terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

SOMOS TODOS FLUIDOS

Lembra do Homem-Fluido do desenho animado "Os Impossíveis"? Não, né, porque você é jovem e eu sou velho e blábláblá. Não importa: o que interessa aqui é que ele é fluido, assim como a sexualidade humana. E este pequeno detalhe ainda é incompreensível para muita gente, inclusive entre os LGBT. Hoje se fala muito que os gays são "born this way", para estressar que a homossexualidade faz parte da natureza e também para mostrar que não existe esse papo de "opção" sexual. Ninguém escolhe ser gay ou hétero. O que existe é orientação sexual, e esta - tá-rá! - pode mudar com o passar do tempo. Não para todo mundo, talvez não para você nem para nenhum dos seus amigos, mas isto não quer dizer que ela não varie para ninguém. Temos que lidar com isto, até para entender melhor duas notícias que estão causando comoção nesta terça-feira. Numa delas, a atleta Laís Souza assumiu que "está" lésbica e que tem uma namorada há alguns anos. Além dos comentários boçais que costumam abrilhantar a internet, algumas bibas e sapatas ficaram nervosas pela moça ter usado o verbo "estar". Isto porque Laís namorou homens no passado, e quem sabe não venha a namorar de novo algum dia? Mas no momento ela não se acha sequer bissexual. Só não trancou a porta a chave. Lidem com isto! Especialmente entre a mulherada, é até comum trocar de preferência. Já vi acontecer várias vezes. A outra notícia foi que Regina Duarte declarou que seu próximo papel na TV, uma lésbica que irá se envolver com um homem, não está "condenada" à homossexualidade. A atriz foi infeliz na escolha das palavras, mas conheço muitos personagens assim na vida real. Meu marido foi casado anos a fio, tem filha e tem neta. Eu mesmo namorei meninas, e gostava bastante. Ah, quer saber? Ainda acho uma certa graça em mulher. Por isto, talvez o termo realmente infeliz seja "born this way": para alguns, ele implica num destino traçado e imutável, quando a realidade é bem mais complexa. E fluida.

45 comentários:

  1. gente que quer catalogar o outro (bocejo)

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  2. No entanto, ainda que achemos graça em mulher ou tenhamos um passado hetero, é preciso pensar que em muitos de nós essas "mudanças" se deram porque estávamos nos descobrindo, nos entendendo. Ter transado com mulher, ter tido filhos, ter tido tesão em mulher não necessariamente faz de alguém hetero. Kinsey fez aquela tabela para tentar definir essas nuances. Mas provavelmente muitos nem sabem exatamente "o que" são. Há muita coisa em jogo nisso tudo.

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  3. Um termo cunhado por Gaganás está fadado ao fracasso. As gays não conseguem sequer lhe-dar com bissexualidade, imagina então com sexualidade fluida.

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    1. Sério que eu tenho ler isso desse britfã imundo? Ai more, vai p/ Las vegas ver a decadência da Neide.

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    2. E você não consegue LIDAR com a língua portuguesa!

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    3. Realmente, Lucas, "lhe-dar" foi de matar! Apaga isso aí...

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    4. Gentem, me parece que o Lucas escreveu lhe-dar DE PROPÓSITO.

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    5. Por onde anda a Katylene, um beijo Katy!

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    6. Difícil lhe-dar com gente que não entende. Vão querer colocar plural em "bons drink" também?

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    7. Hahahahah jent eu ñ poço ser culpado pela educação precária do Brasil posso? acho q n

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    8. Ô Lucas essas meninas são tão impossíveis que não são capazes de perceber uma brincadeira com a língua portuguesa. Na verdade, mande-as dar uma voltinha no site da Cleyciane. Ou preparar seus vestidinhos para sua festa de formatura do curso NORMAL, tudo professorinhas, normalistas, que não querem perder a oportunidade de corrigir, como lhe-dar né.

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    9. Obrigado Anônimo hit me up sumtime http://oi55.tinypic.com/ke90jn.jpg

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    10. Nossa, quanta gente burra que não entende internetês...

      Jesus. Essas aí devem ser as gays (é no feminino de brincadeira, tá?) das antigas, da Era das Saunas.

