segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

PARLAMENTARISMO NELES

Perdemos a chance de virar a página no ano passado. Os brasileiros mantiveram Dilma Rousseff na presidência, e os paulistas deram a Geraldo Alckmin mais quatro anos no governo do estado. O resultado está aí: os dois já se enrolaram tanto nesse comecinho de segundo mandato que nem chega a ser surpreendente a pesquisa divulgada ontem. Ambos despencaram em seus índices de aprovação, assim como o prefeito Fernando Haddad. O caso deste nem acho tão grave: os paulistanos são sempre contra o prefeito de plantão, quem quer que seja ele, e geralmente escolhem alguém da oposição nas eleições seguintes. Mas Dilma e Alckmin estão em palpos de aranha, e nós também. Vamos ter que esperar quatro longos anos para nos livrarmos deles. Algo que não aconteceria se adotássemos o sistema parlamentarista, muito mais sensível às flutuações políticas. Nenhum país latino-americano implanta este regime, que vai contra nossa tradição imperial copiada dos Estados Unidos. Mas ele tem suas vantagens. Basta uma crise mais séria e vupt, o parlamento se dissolve e são convocadas novas eleições. Às vezes o resultado é uma instabilidade da porra, como a que vigorou na Itália durante muito tempo. Mas pelo menos existe a certeza de que o governante conta com o apoio da maioria, o que não é mais o caso no Brasil nem em São Paulo. O fato é que ambos os partidos, PT e PSDB, já haviam completado seus ciclos no poder. Vencido o prazo de validade, estava mais que na hora deles serem trocados. Só que não: ambos foram reeleitos, mais por falta de opção do que por méritos próprios. A melhor alternativa a Alckmin era o PMDB, olha só que merda. E Dilma não teve adversário à altura: Marina se mostrou fraca e sem recursos para montar uma campanha contundente, e Aécio será perseguido pelo resto da vida pela imagem de playboy inconsequente. Sou totalmente contra esse papo de impeachment, tanto para um como para o outro (parem de me mandar convites pelo Facebook!), embora eu adoraria que nenhum dos dois chegasse ao fim do mandato. Mas como? E para entrar quem no lugar? É aí que mora o perigo.

16 comentários:

  1. Olha, considerando que PMDB, PP e PT receberam dinheiro vindo da Petrobras, acho o impeachment de todos eles válido: Dilma, Temer, e os respectivos presidentes do senado e da câmara, bem como todos políticos eleitos ano passado com dinheiro de caixa 2 e seus respectivos suplentes. Só que isso é impossível de acontecer, então...foda-se.

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  2. Absolutamente TUDO o que o Aécio dizia durante a campanha que estava acontecendo no Brasil e a Dilma dizia que era mentira, foi provado ser verdade em menos de 15 dias do seu novo mandato.

    A Dilma foi reeleita graças a:
    -marketing fraudolento do marketeiro bilionário dela;
    -mentir que é uma coisa que o PT sabe fazer como ninguem;
    -roubar bilhoes para financiar sua permanencia no poder;
    -a fome de uma parcela da sociedade que nao é estimulada a crescer e trabalhar mas subexistir dependendo da compra de votos aka Bolsa Familia;
    -at last but not least por um bando de gente abjeta e nefasta completamente ignorante, cegas, sem raciocinio e nenhum valor moral digno de viver em sociedade que votaram na Dilma conscientes dos crimes do PT, pois esses, sabem ler. Muitos desses bois do curral eleitoreiro petista lotavam seu blog de comentarios defendendo a vaca de presepio e ex-guerrilheira de esquerda cuja maior façanha em seu curriculum vitae foi falir uma lojinha de 1,99.

    Quanto ao Alckmin, não votei nele como nas outras vezes, exerci minha cidadania e consciencia politica e não dei meu voto para alguem que ja estava fazendo merda.

    Se todos fizessem rodizio consciente do voto, nem precisariamos do Parlamentarismo, os politicos viveriam com os rabinhos entre as pernas ad infinitum.

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  3. Acho que discordo, mas juro que não sei! Parlamentarismo(aliado à instabilidade política no nosso país) poderia dar oportunidade a uma sucessão muito frequente de governantes, até o ponto de algumas figuras terríveis(como o Bolsonaro) terem a sua chancezinha de ser Presidente. Imagine o perigo.
    Quanto ao impeachment, espero que você mude de opinião. Impeachment não é golpe. É um instrumento previsto na Constituição(ou seja, é tão legítimo quanto as eleições- e ambos tem que ser usados da forma correta para serem válidos). Essas são as regras. São justas. Presidente eleito ganha o cargo. Presidente criminoso perde o cargo.

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    1. Bruno, eu fui totalmente a favor do impeachment do Collor em 1992. Saí nas ruas de cara pintada e tudo.

      Mas agora acho que teria cheiro de golpe, pelo menos até o momento. Se a Dilma for pega roubando, como o Collor foi, aí não tem jeito.

