quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

SOMOS TODOS CHARLIE

Será que este foi o primeiro atentado do Estado Islâmico em território europeu? Os relatos dizem que os terroristas falavam mal francês, um sinal de que não devem ter crescido no país. Também é preocupante o fato deles aparentarem terem sido bem treinados: não foi coisa de amador. E como é que a sede do "Charlie Hebdo", alvo de bombas no passado, não gozava de segurança máxima? Fico tristíssimo pelo Wolinski, um dos autores de "Paulette" - minha introdução aos quadrinhos eróticos, quando eu tinha 12 aninhos de idade. Fora que o timing foi terrível para a comunidade islâmica da Europa, em boa parte pacífica e integrada. Num momento em que acontecem passeatas anti-Islã em vários países, esse crime medieval dá mais munição à direita anti-imigração. Aliás, é complicado reagir a essa barbárie sem resvalar para o racismo ou a intolerância religiosa. Mas não podemos piscar: o atentado foi contra todos nós, mesmo os que não acham graça ou se sentem ofendidos pelos cartuns publicados pelo "Charlie Hebdo". Todos os órgãos que acreditam na liberdade de imprensa e na de expressão deveriam republicar as charges, para mostrar a esses celerados que eles perderam essa luta faz tempo. O ataque em Paris deixa a nossa discussão sobre regulação da mídia parecendo picuinha de comadres. Há algo muito maior em jogo do que este ou aquele partido político: é a própria civilização, e não vou colocar ocidental depois dela. É a civilização, ponto.

35 comentários:

  1. O mio babbino caro

    Terrível!!!!!!!!!

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  2. Post impecável, Tony.
    Como não havia segurança máxima na sede do Charlie Hebdo?
    Para que esses idiotas dão mais munição para a direita fascista e nazista da Europa, nesse contexto tão anti-islâmico que o Velho Mundo atravessa?
    Daqui para Novas Cruzadas o caminho parece curto demais.

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  3. Parece que havia sim segurança máxima na sede após o início das ameaças em 2011. Ficava um carro de polícia diariamente na frente do local. Com o tempo, a segurança foi afrouxando, e o carro de polícia passou a ficar lá só às quartas-feiras, quando eles faziam as reuniões de pauta. E há dois meses, relaxaram ainda mais: a viatura policial foi retirada do local...
    Era o que esperavam os extremistas...
    Os governos não conseguem manter 100% de segurança por muito tempo. O custo financeiro, político, e até emocional para as vítimas e a comunidade é grande demais...
    E com o aparecimento de brechas, entram em cena os criminosos.
    Nessas horas a gente vê como é falsa a sensação de de "mundo civilizado" que nós temos... Que o ineditismo da notícia de hoje traga algum resultado mais duradouro do que o mero sentimento de surpresa.
    Que lancem mais luz sobre tantas barbáries cotidianas que ainda vivemos e nem nos importamos mais.

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  4. Há um problema, que o politicamente correto mascara, mas precisa ser encarado de frente, antes cedo do que tarde: A relação do Islã com as liberdades civis. Esta religião precisa modernizar-se, nem que a passos de tartaruga (como a Católica), do contrário a convivência ficará, em algum momento, insustentável..

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    1. Verdade... a interconexão cada dia maior de todos os países e de todas as pessoas do mundo vai trazer desafios a estas religiões retrógradas.
      Aliás, religiões são sempre retrógradas.
      Mas, o saber e a liberdade são tão sedutores quanto a segurança que as religiões prometem.
      E a realidade do saber e da liberdade é muito mais pungente que fumaça em que se escondem as promessas religiosas.
      Elas cairão em desgraça. Já foi uma heresia questionar a Igreja. Alguns séculos se passaram, e hoje são a coisa mais comum essas críticas, apesar dos embates frequentes. Mais alguns séculos, e será ridículo alguém falar em crenças religiosas....
      Não me preocupo com o rumo da civilização(que mais cedo ou mais tarde vai superar a sua adolescência), mas tenho pena dos indivíduos que desperdiçam suas vidas com o pensamento religioso.