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  4. Conheço muita gente que já se relacionou com ambos os sexos. Não dá para taxar as pessoas com um rótulo eterno. Irrita-me muito os gays e lésbicas que não aceitam que outros homossexuais passem a ter um relacionamento heterossexual. A vida é de cada um e ponto.

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  5. Acho que o "born this way" não equivale a "born and dead this way"...
    Acho que tá mais pra o seguinte: se alguém, em algum momento, da vida, tem uma experiência que foge ao seu próprio padrão (exclusivamente ht ou gay), é pq essa pessoa nasceu com essa "potencialidade"...

    Um HT, por exemplo, q nunca tenha tido qlqr desejo por outro ser do msm sexo, é pq nasceu assim. E dificilmente teria alguma experiência diferente. O mesmo vale pros G/L que nunca tiveram experiencias com alguem do sexo oposto e para os que são BI ou tem uma sexualidade ainda mais fluida, digamos. hehe

    Não q isso faça alguma diferença. Sexo é sexo. Ponto.

    Sexualidade é algo muito complexo (no sentido de ser rico, diverso, ter nuances), a gente é q tem a mania de querer tudo separado, catalogado e devidamente rotulado. hehehe

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  6. Irônico quando os próprios gays se metem a fiscalizar a genitália alheia né? Felicianos entre nós.

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  7. EU SOU UM GAY QUE FLUI DO GAY PRO GAY ORA PRO VIADO ORA PRO VIADINHO ORA PRA LEBRE ORA PRA GARÇA ORA PRA LIBÉLULA PRA PRO GAY MÁSCULO E APARENTEMENTE HETERO ATÉ O GAY TIPO "ME FALTA APENAS A GENITÁLIA FEMININA" EU PUS A CARA NO SOL E TOU AMANDO O BRONZEADO - BEIJOS PRA TONYAH CAREY DIVA DAS DIVAS DO JORNALISMO GLSBT BRASILEIRO

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  8. Liberdade é assustador mesmo... E é o maior dos desafios às pessoas inteligentes.
    Os não-inteligentes de todo tipo condenam a si mesmos e aos outros...
    Mas, acredito que o rótulo de "born this way" é adotado pelos LGBT porque traz consigo um fatalismo que afasta mal intencionados que tentam impor "curas gay": pode-se pensar que, já que a sexualidade é fluida, devemos molda-la para os padrões dominantes. Mas, o fato é que não é porque podemos que devemos viver a sexualidade de forma fluida.
    Sexualidade é livre e é mesmo assustadora!
    E quanto mais assustadora, mais gostosa ela é de se viver na prática...
    Ou, dizendo de outra maneiro, por ser tão gostosa é que cremos que é proibida e por isso nos assustamos...
    Corajosa essa Laís!

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  9. o problema não é a "fluidez" das pessoas. o problema é q muita gente presta um desserviço fazendo comentários complicados que podem ser interpretados das mais diversas maneiras por gente inescrupulosa, nesses tempos de cólera. a verdade é q muito pouca gente reflete sobre a própria sexualidade e, consequentemente, vive de lugares-comuns bobos (incluindo aqui o "born this way").

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  10. Um ponto ainda sobre a questão "desserviço": acho muito leves as declarações da laís Souza e da Regina Duarte, principalmente se comparadas com o que está fazendo Aguinaldo Silva em "Império": 6 (seis!) personagens sexo-diversos propositalmente caracterizados de maneira com que a sexualidade seja uma característica auto-destrutiva para todos eles. E isso vindo de alguém assumidamente gay, e num veículo importante como a novela das 9. Isso é muito mais preocupante que picuinhas como a fala da Lais, mas pouca gente tem falado sobre isso.

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    1. Ninguém leva Aguinaldo Silva a sério...

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  11. Já experimentei "o outro lado da força" já, não me arrependo, não tenho vontade de me aventurar denovo no momento. Mas uma coisa que eu aprendi que nunca se deve dizer "nunca"...

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    1. Nunca diga "desta água não beberei".


      Mas eu não cheguei perto de xana, nem da minha mãe. Nasci de cesárea.

