terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

#EMDEFESA DETODASASFAMILIAS

Se Eduardo Cunha fosse mesmo temente a Deus, seu nome não estaria envolvido em tantas maracutaias. O novo presidente da Câmara de Deputados já começou sua carreira na política enrolado, em escândalos na antiga Telerj e no governo Collor. Por isto que eu acredito que o fervor religioso do sujeito seja apenas da boca para fora (como, aliás, é o caso de quase todos os membros da bancada evangélica). No fundo, no fundo, Cunha deve saber que os homossexuais não são assim tão maus - e isto torna suas posições anti-LGBT ainda mais abomináveis, porque visam apenas o ganho político. Ele já avisou que vai por em votação o famigerado "Estatuto da Família", que define como núcleo familiar apenas aqueles formados a partir da união entre um homem e uma mulher - o que é um acinte perante as milhares de crianças abandonadas por casais héteros e adotadas por gays, solteiros ou não. Hoje o "Estado de São Paulo" publicou um artigo do jornalista Gilberto Scofield onde ele conta como adotou com seu marido um garoto que ninguém mais queria. Se dependesse da hipocrisia de Cunha, PH ainda estaria no orfanato. Felizmente, boa parte da população brasileira que se diz contra os direitos igualitários muda de ideia quando o destino de crianças está em jogo. Há tantos menores rejeitados no Brasil que acho que somos o único país onde o avanço da causa LGBT começou por onde ainda nem terminou em outros lugares mais evoluídos, a adoção. Mas nem por isto não iremos reagir. Hoje rolou um "tuitaço" e "facebookaço" sob a hashtag EmDefesaDeTodasAsFamílias, onde os internautas publicaram fotos de seus arranjos familiares, quaisquer que fossem eles. Uma política séria precisa, de fato, enxergar o óbvio, mas não duvido que nosso legislativo cada vez mais medieval aprove essa monstruosidade. E aí a Dilma vai ter que vetar. Mas será que ela tem força política para isto? Ou vai nos rifar, como todas as outras vezes?

8 comentários:

  1. Se esse estatuto passar, já vai ser um acinte. Se Dilma não vetar, serão dois.
    O problema é se o Congresso derrubar o veto. Aí é rezar pro santo STF.

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  2. O Brasil está sem presidente, Tony. Já à espera de 2019...
    Acho que a Dilma não tem forças pra vetar este projeto, que é de interesse pessoal do Presidente da Câmara.
    Ela sabe que se vetar, o projeto volta para ser analisado em sessão conjunta da Câmara e do Senado e pode ser derrubado por maioria absoluta. Ter esse veto derrubado seria muito mais prejudicial a ela do que simplesmente sancionar a lei(e depois calar os descontentes culpando exclusivamente o legislativo).
    Dilma é refém neste momento. Um pato manco como o Obama nos EUA, mas sem a personalidade e a inteligência que o Obama está demonstrando pra lidar com a situação adversa.
    Mas, o STF já disse que o conceito constitucional de família não é restrito a homem+mulher, e que o respeito à sexualidade diversa é direito humano fundamental ligado à dignidade da pessoa humana.
    Qualquer lei tem que ser compatível com esse conceito pra ser válida.
    A menos, claro, que os novos Ministros indicados pelo PT resolvam mudar o entendimento...
    E ficaremos no prejuízo entre a data em que a famigerada lei entrar em vigor e a data em que o STF conceder uma liminar pra sua suspensão por inconstitucionalidade...

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    1. Não duvide, amigo, se o energúmeno do Cunha não tentar transformar essa lei em emenda constitucional. Aí, nem o STF poderá nos salvar!

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  3. Eu, enquanto maconheira comunista, avessa à crianças de qualquer tipo, agradeço a Satanás todo dia por não ter útero e não gostar de pepeca. Amém.

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  4. Ou vai nos rifar, como todas as outras vezes? Vai nos leiloar - normal, aprendi a esperar o muito pior. teremos de ter paciência e bolso resistente até 2019.

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  5. Tomara que a lei seja aprovada. Para que esses gays, que não votam em políticos da causa e ainda detratam os que nos defendem (tipo Jean Wyllys), querem o direito de terem "família"?
    Depois, como diz o Bruno, é recorrer ao Santo STF, se o Cunha não tiver a ideia de transformar essa lei em emenda constitucional.

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  6. Não ligo nem um pouco! Deixa aprovar se quiser. Não vai produzir nenhum efeito jurídico prático, pois já vai ser uma lei inconstitucional. Mesmo que tentem aprovar como emenda. O STF vai declarar inconstitucional se utilizando basicamente dos mesmos argumentos usados pra legalização da uniao estável gay.

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