sábado, 25 de abril de 2015

O ARMÁRIO E O ESCRITÓRIO

Nunca sofri com homofobia no trabalho. Não fui alvo de piadinhas, não perdi promoções, não precisei mentir. Todo mundo sempre soube que eu sou gay, em todas as agências e emissoras por onde passei. Essa transparência também ajudou alguns dos executivos que estão na capa da "Exame" desta semana. A matéria da revista está imperdível, mostrando como muitas empresas (a maioria multinacionais, é verdade) já oferecem planos de saúde aos cônjuges de seus funcionários homossecuais e muitos outros benefícios. Um panorama muito diferente do que acontecia há apenas dez anos. Mas ainda tem muita gente no armário, e não só no Brasil. Por isto eu queria saber: se você é gay, como é que é? Seu patrão e colegas sabem de você? Responde aí nos comentários.

47 comentários:

  1. Eu sou médico e sempre deixei claro pra todos, de funcionários a pacientes, seja trabalhando no SUS ou no consultório/convênio. Como você, nunca sofri homofobia, nem pedi promoções, mas acho que piadinhas, mesmo que feitas nas nossas costas, não tem como escapar.

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  2. Trabalho em uma multinacional do ramo de consultoria. Lá, apesar dos esforços do RH em implementar políticas e ações incentivando a diversidade e a "ser você mesmo", ainda é um ambiente muito homofóbico, o que faz com que muitos funcionários fiquem no armário e poucos sejam assumidos. Infelizmente, a cultura brasileira nas empresas reflete o que vemos na rua ou vice-versa: muita chacota e hipocrisia, pouco respeito e apoio real à causa.

    Fazendo uma comparação um pouco forçada: é como dizer que a Dilma apoia os gays. Ela até é "friendly", mas também não faz nada muito significativo para realmente mudar a situação atual.

    Talvez empresas do ramo de tecnologia (Google, Apple...) sejam mais inclusivas nesse sentido, pelo que ouço dizer.

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    1. Dilma apoia os gays???????!!!! A mesma Dilma do "não faremos propaganda de opção sexual??? A mesma Dilma que no programa lgbt só tinha uma linha sobre lgbts e era "opção sexual". A mesma Dilma que vendeu direitos lgbt varias vezes pros fundamentalistas?

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  3. Sai do armario e foi a melhor coisa q fiz. A piada perdeu a graca e ganhei um respeito q n tinha. N sei se perdi alguma chance por isso, mas acredito q n; minha carreira vai muito bem obrigado. Trabalho em um banco brasileiro, mas a empresa, infelizmente n tem nenhuma politica d apoio.

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  4. Na empresa onde tenho trabalhado pelos ultimos 15 anos ( academia ) todos os colegas sabem que sou gay e os alunos que não sabem é só questão de tempo, já que é uma convivência diária e alguns fazem dali sua segunda casa. Meu chefe - que não é gay - me contratou por indicação de um antigo namorado meu e amigo dele. Ocupei posiçoes de liderança e nunca tive problema algum, muito pelo contrario: a naturalidade com que sempre falei sobre o assunto ainda costuma encorajar os mais distantes do segmento LGBT a saraivadas de perguntas e um entendimento mais amplo.

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  5. 100% assumido, nunca tive absolutamente nenhum problema em nenhuma esfera por causa disso.

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  6. Quando comecei minha carreira, eu morria de medo que descobrissem no trabalho e por muito tempo foi assim. Gastava muita energia escondendo isso e no final acabava não sendo eu mesmo no trabalho. Quando comecei a trabalhar no meu emprego atual, há 5 anos atrás, resolvi que não esconderia mais. Para minha surpresa nada mudou no relacionamento, as pessoas aceitam sem problemas. O que mudou foi que agora eu posso ser eu mesmo é parei de gastar energia com desculpas e fingimentos. E uso essa energia para produzir mais.

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  7. Sempre souberam.Ninguem nunca me incomodou,claro que tem os homofóbicos.
    Sempre me respeitaram ou fingem.Eu aqui e eles lá.

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  8. Eu acho que no meu trabalho todo mundo já percebeu. Só não me sinto bem ainda ou não houve motivos pra dizer que sou gay.

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  9. No polícia? Não. Impossível.

