quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

SANTUCCI IS THE NEW CHANCHADA



Daqui a uns trinta anos, os estudiosos do cinema brasileiro irão se debruçar sobre esta fase de comédias populares que atravessamos agora e resgatá-las para a posteridade. Vai ser parecido com o que aconteceu com as chanchadas dos anos 50 ou as pornochanchadas dos anos 70. Malhadíssimas pela crítica enquanto estavam em cartaz, elas só foram valorizadas quando envelheceram - e isto apesar de arrastarem multidões às salas. Hoje em dia é nítida a má vontade de parte da imprensa com filmes como "De Pernas pro Ar" ou "Até que a Sorte nos Separe" (não por acaso, todos dirigidos por Roberto Santucci). Tanto que a nova obra do diretor, "Loucas pra Casar", foi recebida a pedradas e os comentários de sempre: parece um especial de TV, humor óbvio, atores manjados, etc. etc. Mas filmes como este são a espinha dorsal de qualquer indústria conematográfica, em qualquer país que se disponha a ter uma. Fora que "Loucas para Casar" é acima da média: o bom roteiro de Marcelo Saback tem um twist interessante no final, que eu talvez tivesse previsto se tivesse ligado as pistas que ele vai soltando aos poucos. Mas não previ, e me surpreendi: de repente o que parecia ser apenas uma comédia desmiolada sobre três mulheres que disputam o mesmo homem atinge uma profundidade inesperada. Nada muito nietzscheano, lógico, mas o bastante para que o filme seja um bom programa para esses dias tão quentes.

14 comentários:

  1. Quando eu vi o trailer começando com a Ingrid Guimarães reprisando o papel de mulher desesperada eu tb fiz cara feia. Mas aí entrou a Tatá e eu fiquei balançado porque é difícil desperdiçar ela.
    Assim como michael bay criou uma certa fama ("filme de michael bay"), a Globo Filmes também criou a sua fama na onda da cota de produções nacionais.

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  2. concordo com você, tem q ter. mas não vou ao cinema assistir nem morto

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  3. Tatá Werneck, Ingrid e afins, todos humoristas de uma só piada, não à toa dizem que Ingrid foi rejeitada pela Amora e Joao Emanuel (uma fofoca ótima, por sinal).
    Dizer que essas porcarias feitas em série serão lembradas é querer criar uma falsa idéia de que tudo que é criticado, é bom.
    Arte 0 X 10 Lucro.

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  4. E a jornalista do texto no Globo virando o Judas da vez?
    Os indignados e vingativos do Facebook ficaram ontem em polvorosa.
    http://oglobo.globo.com/blogs/silvia-pilz/posts/2015/01/13/o-plano-cobre-558602.asp

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  5. Não vejo nada que tenha a vulgaridade da Tatá Werneck. Já entendi como ela faz piada, tipo a escrotona desinibida. Não, obrigado.

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  6. Tony, assisti o filme e tenho de concordar com você. É mesmo acima da média. Sem falar que é divertido. Não dou conta desse povo encruado que tudo tem que ser arte, arte, arte e arte. E nem vão ao cinema assistir esses filmes no cinema, não leem esses livros e nem ouvem esses discos.
    É um ótimo passa tempo de uma hora e meia. Às vezes rir e espairecer é o que vale.
    Agora Tony, dizer que isso pode virar um clássico, aff, pelamor gato!
    Beijos de luz!

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  7. O mio babbino caro

    Elas só foram valorizadas quando envelheceram e ajudaram o Brasil a chegar onde está. É!

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  8. Anastasia Beaverhausen15 de janeiro de 2015 22:44

    Certíssimo, Tô! Assim como aquela pérola do cinema nacional chamada Avassaladoras, muito afrente de seu tempo, ainda não teve o reconhecimento merecido.

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    1. HAHAHAHAHA ironia gritando!

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  9. Tony, você diz pontos de vista interessantes em suas postagens, parabéns.
    Sobre este filme, errou a mão e faz de conta que não merecia falar sobre.
    PS.: sabemos você tem vinculo com a Globo, onde gera suspeita sobre o assunto.

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  10. As pessoas precisam ter a frieza para entender que cinema é um grande "business". Nós importamos toneladas de lixo audiovisual de outros países e ninguém reclama. Mas quando fazemos nossos filmes C, chovem pedras. Cinema não é só arte, é também entretenimento. Em todos nós existe um desejo de comer um podrão na esquina um dia e de jantar num restaurante fino noutro dia. Faz parte da vida.

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    1. A diferença talvez seja porque vc, eu e todo mundo tá pagando essas porcarias através de incentivos fiscais. E ainda tem que ler que são pérolas não reconhecidas. Menos, né? Beeeeeeem menos! É apenas fazendo dinheiro com uma porcaria de idéia + dinheiro do povo.

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  11. Esse grupo que despreza os filmes mamelucos de entretenimento [d'après Jean] deveria ser obrigado a assistir a um orgasmo múltiplo de Cinema Novo: um festival de filmes de Julio Bressane, incluindo Dias de Nietzsche em Turim e Cleópatra, e por gran finale Barravento, de Glauber Rocha, a precariedade máxima de tudo.

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