quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

PAULETTE VIVE

No começo dos anos 70, no auge da ditadura militar, uma revista chamada "Grilo" publicava no Brasil a nata dos quadrinhos underground que se produziam na Europa e nos Estados Unidos. Nomes como Robert Crumb, Jules Pfeiffer e Guido Crepax frequentavam o gibi, que, apesar do conteúdo erótico e político, era vendido livremente nas bancas de jornal - e ao alcance de um garoto de 12 anos ávido por historinhas de qualquer tipo. A "Grilo" foi um dos meus ritos de passagem para a idade adulta. Uma das minhas personagens favoritas da revista era a gostosíssima Paulette, na verdade um velho de mais de 100 anos preso no corpo de uma linda mulher. As aventuras de Paulette tinham muita sacanagem e humor negro, e o senso comum diria que elas eram totalmente inadequadas para um pré-adolescente. Mas acabaram sendo importantes para a minha formação, tanto a intelectual quanto a sexual. Paulette era desenhada por Georges Pichard, mas o autor de seus roteiros era Wolinski. O mesmo Wolinski que tombou ontem em Paris, aos 80 anos de idade, sob os fuzis de dois nuls que devem estar sendo presos ou mortos pela polícia no momento em que escrevo este post. Os imbecis acharam que estavam vingando Maomé: mal sabem eles que teriam que matar muito mais gente para elminar a liberdade e a irreverência da face da Terra. Como milhões de outros leitores, caí no caldeirão da poção de Paulette quando eu ainda era relativamente pequeno. Ela vive dentro de nós.

Um comentário:

  1. Um texto ridículo num site ridículo patrocinado pelo dinheiro do governo/PT, ou seja, o nosso dinheiro, inventando uma diferença entre o humor dos franceses mortos com o Gentili, aquele humorista que os petistas amam odiar:

    http://www.diariodocentrodomundo.com.br/a-diferenca-entre-o-politicamente-incorreto-do-charlie-hebdo-e-o-politicamente-incorreto-de-gentili-e-derivados/

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