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  10. http://www.diariodocentrodomundo.com.br/em-memoria-de-uma-vitima-do-mundo-que-a-globo-ajudou-a-criar-em-1964-por-paulo-nogueira/

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  11. Sim, sou gay e todos no meu trabalho sabem disto. Minha saída do armário aconteceu depois que completei 50 anos, me separei da minha ex esposa do qual tenho um filho de 23 anos. Contei para o meu filho, na época com 18 anos, minha mãe e minha ex que são as pessoas mais importantes na minha vida. Depois de vencer a barreira com as tres pessoas mais importantes, o resto foi barbada.

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  12. Eu tive um chefe gay assumido. Ele era gerente jurídico. Não escondia a orientação sexual, mas não era afetado. Não estou dizendo que afetação seja algo ruim, mas acho que tira pontos no meio profissional, infelizmente. Depois ele virou diretor, tendo sido selecionado dentre outros dois gerentes. A transparência dele era algo sensacional...de chegar num almoço informal e falar "eu e meu ex" e coisas do tipo.

    Infelizmente não é a regra. A empresa multinacional em questão tinha em seu manual do RH uma seção só sobre tolerância, inclusive em relação a empregados LGBT. Que empresa brasileira tem isso? Difícil. Mas ao mesmo tempo existia, sim, homofobia, de uma forma discreta. Só que é algo inevitável...desde que não se institucionalize, as pessoas ainda farão comentários sobre gays, judeus, etc. Só que cada vez mais a reprovabilidade desses comentários é maior.

    Muitas vezes o problema está no próprio gay, que tenta fingir uma vida heterossexual enquanto todos sabem que é um grande caô. Isso ainda existe muito. Tantos "sigilosos" nos aplicativos de pegação por qual motivo? Privacidade é uma coisa; esconder sua orientação sexual é outra.

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    1. Ok, ficamos sabendo de seu ex-chefe, mas e vc?

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    2. Sofri preconceito, sim, vindo de um gerente jurídico mexicano. Ele soube da minha orientação sexual, fazia a linha "eu tolero" do lado do outro gerente (o gay), mas me humilhava bastante. Começou a fazer umas cobranças nitidamente para ver até onde eu aguentava (para que eu pedisse demissão ou algo assim), nitidamente depois do momento em que ele soube da minha orientação sexual. Já o tinha visto fazendo comentários levemente homofóbicos na ausência do outro gerente. No final das contas, ele se deu mal, porque ele tinha a certeza que viraria diretor jurídico e não virou...quem virou foi justamente o gay.

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  13. O melhor deste post foram os comentários. Cheio de fetiches... o professor de educação física, o médico, o policial...
    Pois bem, eu sou afetadíssimo então não há como não saber. Trabalho em uma repartição pública e já sofri homofobia do público, não dos meus colegas de trabalho. Trabalho há catorze anos, passei por vários empregos tanto na esfera pública quanto na privada e nunca tive problemas com minha orientação sexual.

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  14. Toníssimo, odeio os out of topic, mas esse é especial e imprescindível: viu a entrevista de Bruce Jenner sobre sua transição de gênero e como conviveu com a transexualidade nos seus 65 anos? Assisti ontem e ainda estou estarrecido e emocionado com a coragem daquele homem! Foi um atleta e herói americano, depois se expôs ao máximo no reality das Kardashians e agora resolveu viver sua vida de verdade. Assista e comente, por favor!

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    1. Transexualidade é tabu para o Tony. Depravação moral...

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    2. Oi? Onde foi que eu falei isto?

      Vou ver a entrevista do Bruce Jenner e amanhã solto um post a respeito.

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  15. Eu ainda não estou no mercado de trabalho, mais dentro da universidade ocorreu um fato curioso. Curso Agronomia que é um curso tradicionalmente machista, quando entrei na universidade ainda estava em processo de auto-aceitação e não me sentia preparado para me assumir, entretanto sofri preconceito justamente por isso, por não me assumir. O que de fato é mais uma enorme contradição porque afinal ninguém pergunta alguém se ele é hétero. Tranquei a faculdade por um tempo e quando voltei voltei assumido, não esperei a aceitação de ninguém, não escondo de ninguém, concorri a eleições para centro acadêmico do curso e nossa chapa que é pautada no campo popular nos ajuda a trazer essas questões progressistas para o debate na universidade.

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    1. Mais ao invés de mas: até quando?

