quinta-feira, 7 de maio de 2015

CHACRINHA ME DOMINA

Chacrinha me alucina. É hora, é hora, é hora. É hora da buzina. O programa que acaba... e não terminou nunca. Mais de um quarto de século depois de sua morte, Chacrinha continua balançando a pança. O musical que leva o seu nome é a mais completa tradução do que foram seus programas de auditório, talvez a expressão mais autêntica e original da brasilidade da nossa TV. Há momentos do segundo ato em que eu me senti na plateia da "Buzina", da "Discoteca" ou do "Cassino" - apesar dos nomes diferentes (o primeiro tinha calouros, o segundo, astros consagrados, e o terceiro misturava tudo com dois ovos em cima), a bagunça era sempre a mesma. E sempre diferente. Vocês querem bacalhau? Terezinhaaa...

Ontem tive o privilégio de assistir a "Chacrinha, o Musical" na festa dos cinco anos do canal Viva. O evento no Teatro Alfa, em São Paulo, contava com chacretes e sósias do Velho Guerreiro recebendo os convidados, e na plateia estavam ninguém menos que as icônicas Elke Maravilha e Rita Cadillac. Mas o melhor era o espetáculo em si: luxuoso, com figurinos deslumbrantes e um elenco melhor ainda. Só o orçamento para os direitos das músicas (inúmeros grandes sucessos da MPB, até os anos 80) deve ter sido maior que o PIB do Suriname. E reinando sobre tudo está Stepan Nercessian, que foi um pitéuzinho quando jovem mas hoje encarna o barrigudo Abelardo Barbosa à perfeição. Já vi muita gente boa imitando Chacrinha, mas o que Stepan faz em cena vai além: os mínimos gestos, as inflexões de voz, a doideira no palco e a amargura nos bastidores. O texto de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira não livra cara da Globo nem do Boni, mas passa ao largo do boato de que o apresentador e seus filhos cobravam jabá dos artistas que queriam se apresentar nos shows que promoviam fora da TV. Não faz mal: a trajetória de um dos nomes mais emblemáticos da nossa cultura do século 20 está lá, e, o mais importante, seu espírito também. Ainda bem que as novas gerações podem conhecê-lo através das reprises do Viva. E poderão ver este musical também, que será exibido em cinco partes pelo mesmo canal, a partir do dia 25, sempre às 23:30. Roda, roda, roda e avisa...

14 comentários:

  1. Saudades da "mandioca da Maria Bethânia"... ������������

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  2. Qual o mérito mesmo de um velho escroto que ficava berrando bobagens pras meninas pobres de colégio público, fazendo piadas sem graça ("quem quer o bacalhau da Maria Bethânia?"...nossa, que gênio), zoando calouros, coagindo artistas e sendo paparicado pela imprensa que inventou que ele é o deus da comunicação?
    Nada contra ser popular, fazer bizarrice no palco, ser escroto. Mas daí a ser endeusado...Daqui a 20 anos vão fazer o mesmo e endeusar o merda do Luciano Huck. Duvida?

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    1. Só pra lembrar que depois da morte dele, deram o espaço do programa dele pro Faustão, que passa longe de ser endeusado hoje em dia.

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    2. O Cassino do Chacrinha era no sábado, não?

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    3. Anônimo, parabéns pelo comentário. Arrasou. Era um ser sem graça em tudo (digo ser e não velho porque aqui no blog a palavra "velho" é mal interpretada). O original já era ruim, imagine a cópia que fizeram dele, com texto do Bial?

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    4. Perdoai-os, painho, porque eles não sabem o que dizem.

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    5. Gente, na época eu não entendia, mas revendo hoje em dia para mim é claro que o programa dele era GENIAL!!

      Nunca existiu nada tão colorido, berrante, bizarro, kitsch, alegre e safado na tv mundial.
      Como não amar os closes ginecológicos nas chacretes? A Elke Maravilha maravilhosa sempre? A Monique Evans jovem linda de cabelo curto, de camiseta branca sem sutiã? O Cazuza, o Kid Abelha, os Titãs, o Lulu, o Heróis da Resistência, Zero, Marina no auge da sua criatividade, sucesso e popularidade, com suas músicas cantadas por todas as meninas de subúrbio? A mandioca da Maria Bethania? O concurso de negro mais bonito do Brasil? Tudo isso batido no liquidificador, sem censura e sem pudor.

      O único erro foi terem deixado o babaca do João Kléber "ajudar" o Chacrinha por um tempo, quando este estava já muito doente.

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    6. Pão e circo! Fórmula velha, Alikeroagua.

      Mas a Elke Maravilhosa realmente tem maior apreço pelo Chacrinha. E eu tenho apreço pela cabeça da Elke.

      Eu acho uó do borogodó. Mas o Brasil sempre teve o pé no brega.

      E no indecente.

      Que na realidade é satanismo (adoração do ego, corpo).

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    7. Anônimo das 15:238 de maio de 2015 11:30

      Espero que o dono do blog entenda como simples troca de idéia, e também diversão, quando alguém bota aqui opinião diferente da dele, afinal sempre é mais divertido quando podemos compartilhar e usufruir de vários olhares sobre algo, e não apenas concordância ou elogios. Reafirmo: é apenas diversão, ninguém está julgando o gosto nem valor de ninguém.

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    8. Mas os grandes assets da Globo aos finais de semana eram justamente O Chacrinha, os Trapalhões e o Fantástico (ok, e o Profissão Perigo tb).
      Faustão já era da Globo, mas virou essa coisa berrante como os relógios que ele usa no vácuo deixado pelo Chacrinha.

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  3. eu era pequeno na época desses sábados do Chacrinha, mas só tenho más lembranças dele...
    sabe o povo que tem medo de palhaços?
    acho q vendo o Chacrinha nos sábados à tarde, eu entendia esse pessoal....

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  4. Não vivi isso. Chacrinha e Carmen Miranda são coisas distantíssimas da minha pessoa....

    Mas admiro.

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  5. O mio babbino caro
    Alô, alô, seu Chacrinha
    Velho palhaço
    GG

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