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    2. no meu caso, já saquei que a única possibilidade de chegar perto de uma xana seria saindo com um rapaz FTM

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  12. fluida? Não creio nisso, mas deve ser o que vc sente, e esse eh o problema, eu não sei dizer como vc se sente, tal como um pastor ou outro gay nao possa definir a MINHA sexualidade. O que eu posso dizer eh que eu gosto muito de homem kkk não vejo motivos racionais (ou irracionais) ou fisiológicos pra me relacionar com alguém do sexo oposto. E sinto que REALMENTE nascí dessa forma. Outro ponto interessante é que acho que os gays de uma ou duas décadas atrás como seu marido, foram meio que "levados" a ficar/casar/transar com mulheres, o que não é tao obrigatório assim nowadays.

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  13. A galera está tão sensata hoje!

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  14. A frase da Regina Duarte "Não se pode condenar alguém à homossexualidade. Seria estranhíssimo condenar alguém a ser homossexual para sempre.” não tem justificativa, sorry.

    http://glamurama.uol.com.br/regina-duarte-fala-sobre-personagem-gay-e-da-o-que-falar-em-coletiva/

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  15. Tem dois pontos de vistas sobre esse assunto: seria realmente muito bacana não rotular a sexualidade humana, considerando que qualquer pessoa pode experimentar o sexo de diversas formas, por outro lado, muitos querem fugir do rótulo de gay, principalmente quem está começando a se assumir. Dizer publicamente "estou gay" ou "ninguém pode ser condenado a ser gay a vida inteira" passa a ideia de que é uma questão de escolha, uma opção sexual, que é algo que é extremamente martelado pelos homofóbicos. Não vejo nada de positivo nessas duas afirmações, assim como não vejo nada de negativo na expressão "born this way". Outra coisa, ninguém vem a público para dizer "estou hétero" e quando aparece alguém que já foi gay e hoje é casado e com filhos, como aquele pastor negro, os gays assumidos, inclusive o sr. Tony Goes criticam duramente. Então, realmente não entendo a finalidade da defesa dessas duas declarações.

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    1. Pegou bem no ponto, Anônimo de cima. No final das contas, embutidas nessas declarações, está a ideia de que há um retorno à heterossexualidade, uma cura, uma possibilidade de resgate. Eu mesmo cheguei a dizer pra minha mãe que era bissexual, quando estava saindo do armário. Uma mentira deslavada, mas foi a maneira de, ingenuamente, dar a ela algum tipo de esperança. Felizmente cada vez menos esses subterfúgios serão necessários para as pessoas.

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  16. Olá Tony, gostei demais deste post, deste ponto de vista...fiquei feliz, nunca gostei de patrulha sexual, tu é isso, tu é aquilo, porque sair do armário...acredito na sinceridade de cada um consigo, o resto,dane-se.
    ps. Carinho respeito e abraço.
    ps. Li os comentários, uns realmente com uma visão muito lúcida e concreta, tanto para o bem quanto para o mal rs, mas anônimo me incomoda- acho uma espécie de covardia #prontofalei.

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    1. Como anônimo, eu digo que "jair machado rodrigues" não me diz absolutamente nada, como se esse nome representasse algum arauto da valentia. E só há um Jair Rodrigues que me interessa.

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  17. Vale a leitura, um dos melhores textos pós-grammy:

    http://www.huffingtonpost.com/keo-nozari/madonna-annie-lennox-acti_b_6652674.html

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  18. A sexualidade é minha faço com quem eu bem entender (com consentimento é claro). Ninguém tem nada ver se eu fico com homem, mulher ou ambos!

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  19. O mio babbino caro
    Permita-me: As Amizades Comuns
    O que habitualmente chamamos amigos e amizades não são senão conhecimentos e familiaridades contraídos quer por alguma circunstância fortuita quer por um qualquer interesse, por meio dos quais as nossas almas se mantêm em contacto. Na amizade de que falo, as almas mesclam-se e fundem-se uma na noutra em união tão absoluta que elas apagam a sutura que as juntou, de sorte a não mais a encontrarem. Se me intimam a dizer porque o amava, sinto que só o posso exprimir respondendo: «Porque era ele; porque era eu».
    (...) Não me venham meter ao mesmo nível essoutras amizades comuns! Conheço-as tão bem como qualquer outro, e até algumas das mais perfeitas do género, mas não aconselho ninguém a confundir as suas regras: laboraria num erro. Em tais amizades deve-se andar de rédeas na mão, com prudência e cautela - o nó não está atado de maneira que, acerca dele, não se tenha de nutrir alguma desconfiança. «Amai o vosso amigo», dizia Quílon, «como se algum dia tiverdes que o odiar; odiai-o como se tiverdes que o amar.» Este preceito, tão abominável se aplicada à soberana e superna amizade, é salutar a respeito das amizades comuns e habituais, em relação às quais se deve empregar este dito tão ao gosto de Aristóteles: «Ó amigos meus, não há nenhum amigo!»

