domingo, 22 de março de 2015

CESSAÇÃO DE TERAPIA

Achei que só ia ter bichas finas na plateia de "Consertando Frank". Afinal, o assunto aparente da peça é a infame "terapia de conversão", um assunto muito em voga. Mas as críticas andam tão boas que o teatro do MuBE estava lotado por um público bem variado, inclusive casais héteros de mais idade. Há inclusive relatos de que alguns espectadores saem indignados logo depois do primeiro beijo gay (essa gente não se informa sobre o que vai ver?). Mas o texto do americano, escrito em 1997, vai muito além da suposta cura gay. Ele fala basicamente sobre manipulação, e como as nossas identidades são construídas a partir do que os outros pensam de nós. O protagonista é um repórter homossexual que vive com o namorado. Ele resolve se passar por um paciente angustiado e assim desmascarar um psiquiatra que promete inverter a orientação sexual. Só que o rapaz tem uma personalidade frágil, e acaba se deixando influenciar pela lábia do charlatão. Segue-se um duelo a três muito bem defendido pelo ótimo elenco e pela direção sem firulas. Não se trata de um espetáculo abertamente militante, e isto faz com que "Consertando Frank" possa ser apreciado por um público mais amplo. Ainda bem.

12 comentários:

  1. Sério que teve gente saindo da sala de eapetáculo por causa de um beijo? Caramba, o que esses intolerantes pensam e querem? Casais gays "higienizados" que nao se beijam, nao se acariciam? Me lembrou a platéia burra que abandonou o filme Praia do Futuro nas primeiras cenas quentes. Em suma, grandíssimos palhaços!

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    1. Praia do Futuro sofreu disso, mas o filme é abandonável mesmo sob qualquer ponto de vista. Já não me aguentava mais de olhar a hora.

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    2. Tony, me esclareça um ponto. Me soa incoerente você reclamar de que algumas pessoas deixaram o espetáculo depois do beijo e destacar como ponto positivo a peça não ser "militante". Não é justamente esse tipo de atitude que faz com o discurso/atitude "militante" sejam cada vez mais necessários?

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    3. Anônimo, eu disse que a peça não é ABERTAMENTE militante, e que isto é bom do ponto de vista de comercial - pois não assusta o público hétero que não está a fim de ouvir discurso.

      Mas é uma peça militante sim, escrita por um gay e que tem os gays como público preferencial.

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    4. Ah Dani Hansa Bee! de novo com esse assunto de praia do futuro atrás de ibope!!!! queria que vc a sua história de vida nas telas. a bee louca que larga o apê na tijuca em busca de um grande amor que um dia chegará... menasssss

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    5. Escrita por um gay e que tem gays como público preferencial. Fica tudo no gueto e todo mundo se entende. Muito interessante.

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    6. Não, não fica no gueto. Vou repetir: o público que lota o teatro é bem variado, e a peça é muito aplaudida no final. Na sessão a que eu fui não saiu ninguém no meio.

      "COnsertando Frank" não vai mudar o mundo, mas ajuda.

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    7. mentira que dadani hansabee voltou com esse papo do praia do futuro!???? o bixa que quer sempre ter razão!!! numiaguentouuuuuuu... legal são aqueles vídeos toscos de viagem que ela faz. risos

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  2. Tony, olha só:

    http://revistamarieclaire.globo.com/Web/noticia/2015/03/americana-criada-por-casal-lesbico-diz-ser-contra-casamento-gay-outra-mae-nunca-substituira-o-pai-que-perdi.html

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    1. É uma grande FdP. E um texto completamente incoerente, mas bem coisa de evangélicos mesmo. Era tudo o que os fundamentalistas esperam ouvir. E ainda foi a favor das declarações catastróficas de Dolce e Gabbana. Malafaia e afins vão compartilhar esse texto até a exaustão. A cada dia perco ainda mais a esperança na humanidade. Só um botão de reset para resolver.

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  3. Fui ver a peça na sexta-feira e, realmente, havia pessoas - creio que duas - saindo com menos de 10 minutos de espetáculo. Lamentável!

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    1. Se o espectador se sente incomodado, por que ele tem que ficar até o final? Tem gente que para de ler um livro, muda de canal, vê um DVD pela metade, levanta da plateia e vai embora.. Sabe liberdade de escolha?

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