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    2. E faz faculdade.

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  16. Empresas pensam com o bolso. Se cara tá dando dinheiro pra empresa, tanto faz pra quem ele tá dando no seu tempo livre...
    Mas, vamos admitir que a Exame fala sobre uma realidade bem elitista, que só diz respeito a poucas pessoas bem privilegiadas.
    Nos interiores do Brasil, no Nordeste e Norte, a situação é extremamente mais complicada...

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    1. Bruno, mais ou menos. Em tese, as empresas se guiam por critérios meritocráticos com o objetivo de alcançar o lucro. Mas não é incomum vermos disputas de poder, nas quais critérios não meritocráticos acabam tomando uma relevância desnecessária. Vida pessoal daquele cotado para virar diretor, dentre outros aspectos, por exemplo. É por isso que sou a favor de uma legislação trabalhista mínima, sim. Porque sabemos que na prática o mérito é 50% do caminho. Os outros 50% são jogo de cintura e critérios estranhos, como ser heterossexual (muitas vezes).

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  17. Meu chefe é meu marido, então não tem como...Mas antes disso, passei por situaçoes chatas sim. Sou belicoso, era confusao na certa. Não tenho vocaçao pra engolir sapo JAMAIS!!

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    1. Mesmo problema aqui. Por isso "abortei" a iniciativa privada...infelizmente :'(

      Não consigo entubar...

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  18. Sabem, nunca havia contado "oficialmente", mas todos sabiam, tanto que desde o primeiro dia nunca ouvi nenhuma piadinha - pelo menos na minha frente - e todos me respeitam. Apenas há pouco tempo que tive de reunir os chefes para explicar sobre minha situação atual - estou num relacionamento à distância e em alguns momentos estarei fora da empresa para poder encontrar meu namorado (a flexibilidade de horários da empresa colaborou nessa questão) - e eles foram super receptivos e aceitaram com a maior tranquilidade.

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  19. Já sim. É velado, mas perceptível. Tb não escondo mais isso de ninguém, nem engulo sapos.

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    1. Tu tem cara de que tem um santuário da Madonna na tua casa

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  20. Todos sabem no meu trabalho (sou pesquisador em uma universidade alema) e quando há festividades e reunioes do meu grupo de pesquisa levo meu namorado sem problema.

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  21. Aqui pensando em uma travesti ou transexual..... Linda a capa da exame. Mas neh? Pelo que percebo é "vc pode ser gay desde que não seja afeminado.". O que tem de travesti e trans com mestrado e não conseguem emprego...

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    1. transsexual é gueto, ninguém fala de Gueto LGBT, as travecas são engraçadas na hora de você dar risada, mas quando chega a hora de debater sobre o assunto com seriedade as bee, as bi, as lés, todas fogem, porque não há nada mais nojento que uma traveca aidética que trabalha na rua, no caso da Luisa Marilac, ela conseguiu emprego num hotel gay, conseguiu se tornar governanta chefe em pouco tempo, ou seja, não é uma questão de identidade e expressão de gênero que influencia na competência de alguém, mesmo que seja de empregos mais primários, mas a verdade real é que se você nasce com uma identidade e expressão androgina você está fadado a certos tipos de mercado, exemplo, mercado de beleza e consumo, não é brincadeira quando você vê uma guei que trabalha na renner, é porque ela não conseguiu emprego em outros locais, enfim, o gueto lgbt é realmente um gueto, ninguém tá nem ai pros transsexuais, uma pena

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    2. Realmente, dentro do movimento e na sociedade quem vem na frente é o gay branco de classe média.

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  22. A empresa que trabalho, uma das maiores do brasil, tem política de aceitação (inclusive os benefícios são estendidos aos cônjuges), mas os trabalhadores, de uma diversidade cultural gigantesca (pessoas do brasil inteiro),são um grupo bem heterogêneo. O que vejo é que os nordestinos (pelo menos aqui) são os mais homofóbicos, seguidos pelo cariocas e gaúchos. E não, aqui não sou assumido e nem pretendo (sim, há perseguições, sempre justificando por outras coisas mas todos sabem que não é). Na multinacional que trabalhei antes a homofobia era menor (e os benefícios apareceram na mesma época que nas outras), e existiam piadinhas quando eu não era assumido. Quando assumi, não sofri nenhuma perseguição (sendo até promovido depois e mantendo contato com várias pessoas que se tornaram verdadeiros amigos).

