quinta-feira, 16 de abril de 2015

RESSACA POLÍTICA

Já faz mais de uma semana que eu não subo um único post sobre política aqui no blog, e alguns leitores estranharam. Confesso que eu também estranhei. Como é que eu não dou um pio sobre as manifestações de domingo passado, nem sobre a lei da terceirização, muito menos sobre a indicação do novo juiz para o STF? Quem me viu e quem me vê!

Mas acontece que eu ando meio de saco cheio de política, pelo menos da brasileira. Há meses que estamos batendo nas mesmas teclas: Dilma é incompetente, a economia vai pro caralho, as medidas do Levy vão doer pacas, Eduardo Cunha é um horror, Renan Calheiros é outro e um impeachment seria um desastre porque não sabemos o que vem a seguir. Tudo isto continua valendo.


Aconteceram algumas coisas nos últimos dias, mas nada que mudasse profundamente este quadro. Um sintoma disto foi o menor comparecimento às manifestações (eu fui, mais para dar uma olhada do que para protestar). Bom, e que já que entramos neste assunto, vamos lá. O que é que eu acho da terceirização? Ainda não sei. A legislação trabalhista brasileira, que já foi considerada exemplar, hoje é vista como entrave ao progresso. Como que funciona nos países que estão dando certo? (China não vale, lá vigora uma versão maquiada da escravidão). Como vai ser na prática por aqui? Ainda estou pesquisando os diferentes pontos de vista. Hmm, e o Fachin? Seus colegas estão se desmanchando em elogios a ele, mas claro que é preocupante sua ligação tão íntima com o PT. Mas era meio óbivo que Dilma iria indicar um mega simpatizante, ainda mais nesta hora de tormenta. Por outro lado, torço para que ele seja aprovado logo pelo Congresso e esta novela terminar, Ou seja, estou com dor de cabeça por causa da situação que vivemos. Será que em remédio?

(Mudando de assunto: acho que eu nunca mais vou pooder ver a Marina Abramovic sem lembrar dos memes que ilustram este post...)

14 comentários:

  1. Olha, ao invés de chamar a legislação trabalhista de exemplar, eu prefiro chamar de paternalista. La question c'est: o Brasil pode bancar isso? Brasil é paternalista pra caralho. Isso é um entrave aos investidores (externos e internos). No fundo, isso gera é (pasmem!) desemprego.
    Por outro lado, aqui na Alemanha praticamente não existe o modelo de "trabalho com carteira assinada por tempo indeterminado". Quase todo mundo trabalha por um contrato de tempo X. E aí torre pra ser renovado ou não. Aliás, pior ainda. Sabe aquele trabalho análogo ao escravo que é crime no Brasil? Aqui é perfeitamente legal e tem vários enfermeiros espanhóis DEVENDO aos empregadores alemães (aqui tem falta de mão de obra no setor médico) porque vieram pra cá na crise, descobriram que ganhavam menos e trabalhavam mais que os os colegas alemães e, na hora de pedir as contas, descobriram que tem que pagar o curso de alemão que o empregador contratou para eles (independente deles nem estarem mais cursando).
    Aliás, contratos em geral na Alemanha são quase um casamento. Eu sou casado com minha operadora de telefone, minha academia... Pra rescindir, é quase um divórcio tipo o do Paul McCartney e a perneta lá.

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    1. Em que país voce vive?

      O "welfare" state no Brasil é INEXISTENTE.

      Um dos mais caros - ou o mais caro - impostos do mundo, e NADA de volta para a população.

      Muito pouca coisa. Só os servidores federais tem uma coisa mais ou menos digna e mesmo assim não é lá essas coisas não. (Que queiram ou não é baseado no mérito sim: de se passar numa mesma prova com vários concorrentes. ISSO se não houver marmelada no processo de "seleção". Tipo existe com o ENEM - que é outro medidor de "mérito".)

      TODOS são explorados no Brasil.

      País com um dos maiores índices de INJUSTIÇA SOCIAL no globo.

