sábado, 2 de maio de 2015

A EMBAIXADA DE MARTE


Dois anos atrás, comprei ingressos para "Bandália", o espetáculo que marca a volta dos Dzi Croquettes, então em cartaz no Rio. Chegou a hora de ir para o teatro, e onde foi que eu meti os bilhetes? Sumiram. Evaporaram. Passaram para o universo paralelo. Nem tive ânimo de conseguir outros, pois a lotação estava esgotada. E me conformei: perdi os Dzi Croquettes nos anos 70, vou perder de novo. Para sempre. Mas o mundo dá voltas, e eis que ontem um amigo me ofereceu dois convites para vê-los aqui em São Paulo. Lá fomos nós, evitando a imensa fila na porta do João Caetano e mesmo assim pegando lugar só no fundo da plateia, já lotada por convidados.

Só dois dos Croquettes originais participam: Ciro Barcelos, que era o mais novinho da trupe e se mantém espetacular aos 62 anos, e Bayard Tonnelli. Cláudio Tovar fez os figurinos, mas não entra em cena. Os demais são todos jovens, um mais gostoso que o outro. Também são todos exímios bailarinos, o que faz com que "Bandália" seja basicamente um show de dança. Meu marido, que viu a primeira encarnação do grupo, sentiu falta de mais humor e contestação. De fato, lá pelas tantas achei que o objetivo era mostrar um pouquinho de cada estilo coreográfico do planeta: rock, samba, tango, flamenco, funk... Também não ajudou um dos primeiros números, onde eles aparecem "apenas" como homens: parecia show de boys numa buatchy qualquer. Para mim, o cara só vira Dzi Croquette quando é dúbio, misturando purpurina e peito peludo, bigode e cílios postiços. Afinal, eles já faziam isso 40 anos antes de Conchita Wurst. Ainda bem que a maior parte do espetáculo respeita esse cânone. E por isto aos poucos eu fui me rendendo à mistura de revival, novas ideias e história. Ciro, o idealizador, conta muito da trajetória do grupo, e lembra que a casa onde todos moravam em Santa Teresa era conhecida como "embaixada de Marte", onde de certa forma ele habita até hoje ("subi a ladeira e nunca mais desci"). Faz parte do programa o clássico "As Borboletas Também Sangram", ao som de "Assim Falou Zaratustra" - sim, ficou datado, mas é um monumento. Mas meu ponto alto pessoal foi o número do candomblé, onde Iemanjá, Ogum, Oxóssi, Oxum e Iansã encarnam no palco. Saí do teatro contente, porque agora tenho os Croquettes no meu currículo.

5 comentários:

  1. O mio babbino caro
    A história sempre se repete como farsa...

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  2. Sentir tesao por caras masculos assim vestidos de mulher com salto alto faz de mim um pervertido? hahahahahaha

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  3. Queria muito ver o documentário da Tatiana Issa, que também perdi no Festival do Rio de 2011... Sempre ouvi falar nos Dzi, inclusive até conheci o Ciro pessoalmente, através de um amigo em comum... Se voltar pro Rio, tentarei não perder novamente.

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  4. Aliás, a "Embaixada de Marte" era bem próxima da casa onde passei meus primeiros seis anos de vida, segundo a minha mãe. A purpurina deve ter chegado lá no meu quartinho... :D

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    1. Amiga, vc é sempre tão fervida nos acontecimentos, praticamente referência de todas tendências, eventos, movimentos, babados, que vida loca, baby.

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