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  23. Trabalho num emprego mediocre, que paga mal, tenho cabelo comprido, aparência andrógina mesmo eu nunca ter optado por ser feminino, mas me sinto homem, sofro constantemente investidas de maridos de mulheres e de homens, pois sou bonito, meus patrões são crentes, odeiam homossexuais, eu não falo mais que o necessário com ela e ele, e espero poder me formar numa boa faculdade num curso ligado a área de comunicação, tenho 17 anos, tentando sair do lastimável proletariado que se ferra mto, so espero num futuro próximo virar um falso centralista da classe media coxinha
    alguns mais conservadores me enchem o saco, mas eu os mando ir pro inferno, mentalmente claro. :) FODIDO

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  24. Sou juíz de Direito. Tenho certeza absoluta que se fosse assumido\afeminado ao prestar o concurso eu não teria sido aprovado. Não finjo ser hetero nem banco ser "O" macho, sou na minha, se tiver que falar algo eu falo, o que já ocorreu. Claro que na minha frente não há comentários mas pelas costas, meu amorrr... Isto é inevitável, a ignorância sempre existirá, infelizmente.

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    1. Bruno,
      Passei em 2012 para Federal. Sou pintoso, não escandaloso. Mas todo mundo sabe, de cara, que sou gay. Não tive problema com a banca (e nem me esforcei para impostar voz). Será que esse tipo de preconceito, às vezes, não está mais na nossa cabeça no que na, no exemplo, de uma banca?

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    2. Acredito que não, não deve ser coisa da minha cabeça. Aqui no RS o conservadorismo impera.

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  25. Desde os meus 19-20, quando me assumi para eu mesmo, e para meus amigos gays também meios enrustidos na época, que não escondo nada de ser gay para ninguém.

    No Canadá tem uma piada... "How many straight waiters take to change a light bulb?...




    The BOTH of them."

    Então já viu né, ser gay é parte do serviço.

    Aqui sou concursado e não procuro promoções. Já me livrei de uma cordenadoria que não queria.

    Sempre me impus. Nunca liguei para que o povo - fofoqueiro por natureza - iriam pensar ou falar.

    Vim aqui para mudar essa bosta.

    E mudo!

    Sou super charismático e o povo - na absoluta maioria - me adora. Se falam de mim por ser homosexual ou coisa parecida não sei e não quero saber.

    Piada sempre existiu sobre tudo e todos, então levo tudo na brincadeira fazendo piada com a cara deles também.

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    1. O certo é "both of them" e não "the both of them".

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    2. Mesmo sendo OS dois únicos do mundo? THE... não?

      Porque corta o "the"?

      Faz tempo que ouvi a piada e sempre contei "errado" então.

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    3. http://dictionary.cambridge.org/grammar/british-grammar/both

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    4. A monotemática escreveu certo. Quem sabe inglês entendeu o contexto. Nesse caso o The enfatiza os dois garçons heteros.

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    5. Acho que errei só na pergunta:

      "How many straight waiters DOES IT take to change a light bulb?..."

      The both of them está correto. Talvez não na maneira britânica que é que nem portugues de portugal: infinitamente mais engessado e sem criatividade.

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  26. O mio babbino caro
    Efeito Tim Cook. Sou gay. Sou competente e meus colegas de trabalho gays e não gays, são legais. "I'm livin' in the 21st century".

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  27. Sou professor e nunca tive problema com os alunos (ou instituição) por esse motivo (por outros, sim, eu tive!). Uma vez, um colega ficou aborrecidíssimo com uma piadinha ou comentário de um aluno. Mas aí fica claro que só as pessoas que vão se aborrecer e se fragilizar com isso é que ouvem comentários ou piadinhas. Tive também assédio de alunos, o que não é problema para mim, mas é algo a ser evitado, claro. Se alguém fizer uma piadinha sobre gays, eu rio junto. Alguns alunos, entretanto, talvez não tenham percebido, e às vezes se incomodam com outros alunos gays, pelo fato de serem meio desmunhecados. Vamos encarar isso: a maioria dos homens não quer ser gay, nem ser confundido com eles. Concluindo: o mundo não é o ideal, mas incomodar-se ou não só depende de você.

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