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    2. Golpe eles estão dando no dinheiro do povo.

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  4. Meu Deus!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Acho que tirando Jean W. toda bicha é reacionária mesmo!

    Vcs merecem os Bolsonaros, os Malafaias, os Felicianos, os Serras da vida.

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    1. Epaaaaaaaa, me tira dessa! Mas concordo com você, me entristece ver a maioria das bilus pagando de reacinha e se achando o máximo! Querem ser tão modernas com suas fast-fodas by aplicativo de smartphone de última geração, ser tão antenadas em tantos assuntos mas ainda não perceberam que sua inclinação politica é quase paleolítica! Biluzinhas do meu coração, aprendam que "pra frentex" é a esquerda (e o Jean Willys que vcs insistem e adoram apedrejar)...

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    2. HAHAHAHAHSHSHSHSHSHSHSHSAHAHAHAHAHAHA

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    3. Se todas as bichas são reacionárias - leia-se não petistas - e só vocês duas são divinas maravilhosas esquerdettes então se manquem: será que as erradas não são vocês, oh gênias?

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    4. Não me sinto reacionário, mas nem por isso voto no PT nem bato palma pra tudo que Jean BBB fala ou faz. Acima de qualquer viés político que escolhi, vem minha capacidade e obrigação de crítica, autocrítica, discernimento, leitura, compreensão e autonomia.

      Não sou papagaio de pirata de Jean só porque, como ele, chupo piroca.

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  5. O brasileiro tem uma maneira peculiar de se revoltar contra o sistema político.
    Naquelas inúteis Jornadas de Junho de 2013, repetiu-se à exaustão o bordão de que não "era só pelos 20 centavos". Mas a História provou que era. No Rio e em SP, que foram os ápices do movimento, a situação se reelegeu. No plano federal, ocorreu a mesma coisa.
    Não sei se o parlamentarismo é bom para o Brasil, mas como está, com os governantes leiloando cargos para obter governabilidade, não tem como continuar. O que é necessário mesmo é a reforma política, mas com debate e participação popular. Ou pelo menos o fim do financiamento empresarial. Pelas alcovas, o Eduardo Cunha prepara sua reforma: deixar tudo como está, sem chance alguma de mudança, de modo que os políticos sempre trabalhem para as empresas que os elegeram.
    Outra coisa que considero importante é educação política. No Brasil, o mesmo sujeito votou na Dilma para presidenta, no Alckmin para governador, num deputado federal do PR, num deputado estadual do PV e num senador do DEM, e por aí vai, sem um pingo de lógica.
    Sobre o impeachment, eu sou totalmente contra, tanto o da Dilma quanto o de Alckmin. Cria-se um abismo maior do que o atual. E as opções para substituí-los, de tão ruins, me fazem desejar que eles mesmos permaneçam.

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  6. Com Cunha, nada vai mudar. Olha a entrevista dele que saiu hoje no Uol: "Aborto e regulação da mídia só serão votados passando por cima do meu cadáver", disse, irredutível, o deputado evangélico de 56 anos, fiel da Igreja Sara Nossa Terra. Diante da reação negativa de militantes de movimentos em defesa dos direitos dos homossexuais à sua eleição, Cunha não faz concessões. "Não tenho que ser bonzinho. Eles querem que esta seja a agenda do País, mas não é".

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  7. Se o Brasil tivesse Parlamento, o Primeiro-Ministro seria sempre do PMDB, só lembrando.

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  8. Parlamentarismo no Brasil acho que apenas aconteceria depois de uma longa reforma política, e da consolidação de um caminho/projeto econômico de longo prazo... como temos um sistema politico bem fragmentado provavelmente esse sistema estaria propenso a crises e mudanças frequentes...imagina todo o sistema de governança hoje baseada em funcionários por indicação, edital e tudo mais dependente da entrada e saída de governo para funcionar?! não ia rolar...sobre o impeachment acho a coisa mais nonsense dos últimos tempos, uma coisa era pedir a saída do Collor la no começo de uma cultura democrática, outra é hoje...as melhores democracias não são aquelas que têm necessariamente pessoas altivas no cargo executivo, mas sim as que sua constituição é respeitada e o sistema politico e a sociedade presa por isso, sem atalhos exagerados para ganhos politicos, uma parte do país votou em Dilma e deu legitimidade a sua eleição, não aceitar isso é pura infantilidade. O melhor que a oposição poderia fazer agora é pensar novos nomes e estratégias para atrair os eleitores que atualmente não votam nela, mas fazem exatamente o contrário, é sempre o mesmo discurso para os mesmos que aplaudem qualquer coisa que não tenha saído do PT.

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  9. O mio babbino caro
    É quase isso aí.

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  10. "vote no reeeeeeeiiii"
    vocês podiam ter escolhido o parlamentarismo em 93...

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