sexta-feira, 22 de maio de 2015

MAGNUM OPUS

Uma causa pode se considerar vitoriosa no momento em que começam a ganhar dinheiro com ela. Pode parecer cinismo, mas é assim que funciona o mundo capitalista onde vivemos. E a propaganda, essa safada, transforma ideais em comércio, mas também tem um papel fundamental para o avanço da sociedade. Ela abraçou o feminismo, está abraçando o casamento igualitário, e começa a se interessar pela transexualidade. Vejam só esta campanha internacional dos picolés Magnum: um produto que é pouco mais do que gordura hidrogenizada com sabor artificial virou um símbolo de libertação, tanto política como sexual. E, mesmo que reclamem os xiitas, isso é bom para todo mundo. Chupemos todos!

(Marta Matui, obrigado pela dica. Você é mesmo uma drag honorária)

25 comentários:

  1. Drag, por definição, não é uma figura caricata? Engraçada? Esses caras não seriam transformistas?

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    1. Tem drags que são sérias. Conheço algumas.

      Mas aí começamos a entrar no pantanoso terreno das definições. Os caras que aparecem nas entrevistas depois do comercial nem são transexuais: todos se assumem como "bi-gênero" (inventei agora), homem e mulher ao mesmo tempo. Se quisermos colar um rótulo neles, daqui a pouco estaremos nos cobrando por palavrinhas.

      Agora, a Marta Matui é uma drag caricatíssima, mesmo tendo nascido mulher.

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    2. A premissa básica das drags é apenas a de representar aspectos femininos, sejam eles extravagantes ou não, e têm "permissão" justamente porque não se espera delas ser fiel a nenhum ideal feminino, a não ser o que elas mesmas entendem por isso.

      Enfim, drag é arte. Apreciar ou não é algo subjetivo. Da mesma forma que saborear um sorvete.

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    3. Drag séria existe pra que? Pensei que drag servisse só pra animar fila de boate e fazer show bate cabelo. E serem mal educadas sempre.

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    4. Devolvo a pergunta: Por qual razão drags deveriam ser vistas apenas como "palhaças burlescas"? Conveniente demais. Antes de tudo, drags são pessoas, que possuem personalidade própria e singular. No mundo existem pessoas sérias, engraçadas, legais, chatas, cordiais... pessoas. Que se mostram por várias facetas... e para que?

      Qualquer indagação sobre o que entendemos por expressão vai cair no que o Tony disse sobre rótulos. É mais fácil permitir que os conceitos fluam e sejam absorvidos de forma natural.

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    5. Anonima das 15:41, senti o cheiro do seu recalque de longe, e estou a milhares de milhas de voce. Isso tudo é falta de coragem de colocar uma peruca na cabeça? Faça isso miguxita, é libertador e tirará parte desse seu ódio no coração!

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    6. Mas nem eu sei como definir essas pessoas do filme. Uma delas é de fato uma ex-participante do RuPaul's Drag Race, a Willam (a louraça poderosa que aparece mordendo um picolé logo no começo), mas as outras - que eu não conheço - me parecem algo como hemarfroditas ou cross dressers ou sei lá o quê.

      O campo é minado quando entramos na discussão da nomenclatura. Acho que os espíritos precisam se desarmar, porque não queremos ofender ninguém.

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    7. Um equívoco atrás do outro.

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  2. Essa foi verdadeiramente uma campanha de sucesso! Pegou emprestado um suposto glamour dos transexuais pra elevar o Magnum. Tornou "cool" um produto que não tem nada de descolado. Trans e Magnum saíram ganhando nessa.
    Mas, será que essa "campanha internacional" vai passar em TV aberta por aqui, onde o público consumidor do Magnum não tem tanta educação quanto nos EUA e Europa?
    Tô pagando pra ver...

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    1. Pode não passar até por razões práticas: é caríssimo importar um comercial. Mais barato refilmar tudo no Brasil.

      Dito isto, duvido que refilmem...

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    2. O objetivo hoje em dia não é passar na televisão. É ter campanhas veiculadas apenas na internet mas que sejam vistas por milhões de pessoas. Essa será, com certeza. (marta matui)

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  3. Tony, saberia dizer qual é o público alvo do Magnum aqui no BR? O Bruno disse: "...que o consumidor do Magnum não tem tanta educação quanto nos EUA e Europa.." (não estou julgando o que ele disse, apenas me deu curiosidade para qual público o Magnum é alvo segundo a empresa e a publicidade.

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    1. O Magnum é um produto premium da Kibon, mas obviamente não compete com paletas mexicanas ou os picolés Diletto. É como comparar sorvete de massa da Kibon com marcas como Haagen-Dasz ou Ben & Jerry's, que são mais elaboradas e bem mais caras.

      Ou seja, Magnum é um picolé "de luxo" para as massas.

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    2. Decide, Tony. Ou é picolé de luxo para as massas ou símbolo de luta política.

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    3. Uai, porque não pode ser as duas coisas ao mesmo tempo?

      Nada como um produto de massas para avançar a lutas política. Produtos de nicho não atingem muita gente...

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  4. Muito bom esse comercial, ponto pra Magnum. Soube pegar um tema tão em pauta como a transexualidade, principalmente pela transição do Bruce Jenner, e lucrar posando de ativista. Saudades dos comerciais da Benetton.

    ps: adorava o blog da Marta Matui.

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  5. O mio babbino caro
    Isso é efeito Laverne Cox. Porém na década de 80 Close foi revelada em uma propaganda de móveis. " O que foi é o que há de ser..."

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  6. Voltamos aos tempos das cavernas, é tanta patrulha pra todos os gostos, as gueis, os negros, gordos e magros, sem contar os fiscais de rolas dos evanjas, todo mundo quer ser defensor dos pobres e oprimidos, Tony,vc como publicicitario e roteirista deve pensar duas vezes antes de desenvolver uma idéia, não é? Conte-nos um pouco sobre.

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    1. É verdade. Hoje ficou bem mais difícil.

      Só para dar um exemplo: eu adaptei uma peça de Martins Pena, do século 19, para a loinguagem de hoje. Mas acho que ela não pode ser montada neste momento, porque um dos personagens é um branco que se faz passar por negro - e pinta a cara de preto... Uma pena, porque é uma comédia feminista e anit-racista. Mas já pensou a gritaria?

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    2. Bjs Tonyh!!!A

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    3. Estranho considerar voltar aos tempos da caverna o fato de gays, negros, etc. não aceitarem o papel que lhes reservam. E altamente salutar pensar duas vezes a forma como abordar personagens de grupos historicamente estereotipados. Não tenho dúvidas que o desabafo de Renato Aragão referenda esse tal tempos da caverna onde "Naquela época, essas classes dos feios, dos negros e dos homossexuais, elas não se ofendiam. Elas sabiam que não era para atingir, para sacanear"

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    4. Lógico que era para atingir, para sacanear!

      Era motivo de PIADA!

      Renato Aragão é tão bom comediante quanto escritor erótico!!!!!

      (Li um trecho do livro dele lá no Canadá e quase me mijei de rir com tanta cretinice!)

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  7. Tony, é por posts como estes que eu gosto tanto de você e do seu blog!
    When you shine, we shine together.

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  8. Acabam de lançar o Magnum Dolce & Gabbana. Luxo para as massas.

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