    Michel de Montaigne, in 'Ensaios'

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  20. Tony, está disponível no canal NOW da NET, de graça, o documentário que o jornalista da BBC Stephen Fry realizou sobre os países mais homofóbicos do mundo, entre eles Uganda, Irã e claro, Brasil (ai que orgulho), com direito a entrevista com Bolsonaro. Divulga aí pra galera:

    Trailler:

    http://gnt.globo.com/programas/gntdoc/videos/3922331.htm

    http://globotv.globo.com/gnt/gntdoc/v/stephen-fry-e-a-luta-gay-pelo-mundo-parte-2/3396314/

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  21. Esse patrulhamento da sexualidade alheia é sempre absurdo, quando vem de uma minoria historicamente perseguida é muito pior mas não estranho. O fato de ser discriminado não faz com que as pessoas tenham empatia por outros na mesma situação.
    Enfim, como bissexual sempre ouvi os maiores impropérios justamente de gays, que no fundo ainda tem o modelo hetero internalizado, não conseguem ir muito além seja na sexualidade ou estilo de vida.

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    1. ouviu impropérios dos gays, ok. E os heteros, seus amigos heteros, homens que só curtem mulher, o que acham? E suas amigas que só curtem homem? E suas namoradas, esposas, as mulheres com quem se relaciona/ou?

      Vc conta pra esse pessoal hetero que vc é bi?

      Porque vc falando assim fica parecendo que gays são intolerantes e heteros são a turma mais tolerante do universo.
      Conta como é no churrasco na casa dos amigos heteros casados vc ali bi assumido no meio de todos eles.

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  22. Não acho que seja patrulhamento da sexualidade alheia. São críticas em releção a declarações desastrosas que podem ser usadas pelos fundamentalistas e reacionários que de fato patrulham todo tipo de sexualidade diferente da heteronormativa. Ou seja, por causa de uma frase mal formulada, o coletivo pode ser prejudicado. Isso não tem nada a ver com sexualidade individual e sim com opinião pública.

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  23. Gente, Toco-Xona sábado 15h em Botafogo! Procurem no Facebook. Melhor bloco LGBT do Rio.

    Então...

    Eu vivo esse dilema todos os dias na academia.

    Hoje tinha um menino fazendo tríceps do meu lado...a gente já trocou alguns olhares. Ele me parece hetero tranquilo, então fica aquela confusão, sabe? Ai, eu acho que ele quer. Acho mesmo. Mas não sei o que fazer e a história termina aí.

    Espero que um dia os "heteros" saiam do segundo subsolo do submundo (a.k.a. Grindr, Scruff, etc) e VIVAM A HOMOSSEXUALIDADE, ainda que passageira.

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    1. Chama ele para tomar um cerveja, fumar um beck, ir a uma balada, tomar um açai. Enfim, viado é criativo, deixar por isso mesmo, não rola bil.

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    2. Viado é criativo mesmo hahaha Um crente das TJ veio aqui mês passado e dei mais atenção quando percebi que, além de bonito, o jovem tem 90% de chances de ser gay. Falei que sou ateu e ele se interessou. Eu estava mesmo querendo sair pela tangente, mas conversa vai e vem, apareceu aqui dia desses pedindo meu e-mail. hahah Obviamente eu dei e pedi o dele. Quando foi embora minha irmã veio me perguntar: "ele é gay, né? Pensei que fosse um amigo seu". De 90% subiu para os 99%. Enfim, pede ajuda dos universitários. Cria uma situação, puxa um papo que ele curte e chama pra uma cerveja. :D

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