segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SYRIZA DO BOLO

Para os leitores que ainda acham que eu sou um reacionário de direita: adorei a vitória do Syriza nas eleições gregas. Pela simples razão de que o arrocho imposto por Angela Merkel às economias em crise na zona do euro não deu certo. A chanceler alemã exigiu que a Grécia e outros países aumentassem impostos e cortassem salários nem tanto porque acreditasse que isto iria ser bom, mas para dar uma satisfação a seu público interno. Os alemães estão fartos de financiar a gastança na Europa, e não estão de todo errados. Mas a austeridade não deu certo: haja vista os Estados Unidos, onde Obama injetou dinheiro na economia. O resultado é que os EUA já voltaram a crescer e a Europa ainda patina. A Grécia, então, parece arrasada por uma guerra: encolheu 25% em cinco anos e o desemprego chega a 26% (e a espantosos 60% entre os jovens, um número que não tem como não gerar convulsão social). Quando estive em Atenas, dois anos atrás, fiquei estarrecido com a quantidade de lojas fechadas em pleno centro da cidade. O Syriza e outros partidos similares, como o Podemos da Espanha, me parecem uma esquerda pós-moderna, sem ranço ideológico e muito mais preocupada com o bem-estar imediato das pessoas do que com a construção de uma utopia. Talvez haja espaço para uma sigla semelhante no Brasil - já está em gestação o Avante, formado por dissidentes da encruada Rede de Marina Silva. Mas, assim como na Grécia, acho que a situação teria que piorar ainda mais por aqui para que um projeto desses fosse adiante. Não sei se torço por isto.

13 comentários:

  1. Tony Constantino, só faltou dizer que o Syriza é uma esquerda caviar soft. Beijos e boa semana!

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  2. Tony, ao contrário do anônimo aí de cima, a imprensa daqui tem dito que o Syriza é um partido de esquerda radical? Só porque não querem rezar na cartilha da Troika, talvez. Você concorda? Parece-me bem o contrário.

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    1. Surgiu como radical, mas agora está se moderando. Vou dar um voto de confiança.

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  3. Acho que não entendi bem o seu ponto de vista.
    E o pacote trilionário de incentivos do Banco Central Europeu, à la Obama? Óbvio que Banco Central Europeu é independente mas quem manda nele é o dinheiro e o dinheiro é Alemão.
    E as medidas de austeridade("ajustes") que tanto esperamos da Dilma aqui no Brasil, não se aplicam à Grécia? O que você chama de arrocho pode ser visto simplesmente como responsabilidade.
    Compatibilizar gastos públicos e arrecadação é o mínimo pra qualquer governo, e responsabilidade orçamentária não exclui outras medidas de auxílio à economia, muito pelo contrário, as recomenda.
    O buraco da Grécia é profundo mesmo, mas uma ideologia esquerda utópica como a que a Dilma tentou implementar aqui nos últimos 4 anos só vai afundar ainda mais o país.
    Responsabilidade é a palavra. A Grécia e o Brasil podem até tentar correr dela, mas a conta chega!
    Ah...se chega!

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    1. Meu ponto de vista é: vamos ver o que acontece, porque quem estava no poder não deu certo. A austeridade imposta pela Alemanha só trouxe mais sofrimento.

      A Grécia, no entanto, tem boa parte da culpa por suas aflições: é uma economia primitiva, cheia de empresinhas familiares. O país só produz azeitonas e olhe lá; as maiores receitas vêm do turismo. E se ascostumou a mamar nas tetas da comunidade europeia, que cansou de bancar a esbórnia.

      O Syriza me parece razoavelment ajuizado. Pelo menos estão num país parlamentarista: a vantagem desse sistema é que, se o governo der errado, é trocado na hora.

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    2. Na recém-formada "família" União Europeia, a Grécia é um adolescente problemático, sem qualquer habilidade profissional rentável, que resolve fugir de casa pra ver no que dá, já que as regras familiares lhe parecem duras demais.
      Criança mimada...
      Alguns desses sofrem mas acabam aprendendo a se virar sozinhos...
      Mas muitos outros se afundam sem a ajuda dos familiares e acabam pedindo pra voltar pra casa.
      Vamos aguardar!

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  4. Pros economistas lembrarem que existe essa coisa chata chamada política e democracia que reage a essas medidas.
    E as medidas de austeridade na Grécia foram mesmo pra dar exemplo pro mercado no mundo. Foram de deixar as do FMI no Brasil do FHC no chinelo.

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  5. Tony, acho muito hipócrita você aplaudir esse partido quando criticou Marina Silva por voltar atrás nos direitos gays. Syriza pisou nos lgbts, apoiavam casamento e adoção gay em 2012, e agora quando viram que tinham chance de vencer rasgaram os direitos lgbt por "motivos científicos". Também fizeram coalizão com a extrema direita Independents Geeks, partido cheio de homofobicos, xenofobicos e racistas, já que eles tem o ponto em comum que é a anti austeridade e ser contra a UÉ.

    Mas é esquerda, então pode neh?

    http://www.thepressproject.net/article/71481/Tsipras-backtracks-on-gay-adoption

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    1. Olha só que cachorro, não sabia disso. É óbvio que Tsipras fez isto só para ganhar as eleições. Mas nem por isso deixa de ser um escroto.

      É bom lembrar que a Grécia é um país atrasado e careta em termos de costumes, muito por causa da influência brutal da Igreja Orotodoxa - que consegue ser muito mais homofóbica que a Católica, por incrível que pareça.

      Anyway, vamos ver como eles se comportam no poder. Estou curioso, porque, se der certo, é uma luz para o resto da Europa e talvez do mundo. Se der errado, estamos todos fritos mesmo, hahaha.

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  6. O Avante com a pretensão de ser o nosso "Podemos".
    Podemos esperar pelo fracasso...

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  7. Para vc ver. Durantes as eleiçoes no Brasil, o Tony fala que o PSOL da Lu Genro era muito radical, querendo taxar mais os milionários e fazer auditoria da divida publica. Dai vem o Syriza que ganha na Grécia e ele aplaude. Ser de esquerda no exterior é facil. Dificil é querer que a desigualdade acabe no proprio quintal.

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    1. Tem muita coisa que eu gosto do PSOL. A proposta de taxar os milionários é uma delas. Mas, no geral, acho um partido ampthigo, ainda preso a uma esquerda pré-muro de Berlim.

      Ainda não sei muito do Syriza, mas estou curioso para ver o que eles farão na Grécia. O caso de lá é claro: o arrocho não deu certo. Qual será a alternativa?

      Na verdade, não me considero nem de esquerda nem de direita. Acho que há casos em que uma ou outra é melhor, mas nem sempre. Não me prendo a nenhuma ideologia rígida.

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  8. A Dilma também é preocupada com o bem-estar imediato da população, tanto que nos subsidiou 20% da conta de luz no ano passado causando um aumento enorme do consumo em uma época quando na verdade já tínhamos que estar poupando. É muito bom ter um governo que se preocupa com o imediato mesmo.

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