segunda-feira, 11 de maio de 2015

"FRIENDS" DA TERCEIRA IDADE


Minha mestra Marta Kauffman sempre diz que "Fiends", sua obra-prima, é sobre aquele período da vida em que nossos amigos se tornam nossa família. A época em que acabamos de sair da faculdade e já deixamos (ainda que mentalmente) a casa dos pais, mas ainda não tomamos tento na vida. Por isto mesmo ela se recusa a produzir uma "reunion" de sua série: não faria sentido juntar novamente Rachel, Joey e os demais, porque eles, agora casados, com filhos e profissões estáveis, não são mais os mesmos de antes. Faz sentido. O curioso é que agora Marta retoma este tema - amigos que se tornam família - na outra ponta da vida. "Grace & Frankie" é sua primeira sitcom desde que "Georgia" flopou três anos atrás, e já está com toda a primeira temporada disponível no Netflix desde sexta passada. Assisti a quatro episódios, e já fui conquistado. Mas aos poucos: não se trata de um "Friends" da terceira idade, apesar do que o trailer sugere. Não há uma sucessão de gargalhadas, inclusive porque este novo seriado foi gravado no estilo "single camera": em estúdio, sem plateia nem claque ("Friends" era "multi camera" e, apesar dela nunca aparecer no vídeo, havia uma plateia assistindo).

O ponto de partida de "Grace & Frankie" não podia ser mais atual. Dois sócios num escritório de advocacia resolvem assumir que são "casos" há mais de 20 anos, abandonando as respectivas esposas para viverem juntos. Elas, que não são exatamente amigas, se veem forçadas a compartilhar a casa de praia que possuem em conjunto, mas onde nunca estavam ao mesmo tempo. E uma espécie de dependência mútua surge entre as duas, ainda que sejam totalmente diferentes. Jane Fonda faz Grace (eu trocaria este nome, por causa de "Will & Grace"), mais convencional; Lily Tomlin é Frankie (que nos EUA pode ser apelido feminino), riponga envelhecida e consumidora de drogas. Ver essas duas atrizes juntas, que são amigas na vida real, é um privilégio. Some-se atores do naipe de Martin Sheen e Sam Waterston, mais o texto da Marta, mais uma produção requintada, e danou-se: passei boa parte do fim de semana com essas "meninas". A segunda temporada já está garantida, e aposto que alguns Emmy também.

8 comentários:

  1. E a Lily Tomlin já é caminhoneira mesmo. Deve estar se divertindo fazendo a hiponga contra-cultura.

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  2. A crítica não caiu de amores pela série não, está com uma média de 57, em 24 críticas no Metacritic: Pelo nomes envolvidos, pode até ganhar algumas indicações e talvez prêmios, mas quem deve abalar o reinado de Modern Family é Transparent.

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  3. Você precisa ver a série inglesa Vicious (se é que ainda não viu). Caso tenha tempo, recomendo!

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    1. Vi não, apesar até de ter postado o trailer aqui no blog.

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  4. Pensei a mesma coisa sobre o nome Grace.

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  5. Ja assistiram Cucumber, Banana , Tofu ?

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  6. Eu gostei. Comparado a media das novidades do Netflix ate que esta bom.

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  7. A série é bem intencionada, mas fraquiiiiinha que dói. Previsível demais.

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