sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

UMA IDEIA EM GESTAÇÃO

Acho fascinante uma mulher que é contra a descriminalização do aborto. É algo como um gay que é contra os direitos igualitários: nem deveriam existir, mas tem aos montes por aí. Ambos são frutos da lavagem cerebral que a sociedade patriarcal nos impõe, aham, desde o útero. Especialmente revoltantes são essas grávidas que estão postando fotos de si mesmas nas redes sociais como se fossem grandes exemplos para a humanidade, numa campanha contra o aborto das mais apelativas que eu já vi. Ainda não sei se elas surgiram antes ou depois do corajoso post de uma moça chamada Gabriela Moura, onde ela exibe o barrigão ao mesmo tempo em que faz uma defesa apaixonada do direito de escolher. Eu também defendo, porque acho que a mulher tem que ser 100% dona de seu corpo o tempo todo, e jamais ser obrigada a levar a cabo uma gravidez indesejada - mesmo que o marido, o padre, o pastor e todo o resto da sociedade queiram. Esta bem-vinda polêmica parece ter sido um efeito colateral imprevisto da declaração de Eduardo Cunha - o novo inimigo no. 1 dos brasileiros disse que só poria leis "abortistas" em votação na Câmara "por cima do meu cadáver". Bem feito: o debate está rolando solto, e ele nem morreu ainda.

7 comentários:

  1. Já vi pesquisa mostrando que a proporção de homens que é a favor da descriminalização do aborto é maior mesmo, e isso se deve a que mulheres tendem a ser em média mais religiosas que os homens.
    Mas fascinante eu acho é as mulheres que dizem que elas mesmas são contra o aborto, no sentido de que não abortariam se estivessem grávidas, mas mesmo assim percebem que o debate vai além do próprio umbigo e entendem que a discussão do aborto abarca também mulheres que pensam diferente e que tem vidas diferentes e por isso podem querer abortar pois foram vitimas de estupro, ou porque simplesmente não querem ter filho no momento (ou ever). Essas mulheres sim, é que deviam ser ouvidas e deviam entrar nesse debate.

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  2. Um sonho: um mundo no qual o Kama Sutra seja o livro mais vendido (e não a Bíblia).

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  3. O mio babbino caro
    É algo como um negro que é contra as cotas.

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  4. Tony, comecei a ver essas fotos de grávidas no meu facebook e quase morri. Daí pensei em fazer um post criticando e desisti, porque ia arrumar muita confusão com família. Mas fico chocada em ver como as pessoas são rasas, ignorantes mesmo. Não entendem que ser a favor da descriminalização do aborto não significa que eu quero que todo mundo aborte ou que eu abortaria. Significa dar o poder de escolha às mulheres. Sinceramente, quando vejo essas coisas tenho vontade de sentar num canto de um quarto escuro e chorar, porque é muito difícil viver num mundo onde esse e outros pensamentos egoístas e tacanhos ainda prevalecem.

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  5. É. A descriminalização do aborto chegou a tal ponto na França, que não existe mais a obrigação do homem de reconhecer um filho do sual tomou conhecimento posteriormente. O homem é quem decide se aceita ou não ser pai da criança, uma vez que a mulher é dona de seu corpo, e não há nada sue ele possa fazer para impedir a gestação ou não. Pensamento assimétrico? Bom, é o que está acontecendo por lá.

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  6. pra vcs verem, não é só bicha que é desunida...

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