domingo, 3 de maio de 2015

SHINE BRIGHT LIKE A DIAMOND


Filmes com protagonistas negros não costumam ir bem de bilheteria no Brasil. Sobre negros na periferia de Paris, então, já viu: uma sala só em São Paulo e olhe lá. Mas a realidade mostrada por "Garotas" não é distante do que se passa nas nossas periferias. Marieme é filha de imigrantes africanos e, apesar de má aluna, é bastante ajuizada. Ajuda a mãe, que está sempre ausente no trabalho, a criar as irmãs menores, servindo de escudo entre elas e o irmão mais velho. Mas, quando repete o mesmo ano na escola pela segunda vez, se vê tão sem perspectivas que acaba entrando para uma turma (para não dizer gangue) de meninas da pesada. Lindas, agressivas, descoladas, elas cometem pequenos furtos para arranjar grana e fazer seu programa predileto: alugar um quarto de hotel para beber e dançar sem serem incomodadas. É numa dessas festinhas que acontece a cena mais icônica do filme, uma coreô de "Diamonds" que deve ter deixado Rihanna orgulhosíssima (confira o clipe aí em cima). Marieme muda o nome para Vic e se torna uma bully, mas seus problemas só estão começando. O roteiro de Céline Sciamma é melhor que sua direção, e "Garotas" seria melhor se fosse mais compacto. Mas é um pequeno diamante que merece ser visto por mais gente.

15 comentários:

  1. a sua amiga Rosana Hermann falando que "não se mistura estado com religião" mas trabalha na rede record, contraditório no mínimo.

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  2. Como concorrer com o CIA ou como alguns chamam rede globo? Só igreja mesmo...reveja JFK no netflix...

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  3. adorei a idéia, vou começar a fazer isso. Alugar quarto de hotel com as miga.

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  4. Soumission, de Michel Houellebecq, só prevê o embate das cités e Paris intra-muros. E, por essa janeiro, acho que vai ser mais rápido do que se previa.

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    1. Estou lendo "Soumission". Devo acabar esta semana, aí solto um post a respeito.

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    2. Tony, você poderia adiantar só um ponto: até agora, você acha que ele foi islamofóbico?

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    3. Não, pelo contrário. Bem contido até.

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  5. O mio babbino caro
    Mesmo poque esses filmes chegam aqui, praticamente blindados para não atingir seu público alvo. Na velha estratégia do Brasil, em querer evitar o seu inexorável acerto de contas com a sua população negra.

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    1. Fofo, é tudo pão e circo mesmo. Se as massas brancas, negras, amarelas e pardas quisessem ver esses filmes, eles estariam em circuito nacional. E o que tem de novo nessa história de garota pobre, que vive no gueto, que trabalha muito, que ajuda a mãe, etc? Já não vimos essa história milhões de vezes? Parece mais do mesmo, e agora em francês.

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  6. Com o detalhe de q fosse na periferia do brasil elas estariam dancando o quadradinho de 8, esfregando suas respectivas vaginas no chao. Nossa cultura musical e tao original ne.. De resto, tudo igual mesmo.

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  7. Ai Tony, acho uó quando você da dicas de filmes, mas que não tem legendas em português. Fico louco pra ver, mas como? Esse filme parece ser interessantíssimo, muitos filmes que você indica eu assisto e, muitas vezes, gosto. Esse é um que vou esperar eternamente alguém fazer a legenda e subir. Bjs

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    1. Que tal ir ao cinema e comprar um ingresso? Os produtores, a equipe e o elenco não merecem ser remunerados pelo trabalho?

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    2. Se tivesse em cartaz onde eu moro, eu até poderia ir. Adoro ir ao cinema, mas morando em interior é beeem difícil chegar filmes desse tipo (cult, urban, indie uarever...). Concordo plenamente que os produtores, a equipe e o elenco merecem ser remunerados, mas também concordo que esses filmes deveriam chegar em qualquer cinema! Por isso, recorro ao download que é, infelizmente(talvez felizmente), a única meneira de poder apreciar e conhecer o trabalho, dos produtores, da equipe e do elenco :-)

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