direito à fofoca! Fofoca só autorizada, como faz a Revista Caras, por exemplo.
    Roberto Carlos vende música. O resto pertence à intimidade dele, e ele dá a quem quiser, quando quiser, da forma que quiser, e pele preço que ele quiser.
    Quem abre mão de parte da sua intimidade, não está abrindo mão de tudo!
    Vc mesmo é pessoa pública, Tony, que se expõe voluntariamente na Internet, e se eu, jornalista, resolvesse fuçar a sua vida atrás de fatos verdadeiros da sua intimidade e os publicasse a pretexto de estar "prestando um serviço às minorias gays, que agora tem acesso à vida de um ícone gay do país", imagino que vc iria ficar contrariado, já que na vida de todo mundo há fatos que a gente não gostaria de ver revelados ou discutidos em praça pública.
    E esses fatos não precisam ter nada de vexatórios ou ofensivos ou mentirosos...
    Tem coisas que simplesmente são íntimas demais.
    E relegar o dono da intimidade a reparação posterior não resolve o problema porque o dano já está feito e não volta atrás, por dinheiro algum no mundo.
    Políticos como Collor é bem diferente: mesmo antes da decisão de ontem, Collor não estaria protegido de ver revelados os seus crimes. Esse sigilo não existe.
    Ele ocupa e ocupou cargos que nos pertence, e por isso as informações do que ele faz ou deixa de fazer lá dentro também nos pertence.
    Mas, o que ele faz entre quatro paredes, se trai a mulher ou não, etc, isso não é da conta de ninguém, e nenhum jornalista deveria se sentir autorizado a fuçar a vida dele atrás de podres pessoais. Felizmente, a vida pessoal dos políticos no Brasil é preservada e dificilmente vira assunto. Assim, a gente consegue se focar no que realmente importa que é a atuação deles no cargo.
    E só mesmo numa análise comparativa com os outros poderes da república é que a gente pode considerar o STF como bom.
    Talvez seja justo dizer, como vc disse, que ele funciona "direitinho".
    Mais do que isso é um grande exagero, ou reflexo da comparação com o Legislativo e Executivo, que são podres no Brasil.
    O Judiciário brasileiro tem, pelo menos, uns 500 Juízes melhores e mais preparados que os do Supremo, que lá chegam por indicação política. São bons, mas há gente infinitamente melhor do que eles.
    Desculpe, mas chamar proteção constitucional da intimidade de censura, como fizeram os Ministros, me parece ridículo. Eles viveram a censura e sabem que uma coisa não tem nada a ver com a outra.
    Mas, as suas decisões são meramente políticas, e ficamos nós agora com esse monstrengo jurídico nas mãos.

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    1. Então teríamos somente biografias chapa branca, é isso?

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    2. Bruninho, amor, qualquer biografado que se sentir injuriado ou sido prejudicado pode recorrer ao judiciário. O que não faz sentido é, a pretexto de uma suposta calúnia hipotética ou invasão de privacidade, censurar previamente todo livro que conte um pedaço da história do país, de sua cultura, seu povo. Esse legado que não se pode negar, e que pessoas como Roberto querem negar, querem sugar, sugar e sugar tudo que podem do povo que compra, junto com suas músicas, suas "verdades" construídas por um marketing, e não dar nada mais em troca, querem ser lendas vivas, mas não querem que ninguém saiba quem eles são de verdade. Eu penso exatamente o contrário de vc, eu acho que é um serviço que se faz quando se revela ou se tenta revelar quem é ou aspectos da personalidade e da vida de quem se projetou usando da boa fé das pessoas que os vêem como semi-deuses. É iconoclasta, é romper essa barreira da divindade artística que, por poderes que não cabe aqui debater, alcança um patamar quase intocável. Que sejam então tocáveis pelas biografias! Não gostou? Escreva então a sua própria, oras. E, diz aí, que artista mesmo teve sua vida e sua arte destruída por uma biografia, por que não estou lembrando, não. Acho esse mimimi a pretexto de privacidade um dos totens do nosso atraso. A republiqueta das bananas onde os principes tomam o dinheiro dos bobocas e quando estão lá entre eles ficam rindo de quem comprou suas mentiras.

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    3. Arrasou, anônimo. Adoro os comentários do Bruno, mas nessa ele se equivocou, big time.

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    4. "Assim, a gente consegue se focar no que realmente importa que é a atuação deles no cargo."

      Para serem os homofóbicos hipócritas que são no país que mais se mata homosexuais por ÓDIO no mundo??

      Conta outra.

      Ou aprenda a pensar melhor.

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    5. Eu sou tão minoria nesse assunto que até desconfio que vocês devem estar certos...
      Mas, viva a diversidade.

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    6. Eu teria vergonha absoluta de pensar igual a Paula Lavigni. E mudaria correndo.

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  3. O garoto com olhos de Cinderela11 de junho de 2015 18:06

    Tony, a ANATEL está obrigando as operadoras de tv por assinatura a tirar 4 canais internacionais e colocar 4 canais evangélicos no lugar.
    Você ficou sabendo disso?

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    1. O que eu li na coluna do Flavio Ricco é que isto está acontecendo só na TV Alphaville, a provedora de TV paga de um condomínio nos arredores de São Paulo. Mas é estranho mesmo, e já pensou se a moda pega?

      http://televisao.uol.com.br/colunas/flavio-ricco/2015/06/11/anatel-leva-operadora-trocar-canais-internacionais-por-religiosos.htm

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  4. O mio babbino caro
    Ai Ai Ai...Em terra de cego quem tem um olho (às vezes) é Rei.

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