domingo, 1 de fevereiro de 2015

A MULHER QUE ABRIU OS OLHOS


"Grandes Olhos" não parece um filme de Tim Burton. O diretor nunca esteve tão comedido. A história também não parece digna de justificar um longa: uma pintora deixa que seu marido assuma a autoria de seus quadros, e depois se arrepende. Os quadros em questão são os responsáveis por metade da tralha que se vende nas feiras hippies e Praças da República de todo o Brasil: mostram crianças com olhos enormes, carentes, prestes a cair no choro. Um atentado à arte mais grave do que toda a obra de Romero Britto. Talvez seja esse lado kitsch que tenha atraído Tim Burton, caso contrário o que teríamos seria um draminha para a televisão. No fundo, "Grandes Olhos" é uma parábola feminista. A protagonista - feita por Amy Adams, que levou um Globo de Ouro meio que por default - se divorcia no final dos anos 50, e corre a se casar de novo para conseguir um mínimo de aceitação social e manter a filha consigo. Dócil, ela topa todas as pequenas falcatruas que o novo marido lhe propõe. Ele assume as glórias, e ela não pode contar nem para as amigas mais íntimas que é a verdadeira responsável por aquelas pinturas. Essa trama pouco envolvente ganha uma paleta de corres berrantes onde predomina o azul turquesa, talvez prenunciando o Havaí onde a personagem se refugia no final. Ela abre os olhos aos poucos para a situação em que vive, e finalmente consegue se libertar. Mas nem por isto "Grandes Olhos" é um filme memorável. Não teve nenhuma indicação ao Oscar, e nem merecia.

2 comentários:

  1. (off) Tony, se puder, pfvr fale (de novo) algo em relação a eleição do eduardo cunha na câmara de deputados, e o qie ele representa. acho que poucos gays sabem da ameaça que esse bandido evangélico representa para os LGBT do Brasil.

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    1. Amanhã de manhã eu vou soltar um post sobre os terríveis presidentes da Câmara e do Senado. Stay tuned.

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