quarta-feira, 13 de maio de 2015

A VONTADE DE SE SUBMETER

Michel Houellebecq era a capa do "Charlie Hebdo" na semana em que o jornal sofreu um atentado terrorista. A matança atraiu ainda mais atenção para "Submissão", o livro recém-lançado desse famoso escritor francês. Acabou de sair no Brasil pela editora Alfaguara, mas eu li no original parce que je peux. A premissa tem tido muito destaque na mídia: em 2022, uma coalizão formada para evitar a vitória do Front National nas eleições presidenciais da França acaba levando um partido islâmico ao poder. Confesso que eu estava esperando mais política e menos blá-blá-blá sobre a chocha vida pessoal de um professor universitário, o narrador. Mas são muito interessantes as medidas adotadas pelo fictício presidente Ben Abbes. A condução da economia continua a mesma e não há um rompimento com Israel, só uma esfriada nas relações. O que realmente interessa aos muçulmanos é a educação. Além de transformar as universidades públicas em instituições religiosas, eles também querem que as mulheres não tenham mais acesso ao ensino superior. O verdadeiro inimigo são os ateus humanistas, não os cristãos. Também há uma defesa da poligamia que apela para a seleção natural, uma estratégia curiosa - muito muçulmano é tão criacionista como o mais parvo dos evangélicos. "Submissão" está longe de ser uma obra islamofóbica: está mais para uma ficção política light. Mas o verdadeiro tema do livro é a vontade de aderir aos vitoriosos, da qual ninguém está livre.

(Só para quem ainda não sabe: Islã, em árabe, quer dizer submissão)

8 comentários:

  1. Tony, e quanto a França se tornar a nova Roma, no discurso da personagem Tanneur? Muita ficção ou a futura França islâmica (previsão para 2050) não conseguirá nunca o Sufrágio Universal na UE? Tanneur também diz que uma Nação não se sustenta por muito tempo só com valores laicos... Fundo de verdade? Gostaria muito de saber sua opinião.
    Abraços.

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    1. Poucas nações se siustentam por muito tempo, no matter what. A mais longeva de todas, a China - que se desenvolve de modo contínuo há mais e cinco mil anos - é, curiosamente, bem pouco espiritualizada. A religião está longe de ocupar na vida de um chinês o mesmo lugar que tem entre os europeus ou os muçulmanos. É uma civilização bastante materialista, e no entanto está aí, bombando.

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    2. É...solução: investir em educação e assim MATAR todas as religiões.

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  2. Tony, você viu a entrevista do Fachin, que "não se pode heterossexualizar a homossexualidade"? E dizendo ser progressista (mas contra casamento gay, direito ao aborto, celulas troncos, etc). Como o PT quer enfiar um cara desses no STF?

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    1. Ainda hoje vou subir um post sobre o Fachin.

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  3. meda do q essa porra de mundo está se tornando, medo do blackwater, companhias privadas de inteligencia...privatização da guerra...como se n bastasse o military industrial complex...olha, Eisenhower chora.

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  4. secundo o comentário acima - eisenhower chora!

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  5. Também há uma defesa da poligamia que apela para a seleção natural, uma defesa curiosa - muito muçulmano é tão criacionista como o mais parvo dos evangélicos.
    TODA RELIGIÃO É PARVA - NÃO GOSTÔ PEGAEL

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