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    2. Fundamentalismo extremista não é exclusividade do Islã, a história do cristianismo parece ter sido escrita com sangue.
      O que me intriga é o seguinte: se cristãos, judeus, hindus ou budistas fizessem algo parecido, não tenho dúvida nenhuma de que líderes dessa religiões não tardariam em vir a público condenar o ocorrido.
      Eu não vejo nenhuma autoridade islâmica (autoridade de alto escalão) fazer o mesmo. Parece que a religião é conivente com isso.
      Talvez o Islã seja a maior vítima desse extremismo.

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    3. A universidade Al-Azhar do Cairo, o maior centro de estudos islâmicos do mundo, já condenou o ataque. A Liga Árabe também. Lideranças muçulmanas na França, assim como vários franceses islâmicos, estão se pronunciando contra o ataque.

      Mas é verdade que crimes como este acabam fazendo muito mal ao Islã. Ainda mais num momento delicado como este, quando há o recrudescimento da direita racista na Europa.

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    4. Há quem diga que o objetivo é justamente criar um ódio coletivo contra o Islã, que fomente a islamofobia e sirva como justificativa para o recrutamento de mais radicais islâmicos pelos grupos terroristas, em especial dentre grupos de imigrantes que se sentiriam pressionados pela islamofobia...

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    5. O islamismo é uma das maiores religiões do mundo em número de fiéis. Assim como os cristãos não são homogêneos, os mulçumanos também não são. A maioria dos islâmicos são pacíficos. Essa escória que comete atentados terroristas não espelha o Alcorão.
      Como a religião pode se modernizar se o livro que a pauta foi escrito há séculos e não é passível de atualização? O mesmo ocorre com a Bíblia. Quem tem que mudar a postura são alguns fiéis que distorcem a mensagem deixada e optam por semear a barbárie.

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    6. Os muçulmanos são pacíficos mas foi bem tímida a reação deles a esse atentado. Umas meras declarações e pronto. Muito pouco diante o crescente problema que esses radicais representam.

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  5. Primeiro queimam os livros, depois as pessoas...
    Estou muito triste pra ter que explicar a frase acima para alguns de seus leitores que nao sabem interpretar textos.

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  6. Tony, na verdade eles falavam BEM francês. Sem sotaque. Isso está na imprensa: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2900750/I-let-terrorists-Charlie-Hebdo-offices-cowered-desk-daughter-watched-execute-cartoonists-Cartoonist-reveals-survived-attack.html

    Também está em outros veículos com maior credibilidade.

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    1. Quando eu escrevi o post, a notícia era de que falavam francês com forte sotaque. Depois desmentiram.

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  7. POST IRRETOCÁVEL!

    Não concebo que você seja redator de vídeo show, um cara com sua clareza de idéias tem que trabalhar na grande imprensa, inclusive, para combater essa barbárie que deixou o mundo de luto hoje!

    Que mundo louco e terrível, velho!

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  8. Essa gente odeia gays, não vejo uma única razão pra sequer defender muçulmanos, sejam terroristas ou não.

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    1. Isso é tão errado quanto dizer que todos os cristãos odeiam gays. A homofobia não é unanimidade nem entre os evangélicos...

      Há muçulmanos de todos os tipos, e muitos dos que vivem na Europa estão perfeitamente integrados. Muitos, inclusive, estão se manifestando contra o ataque de hoje.

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    2. Entretanto, Tony, falta uma reação mais contundente das comunidades muçulmanas ao redor do mundo. Sim, líderes condenam, pessoas se dizem horrorizadas, etc, mas não os vemos ir as ruas em massa, como por exemplo, nos protestos contras as charges dinamarquesas...O Islã precisa, urgentemente, ser reformulado...

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    3. Exatamente! As reações dos muçulmanos foi tímida diante o fato. No Brasil então, nem se ouviu falar neles.