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    2. Acho que muita gente concorda que a CLT precisa ser substituída. É anacrônica. Mas terceirização de atividade-fim? Mesmo? Será que é o projeto ideal? Acho que a mudança precisa ser em outros encargos trabalhistas, que pesam muito para as pequenas e médias empresas.

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    3. Mas foi exatamento o que eu disse. O país quer ser paternalista, mas não tem cacife pra bancar welfare nenhum.

      No mais, me aponta onde eu defendi esse projeto da terceirização. Não to achando.

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    4. Foi um comentário ao comentário do Monotemática.

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  2. Tony, vc viu uma foto de duas mulheres se beijando no chão, em cima do desenho de uma cruz com um cartaz escrito LGBT? Sei não, tô achando que é obra dos talibãs daqui para criar factoide e nos detonar,gostaria muito que vc comentasse a respeito, bjs.

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  3. O mundo e todos os que te amam agradecem a pausa dramática nos posts políticos! Eu e váaaaaaaarios ja dissemos que como comentarista político você é um ótimo jardineiro! Beijos e bom feriadão!

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  4. Tony, a terceirização é uma realidade e precisa de um marco legal. O que ocorre é que o projeto quer liberar a terceirização de profissionais da atividade-fim. O que isso significa? Atualmente, uma empresa só pode terceirizar serviços que não tem a ver com a sua atividade. Ex: a TAM pode terceirizar os serviços de limpeza, de segurança, etc. Mas não pode contratar comissários de bordo terceirizados. Com o projeto de lei, ela poderá fazer isso. Pode ser que tenhamos motoristas de ônibus terceirizados, atendentes do Subway terceirizados, etc. Até aí, muita gente é favorável. O problema maior está na Administração Indireta (estatais). Imagina a Petrobras, a Caixa, etc, terceirizando engenheiros, bancários, etc? A "tchurma" toda da política vai enfiar os parentes, amigos, etc, em todos os níveis dessas empresas (e não apenas nos altos cargos, como ocorre atualmente). Por isso, o PSDB apresentou uma emenda ao projeto vedando a terceirização nesse esquema nas estatais, o qual foi aceito pelo PT. Vamos acompanhar...

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    1. Boa, joaninha. Havia pensado a mesma coisa; ainda que possa melhorar a situação dos terceirizados, vai ter "pelego" a dar com o pau nas estatais...

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  5. Engano das moças: a Petrobras tem em seu efetivo apenas 30 ou 40% de funcionários estatutários, com direito à aposentadoria pela Petros etc, o resto é contrato diferenciado ou terceirizado - e bota terceirizado nisso -.

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  6. algum terceirizado para nos contar o que é ser terceirizado no Brasil? além de aumentar a concentração de renda, muitas terceirizadas fundo de quintal não pagam fgts, entre outras coisas, o custo disso acaba na empresa que contratou que por ser solidária vai pagar duas vezes pelos terceirizados.
    claro que é preciso rever as leis trabalhistas, mas a terceirização e seus salários de fome só privilegiam empresários.

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  7. As empresas que oferecem os terceirizados (como, por exemplo, os milhares na Petrobrrás) ganham duas, três vezes mais do que ela paga ao cara que ela coloca lá. E obviamente não paga nada do tipo FGTS etc, pois eles obrigam o terceirizado a ter empresa, e tudo funciona na base da nota fiscal, todo mundo é empresário.
    E ai de quem ousar processar essa empresa ou até mesmo o cliente. Pode até ganhar, mas nunca mais vai trabalhar na área.

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  8. Não é difícil de entender a questão da terceirização. Todo mundo vai ser tratado como faxineiro, segurança, atendente de telemarketing e se não gostar do tratamento processa a cooperativa. Isso é bom pra quem?

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  9. Uma coisa é contratar como funcionário terceirizado ou PJ, pessoas que vão ganhar acima de R$ 20.000,00, com auxílio combustível, moradia, vale refeição de R$ 1.000,00, entre outras regalias. Agora os pobres mortais, a grande maioria das pessoas ganharão menos, com menos benefícios e direitos.

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