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  9. Mais cedo fizeram uma reportagem mostrando as charges mais polêmicas da revista. Em uma delas, retratava um beijo gay. Um cara que trabalha comigo, vendo a notícia, na hora disse: Bem feito! Tinham morrer mesmo! Olha só o tipo de piada que fazem! Nessas horas, dá vontade de reagir como os extremistas...

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    1. amigo, você precisa de um emprego melhor, isso sim.

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    2. O emprego é bom, a empresa oficialmente aceita e respeita todos os tipos de pessoas. O problema são aqueles com a mentalidade no século XV, que ainda tem a cara de pau de dizer que sofrem com a crescente "heterofobia". Não são maioria, mas um já basta para acabar com seu dia.

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  10. "Em boa parte pacífica e integrada"

    Claro, porque os países com maioria mulcumana são paraísos para mulheres e gays?
    Eles que voltem pro buraco de onde saíram.

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    1. Estou falando dos muçulmanos que vivem na Europa, seu paspalhão.

      sabia que alguns dos maiores atores da França atualmente são muçulmanos? Kad Merad, Gad Emaleh... Sucesso de bilheteria total.

      E o policial que foi morto no chão pelos terroristas era muçulmano. Se isto nnao mostra que parte da comunidade é pacífica e integrada, é porque o seu prconceito é maior do que a realidade.

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    2. Gad Emaleh não é o casado com Charlotte de Mônaco? Se sim, ele é pacífico, integrado e muitíssimo bem casado! Invejinha dele!

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  11. Tony, veja este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=ZataEz_m73E
    Como não acreditar que a violência é a religião que a maroria deles professa?
    Note que o vídeo foi gravado em uma conferência (logo, de imigrantes muçulmanos) na Suécia. Não por acaso, li isto anteontem: http://www.nytimes.com/2015/01/03/world/in-sweden-the-land-of-the-open-door-anti-muslim-sentiment-finds-a-foothold.html?smid=fb-share&_r=0

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    1. Porque não é a maioria.

      Isto não quer dizer que o radicalismo islâmico não deva ser combatido. Deve sim: é o maior problema do planeta atualmente. Mas não podemos achar que todo muçulmano é fundamentalista.

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    2. Se todo muçulmano fosse fundamentalista, o mundo já tinha acabado. É uma das maiores religiões do mundo e uma das que mais cresce, senão a que mais cresce.

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    3. Verdade, nem todo muçulmano é fundamentalista; na verdade, bem poucos os são. O problema é que a maioria permanece silenciosa nesses - cada vez mais frequentes - atentados terroristas, o que sugere um apoio tácito a minoria radical que faz o "trabalho sujo". Está cada vez mais difícil engolir o mantra repetido "ad nauseam" de que o Islã é uma religião pacífica.

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  12. A pergunta é: pode zoar religião (qual for) mas não pode zoar gay e negro? Qual critério pra se tolerar uma zoação e não outra?

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    1. Esta é a pergunta de um milhão de dólares.

      O Charlie Hebdo zoava de tudo: muçulmanos, judeus, gays, católicos, deles mesmos.

      Nos Estaods Unidos, a liberdade de expressão é praticamente absoluta. Nego só vai em cana se caluniar alguém. Dizer que odeia negros ou que os gays são diabólicos é perfeitamente legal.

      Nos outros países, essa liberdade tem mais limites. Costumamos dizer que nenhum direito é absoluto, nem mesmo o direito à vida.

      Mas mesmo um cartum racista ou homofóbico não justifica um ataque sangrento. Dizer que o Charlie Hebdo devia se controlar é o mesmo que aceitar as demandas do terrorismo. Quem tem que se controlar são eles.

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    2. E por isso mesmo o Laerte tá caindo em desgraça e descrédito, depois daquela opinião claramente a favor de que não se mexa com dogmas e dizendo que "Não acho que deve haver liberdade de expressão pra quem tá a fim de fomentar o ódio, o machismo, a homofobia e o racismo".

      Vindo dele, que usa o corpo e o desenho para questionar o status quo, beira a insanidade.
      Laerte perdendo a chance de até levantar uma questão e se tornando uma página virada nos direitos humanos.

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